"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Esperando ou esquecendo...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Então existia uma rotina. Trabalho, estudos, amigos, baladas, internet, música... Tinha aquele futuro amor que ia aparecer qualquer dia. Existia um universo que funcionava bem. E nele Thereza sorria sempre, estava equilibrada e - seja lá o que você entende por felicidade - ela se sentia feliz.

Então ele apareceu meio de repente, um tanto de surpresa e as idéias dela fizeram um looping. "Tudo bem, eu te perdoo. Minhas idéias já faziam loopings antes." - pensava Thereza.

Acontece que sem ela querer (e certamente, sem ele querer) ele mexeu com a estrutura dela, sabe. Não acredito que ela o ame ou que o quer mais que tudo nessa vida. Não mesmo!! É que (putaquepariu!!), para Thereza tudo estava funcionando bem até aquele lá surgir das cinzas ou sei lá de onde ele estava.

Então, ele reaparece e sua presença a joga em um turbilhão de sentimentos que sequer consigue decifrar!! Eu não admitiria isso! Ele a lançou para um passado e, de forma insana, Thereza reviveu situações que já não experenciava há anos.

Gostaria de pedir para ele ir embora, mas se arrependeria no minuto seguinte. Pensou que poderia ela ir embora, mas sabe que se arrependeria o segundo seguinte.

Sua opção foi ficar somente esperando - ou esquecendo - enquanto o tempo se encarregava de fazê-la passar por isso. Pois, dessa vez (in)felizmente, ela não teria nada o que fazer...

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A virada..

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As pessoas ao seu redor se ocupavam em rir, conversar, embebedar-se. Havia mães e crianças. Havia jovens namorados. Havia casados, avós, famílias inteiras, grupos de amigos. E havia Thereza.


Dias de festa e ela adorava. Estava entusiasmada e brincalhona...Thereza é divertida, é o que dizem. Enquanto tantos se movimentavam, dando continuidade aos encantos da festa, Thereza se retirou por uns minutos. Sentou-se na areia, olhou para os céus.


Pensava resmungando: "Agradeço. Sei que quando a madrugada se aproxima e eu me acomodo à direita da minha cama, levemente encolhida, eu peço. Sei que peço muito, mas acima de qualquer pedido: agradeço.


Agradeço por estar hoje onde estou, por ter conquistado o que já conquistei. Agradeço por ter superado meus maus momentos. Agradeço pelos amigos que estiveram sempre por perto: mesmo não sabendo das minhas dores. Agradeço pela minha família: fundamentais


Agradeço por olhar ao redor e perceber que estou refeita. Fico agradecida por nunca parar de sorrir e por sempre tentar desenvolver meu bom humor. Eu peço por boas novas, mas ainda assim agradeço pela minha saúde.


Agradeço por ter aproximado tais pessoas de mim, por me oferecer uma forma menos dolorida de me recuperar das quedas. Agradeço pela permissão em me reconhecer humana. "


Chorou, sem dúvida. Levantou-se limpando a areia da calça com a palma das mãos, bem a tempo de gritar junto com a multidão.


"dez, nove, oito, [...], quatro, três, dois e um!! Feliz Ano Novo..."


E ver no céu, marcas coloridas do anúncio de um novo ano....

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Aquele bilhete

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Parecia uma festa e ela estava de longo. Vestido azul claro estampado com tons de verde, de um tecido levissímo que esvoaçava. Cabelos soltos e uma sandália baixa na cor areia.



Thereza estava linda, sorridente e encontrava com muitas pessoas sem rosto. Ela nunca tinha vivenciado isso, mas nesta festa era o que mais acontecia: cumprimentava pessoas sem rosto.



Ao longe, avistou um rosto. Não foi o único rosto que ela vira nesta noite, mas fatalmente era o único do qual ela se lembraria no dia seguinte. Sorriu em contribuição ao sorriso dele. Aproximou-se e ela o conhecia. Sorriu mais uma vez, expressando o alívio e a felicidade de encontrá-lo por ali. Mais um acaso? Talvez não...



Abraçaram-se. Ele arriscou algo mais íntimo e Thereza recuou. Não porque não tivesse interesse, mas sim porque tinha interesses demais! Conversaram e sentados se acomodaram sobre uma rede que descansava ao verde da grama. Riam. E aquela era a cena mais gostosa que eu já vira, desde que comecei a observar Thereza. Ela estava feliz.



Ele, sentindo-se mais a vontade debruça sua nuca sobre as pernas de Thereza e brincando com as mãos dela, lança o início do cafune. Eles riam, se olhavam. E de longe, eu tentava cada vez mais me aproximar...



Seus olhos refletiam um ao outro. Espelhavam seus sorrisos. Aumentavam a medida que se aproximavam.... Beijaram-se. Thereza se perdeu neste instante. Ele tinha um papelzinho nas mãos, porém ela adormeceu antes do tempo.



Logo cedo, Thereza encontra um bilhete. Nele dizia: "Você não pode viver onde me encontra. São apenas sonhos".



Ela esfregou os olhos e levantou da cama.

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Não é de todo mal

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mulheres e suas roupas. Quem nunca presenciou ou viveu a pura 'certeza' que mesmo com o armário lotado, não tinha roupas para usar? Mulheres são assim. E como uma mulher que se preze, Thereza também é.

Abre seu amário e roupas pulam porta afora. Por dois motivos em especial: pela bagunça e pela quantidade.

Thereza tinha uma roupa em especial. Uma peça linda. Ela tinha usado muito há numa época atrás. Aquele modelo lhe caía bem demais. Caía: passado. Fazia um tempo que aquela peça já não fazia parte do seu vestuário rotineiro. Nunca mais usou.

Vez em quando, na falta de outras que também ficavam boa, Thereza tirava a peça do armário e lamuriava suas mudanças corporais. Era culpa toda dela, aquela roupa não fazer mais parte da sua vida. Logo aquela roupa, a que ela jurava de pés juntos, ser a mais especial.

Como se sabe, Thereza não é de ficar muito tempo no mesmo parágrafo e logo tratava de guardar a peça novamente na bagunça do seu armário.
Virava e mexia, pegava a peça. "Minha roupa mais especial. Nunca outra me caiu tão bem... Burra fui eu de ter perdido." - choramingava Thereza.


Guardava com esperanças de um dia tê-la de volta em seu corpo. Cobrindo-lhe a pele, arrancado elogios por onde passar.

Dia desses, sentiu-se completamente nua. Como mágica, todas as suas roupas haviam sumido diante de seus olhos. Menos aquela. Thereza tinha certeza que aquela era a única peça que sobreviveria a todos os tempos.

Tomou coragem para experimentar. Serviu e curiosamente, Thereza não se sentia bem. Acabou de perceber que tal peça não tinha mais o seu estilo. Ela havia mudado e a peça tinha continuado exatamente a mesma. Fechou os olhos e deixou dançar pelo rosto gotas preciosas.

Despiu-se. Doou a peça. Vai encontrar outras que lhe cairão bem. E em todo caso, estar nua não era de todo mal.

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Lá onde?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Ela se perde em pensamentos, se afoga em letras e desbrava seu próprio mundo em busca de algo para sentir. Não adianta, Thereza é assim.



Thereza diz que sonhar é só sonhar, mas acorda cheia de vontades. Sempre há lacunas, ninguém dúvida disso. Acontece que ela não admite tantas lacunas e sai em disparada atrás de nomes.



Péssimo hábito de preferir as respostas às perguntas - embora saiba que são as perguntas que movimentam o mundo. Sabe porque são as perguntas que movimentam? Porque respostas nunca são o suficiente.



Ela não disse tudo. Logo ela, que tanto odeia lacunas, deixa várias pelo seu caminho. Ela não disse tudo. Aquilo que falta dizer fica no meio-fio. Quase despencando de sua língua, mergulhando em uma bacia de nada. Thereza sabe que aquilo que antes nao fora dito, jamais será. O tempo acabou.



Mudaram o game. E ela até gosta. Thereza está assim, contente, tranquila e um pouco lá. Lá no futuro, onde não se alcança. Lá no passado, onde não se chega mais.

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Noite oca

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Acordou assustada com a eminência da queda. Era um sonho. Thereza riu de si mesma e pôs-se de lado na cama, tentando buscar o restante do sono que ainda lhe cabia na noite. Olhando para a parede branca, desenhava com os olhos seus próximos compromissos. Uma lista infinita.


Cantou para dentro. Ela tinha essa mania de cantarolar "hum-hum-hum's". Seus pensamentos vooam distantes quando ela se entrega ao canto para dentro. E, embora exausta da rotina que a cada dia ela escolhe, Thereza não conseguia aprofundar-se em sono.


Respirava fundo, como quem pede o ar e soltava lentamente, como um suspiro satisfeito. Pensamentos já altos, ela tentava entender os motivos pelos quais ela se esforçava tanto para algumas coisas e nada para outras. Não achava justo chorar por se sentir incompleta, seria injusto. Ela estava num momento de ouro. "Ouro oco!"- pensou Thereza.


Abraçou o travesseiro, encolheu as pernas e como um feto ajeitou-se debaixo das cobertas. Apertou os olhos forçando o sono a chegar e chorou. Suas lágrimas sairam como o suco de uma fruta ao ser espremida. E Thereza sabe que, quando o suco de lágrimas sai, o oco de si é sentido como uma ferida.

"Falta algo. Falta algo e eu não sei onde encontrar. Não sei onde..." - ...e Thereza dormiu.

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Querer voltar

sábado, 18 de abril de 2009

Thereza um dia descobriu que, se ela quisesse ser amada, teria que começar a amar. Então tentava dia-a-dia demonstrar o seu carinho pelas pessoas que a cercavam. Aprendeu a abraçar, beijar e dizer que gostava. Aprendeu a pedir carinho também, afinal ninguém adivinha quando a gente quer cafuné ou não. Pedir também era uma habilidade. Não se sabe se foi perceptível, mas Thereza mudou muito em relação a proximidades.


Mas agora Thereza perdeu a vontade. Não a vontade de amar, mas a vontade de demonstrar o amor. Thereza perdeu a vontade de querer ser amiga. E o mais dolorido disso tudo e que, querendo ou não, as escolhas vão levá-la cada vez mais para longe.


Ela sabe que para sempre poderá voltar para o seu porto seguro, sua casa. Porém atormenta Thereza, a dúvida se, nessas condições, ela ainda vai querer voltar?


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Mirror-se

sábado, 28 de março de 2009

Olhar-se no espelho era um hábito. Não apenas para conferir o visual, o espelho era o momento de olhar-se. Olhar para si, para seus sentimentos, para seus caminhos.


Sua vida tinha mudado. Embora soubesse da sua fácil adaptação as novidades, sempre entendera que transições eram complicadas. Thereza se acomodava com tranquilidade às novas formas de viver, relacionar. Só tinha uma coisa que sempre incomodou: deixar o que foi bom passar. Embora fosse, tantas vezes à duras penas, ela deixava!


Com os olhos um pouco cerrados, como quem vê algo bastante luminoso, Thereza encostou as palmas de sua mão no espelho. Sentiu esfriar cada dedo, e numa velocidade surpreendente, os dedos deixaram marcas de suor no espelho.


Com o rosto um pouco virado, encostou a bochecha no vidro refletor. Eram seus rostos se encontrando. Thereza acolhendo a si mesma. Ela nunca estivera tão consciente. Nunca estivera tão perto de ser o que verdadeiramente é.


E depois de um longo espaço de tempo, as lágrimas dela voltaram a desenhar sua face. Dessa vez não doía. Sorria. Thereza sorria e lacrimejava respirando fundo.


Leia mais sobre Thereza, AQUI

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Dormir tranquila

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Sabe, já faz tanto tempo...Na verdade não faz tanto tempo assim, mas Thereza se esqueceu dele tão fácil que parece que faz um tempão. Acho que o segredo foi ocupar seu tempo com coisas que ela não fazia com ele. Como viver, por exemplo. E daí, em poucos dias, Thereza já não se lembrava mais.

Mas ontem Thereza se lembrou. Passou alguma coisa na televisão e ela lembrou. E o mais gostoso de ter se lembrado dele, foi perceber que já não sentia mais nada! Absolutamente nada por ele. Nem amor e nem dor. Thereza apenas provou que sua memória não está falha e que o esquecimento foi sincero e não uma tremenda enganação. Thereza tinha uma mania chata de dizer que esquecia coisas que estavam ainda muito presentes.

Ela não fica mais buscando erros e falhas, sabe... Parece até que não se culpa mais, e acho que isso também faz parte do segredo. "Eu te deixei ir, querido! Te deixei ir para longe do meu pensamento, da minha vida. Eu me permiti 'ser' sem você de novo. E, me desculpe, é tão bom!!!" - dizia Thereza para ninguém ouvir.

Tão bom era dormir tranquila. E disso, Thereza jura não abrir mão jamais!


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Incômodo

domingo, 18 de janeiro de 2009

"Foi alguma coisa que comi" - pensava Thereza ao sentir algo na barriga.


Acontece que ela não havia comido nada. Poderia ser isso, se o nada nesta frase significasse quantidade. Thereza sentia incomodos, algo na garganta também.

"Vai ver eu dormi demais ou só pode ser alguma coisa que eu comi" - era extremamente dificil se conformar que estava passando mal sabe-se lá por qual motivo.

Thereza adora ter motivos, gosta de dizer os porquês e quando isso lhe falta era se desespera. Tem quase certeza que perderá o controle. O que não é uma verdade, tampouco mentira. Thereza já esteve onde não queria estar por saber motivos demais mas, ela insiste em dizer que 'não', que foi a falta deles que a mandaram para lá.

Não importa o que foi que mandou ou deixou de mandá-la para onde não queria, o fato é que o incômodo permanecia e ela não sabia o porque. Resolveu sair. Foi ao cinema. Comprou um bilhete qualquer, um pacotinho de confeitos de chocolate e entrou em uma sala qualquer. Sequer lembrou de ler o letreiro indicativo do filme.

Escolheu uma poltrona qualquer. Não no fundo onde ela mais gostava, nem na frente onde ela dormia. E as luzes se apagaram.

Podia ser uma comédia porque Thereza ouviu risos. Podia ser um romance porque ouviu suspiros. Podia ser suspense ou terror, pois teve a clara impressão de que a moça da frente apertava as mãos do namorado. Porém saiu de lá com a convicção de ter visto um drama.

As luzes se acenderam e ela continuou sentada, como se o filme ainda estivesse na tela. Ela estava com os olhos vermelhos. Thereza chorou o filme todo. Suspirou, riu e chorou.

E sentada numa mesinha, vendo o movimento, Thereza passou a mão na barriga buscando o incômodo que tinha passado, tateou o pescoço tentando encontrar a dor na garganta. Não achou nada.

E se tinha sido algo que ela comeu que não lhe havia feito bem, certamente não era do gênero alimentício. E se ela tinha vomitado tudo, não foi nada nojento.

Ela jura ter sido o filme mais interessante que já viu, mas não se lembra sequer de uma cena.

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Tempestade

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Difícil encontrar alguém que goste de ser pego por uma tempestado no meio da rua, sem nada para se proteger. Nenhum guarda-chuva, sem toldos, marquizes, nada!


Thereza levava uma pasta de papéis recém impressos quando a tempestade caiu. O céu já estava cinza desde cedo, mas na pressa saiu de casa sem o guarda-chuva e quando as primeiras gotas tocavam seu braço ela resmungava tentando proteger os documentos debaixo da blusa: "Ô céus! Era hora?".


Tentava correr o mais depressa que podia com aquela sandália alta, que molhada fazia seu pé escorregar. Olhava ao redor em busca de alguém que pudesse lhe abrigar em seu guarda-chuva até o toldo mais próximo, mas parece que o mundo todo se precaveu da chuva, menos ela.


Esse sentimento de que todos estavam protegidos, exceto Thereza, a arrepiava. Sentia-se boba e desligada, e mesmo que fosse verdade, ela detestava assumir tal fraqueza. A chuva aumentava, podia-se ouvir os trovões e avistar o clarão dos raios. Estava dando medo e os papéis iam se desmanchar naquela aguaceira toda!


Então ela sentiu a chuva diminuir um pouco e seu reflexo percebeu que alguém havia estendido um guarda-chuva sob sua cabeça. Virou o rosto.


- Ufa... Obrigada, moço!
- ... [sorriso]
- Onde você estava? Procuro alguém desde lá de baixo.
- ...
- Moço, você fala?
- [riso] uhum!
- Ah, me desculpe te atolar de perguntar em meio esse temporal.
- Não tem problema...
- Então, você estava onde?
- ...
- Chuva forte, né?
- é...


Logo a frente um ponto comercial abrigava outros desprevenidos. Todos na porta, olhando aquela chuva limpar o dia. Thereza sabia que ali seria o ponto mais próximo onde podia esperar, mas algo não a permitia deixar o rapaz seguir sozinho. O silêncio dele incomodava e o braço que contornava sua cintura era firme e acolhedor.


Sua admiração pelos romances e contos, fazia pensar que um dia sua vida poderia ser transformado em um e, facilmente, se envolvia com desconhecidos alimentada pela doce ilusão.


Recostou sua cabeça no ombro dele. Ouviu o som de um riso contido. "Ele gostou..." - pensava Thereza enquanto acompanhava os passos rápidos do rapaz, que claramente gostaria de fugir daquela chuva.


Perto do ponto comercial ele reduziu os passos e:


- Tá entregue, moça?
- [sem jeito] Claro, hãm... Obrigada. Seu nome?
- ... [risos]
- Bom, você salvou uma Thereza e uns (contou os papéis) cinco documentos muito importantes. Obrigada!
- hum...[supiro]. Bom dia para a senhora!

Envergonhada, Thereza se sentia invasiva demais. Sua imaginação sempre a deixava em situações constrangedoras. Aqueles minutos tão curtos já fizera pensar em um grande amor, em uma história de filme, um provável best seller, mas uma coisa é certa:


"As vezes as pessoas passam pela nossa vida, somente para nos salvar de uma tempestade."

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Rebolado...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008


...e com a ponta do travesseiro, Thereza enxugou àquelas que jurava serem suas últimas lágrimas.


Sentou-se na beirada da cama jogando os cabelos, que caíam em seu rosto, para trás. Respirou tão fundo a ponto de provocar uma tosse. Tossiu como se expelisse alguma coisa que lhe engasgava. Os olhos lacrimejaram novamente e ela deixou escorrer - Thereza tem dificuldades em respeitar suas juras. Sentia-se vazia. Tudo estava saindo: lágrimas, tosses, pessoas, momentos...


Levantou-se da cama e caminhou até o espelho que ficava no fim do corredor. Podia se ver toda, dos pés descalços ao cabelo jogado para trás sem muito cuidado. Tateava a sua cintura e colocava-se de perfil, analisando o quanto as mudanças na sua vida trouxeram mudanças notáveis para seu corpo.


Aquela situação tão corriqueira a fizera rir de si mesma e então Thereza arriscou uns passos antigos de dança. Achando mais graça ainda, cantava os trechos que lhe embalavam os passos. As mudanças foram muitas, mas ali, naquele momento, Thereza viu que seu rebolado continuava o mesmo.

Alguma coisa tinha acontecido ali. Seu vazio havia sido preenchido. E dessa vez, preenchido pela única coisa que sempre lhe faltou: amor próprio.

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O doce gostar

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Quando Thereza era mais nova, tinha um doce que ela gostava muito. Só de pensar salivava, de olhar suspirava e ao comer se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

Podia procurar onde fosse, Thereza só gostava do doce daquela vendinha. O doce tinha um gostinho único. Sabia aproveitar cada pedacinho dele e contava para quem quisesse saber o quanto ela amava aquele doce.

De tanto doce, engordou. Olhava-se no espelho e já não se gostava tanto. Ainda amava o doce, mas o odiava profundamente por tê-la engordado tanto. Queixava-se do peso, porém não deixava o doce de lado. Entrou em dieta algumas vezes. Jurava de pé junto que jamais poria novamente uma gota daquele doce na boca.

E ela sempre era pega pelas próprias palavras. Logo podiamos vê-la se deliciando de doce. Comeu muitas vezes escondido. Mentia dizendo que 'doce nunca mais!'. Mas não conseguia deixar de pensar no doce.

Seus sentimentos eram totalmente ambivalentes. Amava o doce, o prazer que lhe proporcionava. Odiava o doce, os quilos que engordara. Amava o gostinho que o doce tinha. Odiava quando não tinha doce todo dia. Amava sorrir quando comia. Odiava sentir-se escrava quando não podia comer.

Tantos sentimentos, tanta luta e um dia, Thereza assumidamente envolvida com o doce, tascou-lhe uma mordida. Amargo!!!!!!!!!!

O doce estava amargo! Não sabia porque, tinha conservado onde era preciso conservar. Desacreditada mordeu mais uma vez. Amargoo!!!!!!!

Esperou o dia seguinte. Talvez fosse alguma coisa que comera durante o dia que fizera mudar o gosto. Dormiu triste pois nunca o doce tinha sido tão amargo. Logo cedo, outra mordida: Amarguíssimo!

Deixou de lado. Vomitou. Jogou fora os papéis que lhe restavam na bolsa e só faziam lhe dar mais vontade de doce. Tirou do armário outras barras que tinha estocada.

"Amargo.... Meu Deus! Nunca pensei que este doce que tanto amo, um dia amargaria tanto a minha boca." - pensava Thereza.

A validade tinha vencido. Já fazia meses que a validade tinha vencido, mas Thereza amava tanto o doce que insistia em fantasiar o seu sabor. A doçura acabou, o doce não existe mais. O amor ficou guardado junto com a doçura antiga.

Agora Thereza vai emagrecer. Até encontrar um outro doce de qual gostar!

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Aqui tudo fica bonito

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Ela chorava contidamente....


Sabia que precisava deixar aquelas lágrimas rolarem. Não importa o quanto ela já estivesse acostumada em perder, perder não é uma coisa fácil.


Então a mais valente se desmonta, a mais humorada perde o tom. Thereza se lança para dentro de si mesma, reavaliando seus últimos relacionamentos interpessoais. Sempre foi de muitos amigos, mas de tempos para cá ela cultivou mais inimizades do que amizades.


Não sabia o que tinha feito para isso acontecer. Se o que fez era certo ou errado. "Antes só do que mal acompanhada.." - ela repetia para si mesma em seus pensamentos.


O tempo está passando e o cerco vai se fechando. Não se precisa mais dos pares, ou melhor, dizem que não se precisa mais dos pares. Thereza sabe que ainda precisa, seu lado infantil tem sede de contato.


E todo esse movimento de ser diferente se corta quando o orgulho chega à tona. Thereza se recolhe em seu refugio mental, se nega a discutir relações e se afoga cada vez mais em livros, trabalhos, poemas e sentimentos.


Thereza não é menos e nem mais que ninguém nesse mundo. Em palavras, Thereza pode ser exatamente o que ela é, e isso fica bonito. Fica bonito a rima e fica bonito a marca da lágrima no papel. Fica bonito dizer que dói, que arde, que machuca e que ao fim supera. Nas palavras tudo fica mais bonito.


...Ela chorava contidamente. Tinha perdido mais uma vez

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Encontrando Tempo [Parte II- Final]

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

[Texto escrito por mim e pela . Leia mais sobre Victória aqui e leia mais sobre Thereza aqui]


Se você perdeu a Parte I, leia no post abaixo!


Victória estava cansada, seus braços doíam, seu corpo pedia terra firme para poder descansar. E quanto mais se aproximava da margem, mais fraca ia ficando, porém ao mesmo tempo sabia que tinha forças o suficiente para poder conhecer quem a esperava do outro lado.

Neste momento soube exatamente como se sentiam aqueles pescadores que tanto observava na praia. A alegria de encontrar alguém em terra firme depois de tanto tempo navegando. Adivinhem? Ele estava lá novamente, inundando os pensamentos delas: o tempo.
O tempo que tanto perturbava os seus pensamentos agora estava aproximando-a de uma pessoa que nunca tinha visto ou encontrado. E foi nesse tempo que ela adquiriu forças para continuar remando. Faltava pouco para chegar às margens, e a cada minuto que passava remava com mais força ainda. Faltava pouco tempo... pouco tempo. E quanto mais próxima das margens, mais Victória gostava da imagem que via. Percebeu que o tempo aproxima as pessoas e o tempo estava lhe aproximando de alguém. Talvez esse alguém tivesse as respostas para suas perguntas.

Pensava isso porque ainda não conhecia Thereza. Thereza era uma mulher cheia de certezas incertas. Fica difícil pensar em alguém tão cheia de perguntas quanto Thereza era. A canoa se aproximava e Thereza já havia elaborado umas quinhentas perguntas. “Quem era aquela? De onde viera? Porque viera? Quanto tempo demorava? Porque justo ali?”.

Victória chegou a margem. Elas se olharam. Cumprimentaram-se com um sorriso e ficaram olhando uma para outra. Nada romântico. Tudo intrigante.

Thereza levantou-se e estendeu a mão para aquela que os braços estavam trêmulos de tanto esforço.

- Oi...
- Oi. Tudo bem?
- Uhum...[pensativa] Você é...?
- Victória!
- Thereza...
- Atravessei o mar...
- Estou aqui desde cedo.
- Precisava de um tempo...
- Eu só penso no tempo.
- Você parece cansada.
- [risos] Você é quem parece!!
- [risos] Estou sim. Porque pensava no tempo?
- Eu penso em tudo, o tempo todo!
- Tempo, tempo, tempo... essa palavra é que me precupa e me intriga tanto. Não respostas para as minhas inquietudes. Nunca vejo respostas óbvias, apenas teorias... O que é tempo? Por que existe o tempo? Quanto tempo? Preciso de um tempo... Às vezes essas expressões não fazem sentindo.

Elas caíram na risada. Sentiram-se íntimas. Como amigas de longa data. Thereza adorava palavras intimistas. Victória queria férias. Ficaram ali por horas pensando. Hora quietas, hora falantes. Sim, expressões e (des)encontros as vezes não fazem sentido!

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Encontrando Tempo [Parte I]

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

[Texto escrito por mim e pela . Leia mais sobre Victória aqui e leia mais sobre Thereza aqui]

Victória estava com os pés na água do mar, balançando e observando o movimento das águas. E longe dali, longe do mar, Thereza andava em círculos pela grama.

Talvez estivessem esperando o tempo passar, ou talvez estivessem descarregando as energias. Nem se sabe ao certo se as energias se descarregam dessa forma, mas elas adoravam escutar essas coisas 'zen' e prová-las sempre que possível...

Eram duas mulheres que gostavam de pensar.

Uma coisa é certa: mulheres têm medos tão secretos que elas sequer conseguem concretizá-los em pensamento.

Victória pensava “Por que as pessoas perdem e pedem tanto tempo?”. Thereza pensava “Quanto tempo eu preciso dar para o tempo resolver o que precisa ser resolvido?.”
Seria o tempo justo para essas mulheres que tem medos secretos?

O tempo é um remédio e um veneno, pensava Thereza, que de tonta optou sentar-se na sombra de sua árvore predileta.

Victória, cansada de ficar sentada pensando esperando o tempo passar, pega a sua canoa e começa a remar sem direção. Passa por vários lugares e quando parou, se deu conta de que estava em águas doces.

Thereza estava tonta demais com tudo. Com as voltas, os pensamentos e o próprio tempo. Fixava seu olhar no horizonte que parecia olhar para lugar nenhum. E ao longe, dentro da canoa, Victória avistava alguém sentada olhando nada, às margens de um lago.
Thereza nem sequer percebeu que ao longe um barquinho vinha. Victória continuou a remar até a margem. A sua curiosidade era grande, queria saber por que fora parar ali, nem viu o tempo passar, nem vira como chegou naquele lugar tão diferente de sua praia, do seu mar...

Será que para tudo tem um tempo mesmo? Será que o tempo une pensamentos? As vezes falamos assim: “dê tempo ao tempo”... Mas quanto tempo é preciso esperar para o tempo certo? Thereza pensava.Victória queria descobrir! Elas queriam entender outros mundos, outras situações, outros lugares...

Victória fora remando em busca de amizade e novos horizontes. Thereza continuava olhando para o nada pensando em tudo.

A canoa se aproximava e como quem acorda de uma parada cardíaca, Thereza fixou seu olhar no objeto que bailava no rio. Esfregou os olhos tantas vezes quanto foi necessário. Era difícil de acreditar que uma canoa tão simples chegava até ali. Não era comum se ver canoas pelo rio. E canoas como aquela? Nunca fora visto uma única peça... Era intrigante. Era fascinante.

Thereza deixou seu egoísmo impregnado de lado e passou a pensar naquela canoa, naquela pessoa... Quanto tempo ela já estava remando? Não importava quantos epochés ela fazia. Estava difícil demais suspender seus conceitos. Ela estava contaminada com essa história de tempo.


Continua...

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Essência de Thereza

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Thereza passava por uma praça todos os dias. Era caminho de suas atividades. Quando ia de uma para outra, passava pela praça. Era uma praça calma, embora ficasse no centro da cidade. Quase nunca se via alguém em seus bancos. Eventualmente um casal de namorados e um maluquinho que jurava trabalhar olhando os carros ali do quarteirão.

Ela nunca tinha parado ali naquela praça, e ela sempre gostou de praças. Algo relacionado com sua infância, talvez.

Mas esta manhã foi diferente. Ela passava mais calma, com menos coisas nas mãos e, maravilhosamente, com um sapato mais confortável. Então ela fitou aqueles banquinhos de praça, olhou no relógio e tinha mais meia hora para seu primeiro compromisso. Sentou sobre suas pernas, feito um espiritualista que procura a aproximação com Deus via meditação.

Seu olhar ficou perdido por uns minutos que significaram horas. Thereza sentia que estava precisando daquilo. De ficar só entre tantas coisas. Ela desejou pode gritar tão alto quanto suas cordas vocais aquentassem. Desejou poder chorar todas as lágrimas que sua glândulas pudessem produzir. Desejou estar fora do país. Desejou tantas coisas que até sorriu abobalhada de seus pensamentos serem tão pretensiosos.

O telefone tocou e ela despertou do seu mundo repleto de prazeres. Era engano. E diferente da maioria das pessoas, Thereza gostava de enganos. Não sabia exatamente o porque gostava, mas sabia que gostava. Tantas vezes já atendeu o telefone público mas, isso é outra história.

Mais atenta, Thereza passou os dedos entre os cabelos recém lavados, massageou de leve a nuca e levantou-se. Ela ainda tinha uns minutos, mas preferiu levantar e seguir teu dia.

Thereza é uma mulher comum e que muitas vezes passa sem ser notada, sem ser admirada. Aqui ela se faz especial porque é permitido saber o que ela pensa e como se sente. As mulheres são assim, belas em sua essência. O que resta é permitir sentir a essência e depois de permitida, sentir - apenas isso.
Leia outros textos de Thereza em Dias de Thereza

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Dialéticamente, Thereza.

sexta-feira, 13 de junho de 2008


Enquanto a água quente do chuveiro caía sobre os ombros de Thereza ela ia pensando nas coisas rotineiras. Nas brigas que tivera dias atrás, nas desculpas, nas reconciliações...


Dizia mentalmente para si mesma: "Quem é você, Thereza? Que tipo de mulher você se tornou aceitando tanto as coisas? O que você está esperando da vida? Você nunca foi de esperar, Thereza... Nunca foi..."


Thereza pensava e continuava deixar a água quente cair. "Ah.. só mais um minutinho.. deixa o aquecimento global para lá..." - disse Thereza num tom sarcástico quanto a essa nova moda de proteger a natureza.


Os pensamentos de Thereza são randômicos, quase que não tem ligação um com o outro. Quase! Ou talvez apenas aparentemente não têm.


Então ela fechou o chuveiro. Levou um pequeno choque na ponta dos dedos e saiu. O vapor tomava conta e no espelho ela desenhou seu nome com o dedo indicador. "The....re...za!" - ela disse, rindo e imitando uma menina de primário.


Thereza gostava muito de imitações. Ela vivia fazendo vozes e caras e bocas e gestos e...


Acabou secando-se, vestindo-se e o vapor já não cobria todo o espelho. Penteou-se e saiu. Voltou para a rotina.


E no meio do dia ela perguntou para si: "Thereza... mas que raio de mulher é você, hein?"

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Caleidoscópio

quinta-feira, 29 de maio de 2008


É que é tudo igual e ao mesmo tempo diferente. E todas aquelas cores que giram e giram e giram e parece que toda vez é a primeira vez.


Então Thereza está assim no mundo. Como se cada dia fosse o primeiro, porém sem se esquecer das cores que já conhece. Ao mesmo tempo que ela tem vivido com intensidade o sabor do sucesso e do amor, tem provado o gosto amargo do veneno alheio, da espera interminável e da distância torturosa.

Ela acorda com sorriso Monalisa. Enigmático. Há quem diga que é o sorriso mais lindo que já vira. Há quem diga ser o sorriso mais falso que ela pode dar. Na realidade é o único sorriso que ela tem conseguido dar.

Mentira!Na verdade é o sorriso que ela dá para cada um. Aqueles que dizem, dizem por dizer.

É porque cada do olho, ve um caleidoscópio diferente!

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Vontades de Thereza

domingo, 25 de maio de 2008

Thereza é cheia de vontades. Tem dias que acorda com vontade de comer alguma coisa que não sabe exatamente o que é. Daí abre a geladeira e prova do bife gelado de ontem. Não é isso. Prova do queijo mineiro, salgadinho e úmido, que tanto gosta. Não é isso. Dá uma colherada no doce de leite. Não é isso. Ela desiste e vai fazer suas coisas.
As vezes ela passa o dia inteiro provando coisas para "matar" a sua vontade daquilo que ela não sabe exatamente o que é. Chocolate com banana. Sorvete com coca-cola. Bala de iogurte com fandangos. Disso tudo, a única coisa que ganha são quilos a mais.

Thereza já se acostumou a ter vontades que ela não sabe de onde vem e para quê que serve. E de todas essas que ela ja sentiu, a que ela mais gosta é a vontade de estar junto dele.

Vontade de acordar e olhar para ele. Ver que ele está olhando ela dormir. E isso parecer que já durava longos minutos. Vontade de dar boas notícias. Vontade de contar o dia detalhadamente e perceber que a única coisa a qual ele tem prestado atenção é no seu decote, cuidadosamente, escolhido após o banho relaxante.

Vontade de tocar-lhe o rosto. Afagar-lhe os cabelos, levemente compridos. Vontade de contar piadas bobas e ri de si mesma, somente para ajudá-lo relaxar do dia cansativo.

Vontade de lhe enxugar as lágrimas quando o presente ela estiver carregando. Vontade de programar mil 'surpresinhas'. Vontade de sentir o perfume de longe. De reconhecer os passos, o som que ele faz com a chave para abrir a porta.

Vontade de ver uma sala cheia de brinquedos largados e vê-lo com suas duas crianças dormindo no tapete. Os três sorrindo e ela com ar de quem é a mulher mais feliz do mundo.

Vontade de tantas coisas e de, acima de tudo, nunca deixar de ter essas vontades.

[Thereza tem alma preta e coração dengoso...]

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