"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Sob o negativo - A última bola de papel

quinta-feira, 16 de abril de 2009

[Leia os capítulos anteriores clicando aqui]

Com sua lapiseira amarela, Rodrigo começou a rabiscar traços em seu caderno. Há meses que ele não fazia isso. Desde que ela se foi, para ser mais exato.

E daqueles ingênuos traços, ele desenhou uma frase: Eu te perdoo...


Naquele caderno, cheio de rabiscos e desenhos e traços, Rodrigo deixava o seu punho desenhar mais letras, formar palavras. Depois de muito, destacou a folha do espiral e amassou, feito quem faz bolinhas de papel. Passou as mãos pelo rosto, levantou e deixou o papel no banco ao lado.


Dias depois, durante o café da manhã, passando os olhos pelas principais notícias do jornal, reconhece:

"Eu te perdoo! Te perdoo de verdade, com minha sinceridade, com todo o meu sentimento. Todas as pessoas sofrem, todas as pessoas erram. Foi assim comigo, foi assim com você. Eu te perdoo chorando. Te perdoo tirando de mim todas as mágoas que ainda me faziam de xingar em silêncio. Todas essas gotas, que agora molham meu papel e me denunciam neste ponto de ônibus, são os últimos pedacinhos seus... Dia-a-dia te chorei! Você iria rir se soubesse qual música está trilhando a dança dessas minhas palavras. Sim, é aquela! Está tocando em algum lugar aqui perto. Escuto os últimos acordes: estão anunciando o fim. Da música e daquilo que ainda doía. Talvez você nunca saiba disso mas, Eu te perdoo!"


Nota do editor: Uma bola de papel sem nome publicada para que 'você' nunca fique sem saber.


Rodrigo fechou o jornal, tomou seu café e só. E só.




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Este conto encerra a sessão "Sob o negativo".

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Sob o negativo - Tantas mortes.

domingo, 14 de setembro de 2008

[Leia os capítulos anteriores clicando aqui]

Rompendo o silêncio (ensurdecedor) que tomava conta do lugar, a notícia: "...as mortes da última noite. Muito sangue e muito choro..."

O culpado? Ele! Rodrigo era o culpado. Ele matou. Sem piedade, sem escrúpulos. Ele já tivera piedade e escrúpulos demais com ela.

Rodrigo seria julgado. Com toda certeza, ele seria julgado. Ninguém pode sair por aí matando assim impunemente. E ao pé da sua cama, local onde fatalmente iriam procurá-lo, ele deixou uma carta dobrada em três. A carta, manchada de lágrimas e sangue, era a prova que faltava para Rodrigo ser condenado.

Nela ele dizia:

"Sim, sou o responsável pelas mortes. Eu não negaria isso. Sou responsável mas não sou culpado. Talvez eu nunca devesse ter cedido aos seus apelos. Infelizmente um dia eu cedi e cavei o meu próprio túmulo.

Hoje morre um amor. Morre o sentimento mais puro que tive por alguém. O amor morre e como se diz por ai, do pó veio, ao pó voltará. Hoje morreu um homem. Um homem apaixonado, envolvido, fiel, sincero e inocente. Morre o homem que você disse, tantas vezes, amar.

Hoje morre também uma mulher. Talvez a mulher que eu mais amei nessa vida. Morre a mulher que povoou os meus sonhos, que fez brilhar os meus olhos. Hoje eu matei tudo que um dia foi nosso.

E no mesmo dia de tantas mortes, fiz questão de fazer nascer um novo homem. Uma pessoa que você não conhece, que você nunca viu, que nunca te conheceu, que nunca te viu. Um homem sem amarras, livre e disponível para o mundo. Hoje - guarde bem essa data - morre o seu homem e nasce o homem que será de qualquer outra.


Infelizmente você não poderá comparecer ao velório de tantas mortes, pois enterrei tudo antes que o mau-cheiro tomasse conta do lugar.


E na lápide, que identificará o que está sete palmos abaixo do chão, eu escrevi: "foi eterno, sincero e verdadeiro enquanto durou."


A sentença? Absolvido! O culpado agiu em legítima defesa.





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Sob o negativo - a blusa vermelha.

terça-feira, 27 de maio de 2008

[Leia os capítulos anteriores clicando aqui]


Rodrigo não estava acreditando! Ela estava vindo em direção dele com aquela blusa...

A blusa vermelha. Ela sabia como provocá-lo, não se pode excluir o fato de que ela é muito sedutora. E aquela blusa vermelha era, simplesmente, 'a' blusa. A blusa do primeiro dia. Vermelha paixão. Usando uma blusa daquela ela só podia estar querendo isto mesmo. E queria.

A primeira vez que se encontraram, Rodrigo tinha jeitão moleque. Não que ele tenha mudado tanto de lá para cá, mas o ar descompromissado era característico e faltamente a encantou.

Encantamento. Quase um conto-de-fadas, pode-se dizer. Ela perguntava "sobre o que vamos falar?" e Rodrigo respondia "sobre o que quiser, eu falo de tudo...".

Ela diz que foi essa colocação que lhe tocou a alma. Como se os céus lhe avisassem que ele, Rodrigo, era o homem que ela tanto procurava. Rodrigo, ainda muito brincalhão e um pouco sem jeito, envergonhava-se com os olhares e suspiros acompanhados de "você é muito lindo, sim...".

Rodrigo precisou ir. Ela pediu que ele ficasse mais um pouco, pois já tinham adentrado a madrugada num papo que nunca poderia ter se encerrado.

Neste primeiro dia, ela com a blusa vermelha mais bonita que ele já vira, sentiram que estavam diante de pessoas especiais em suas vidas. Se iriam se ver novamente, era, certamente, uma grande dúvida. Se encontraram por acaso!! Tanta gente andava por lá, tantos tentando tomar a atenção deles para si.

Bom que seus olhares se cruzaram. Então eles trocaram contatos. Rodrigo disse que nos próximos dois dias não poderia falar com ela. Tinha um compromisso. Uma festa.

Se despediram e prometeram para si que voltariam a se encontrar. E, de fato, se encontraram. Ela perguntou sobre a festa e Rodrigo disse que havia conhecido alguém, mas estava cabisbaixo pois não trocaram telefones. Ela sentiu uma ponta de ciúmes daquele que ela pouco conhecia. Não se deixou abater e logo disse: "se é por falta de passar o telefone para alguém, passe para mim..."

Eles riram e ele passou.

Agora, ela continua se aproximando. Com o andar mais belo que Rodrigo já tinha observado, com a blusa mais recheada de significados que ele conhecera, ela vinha acompanhada pelos raios de sol e o cheiro do outono. O outono cheirava bem para Rodrigo. Cheirava a ela. Os dias de festa aconteceram no início do outono.


Rodrigo sorria para ela. Ela sorria para ele. "Ela voltou..." - pensava Rodrigo entusiasmado e suspirando.

Então, ela chegou mais perto dele, deu uma voltinha, exibindo sua beleza, e perguntou: "Gostou?"

Ele somente a abraçou e disse: "Senti tanto a sua falta..."
É claro que Rodrigo havia gostado. Aquela blusa tinham significado para ele os melhores momentos de sua vida. Usá-la naquele dia, aproximar-se dele com toda classe que ela tinha, era sinônimo de boas novas. De antigas boas novas.


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Sob o negativo - Juntos (?)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

[Leia os capítulos anteriores I, II e III]


Mais de um mês depois de toda aquela discussão, Rodrigo tinha falado com ela uma porção de vezes. Eles tinham se resolvido, se diziam "estar bem".

Era nítido que Rodrigo ficava um pouco incomodado com tantas desculpas e compromissos que ela lhe falava, mas ele estava aprendendo a jogar o mesmo jogo. Como se tivesse aprendido as regras.

Para Rodrigo, ter aprendido as regras não significava gostar do jogo. Ele estava é muito cansado de todas essas partidas. Rodrigo já não sabia se o nome daquilo tudo era amor, e se não fosse, que mais poderia ser? Era amor sim! - Rodrigo gostava de repetir isso para si.
Ele sempre se pegava pensando nela, sorria para o nada, escrevia os mais belos poemas, as cartas mais recheadas de romantismo e sentia frios na barriga sempre que o telefone dava o primeiro sinal de toque.
E os olhos? Aqueles olhos o tiravam do sério. Os olhos que lhe diziam tudo sem precisar falar. O que foi que aquela mulher fez com ele? Ela conseguiu enxergar tudo aquilo que somente Rodrigo via em si mesmo. Será ela um espelho? - Ele pensava e ria de si mesmo.
Ela tinha seus defeitos. Que mal tem? Ele tinha os dele também. Eles fazem um casal perfeito. Rodrigo diz que é perfeito pois foi feito e feito novamente e feito sobre isso, ficando maravilhosamente feito.
Ela passou por poucas e boas. Rodrigo sabe que ela não tem levado uma vida muito fácil. A diferença entre eles é o que parece dar a liga do sentimento.
Ela faz dos acontecimentos, tempestades e Rodrigo faz das tempestades, acontecimentos.
Ela planeja tudo nos mínimos detalhes, ele vai no impulso e se entrega. Rodrigo aprendeu a pensar antes de agir, planejar e estabelecer objetivos. Ela aprendeu a dizer o que pensa, não guardar as dores e sorrir para a vida.
Se eles estão juntos?
Sim! Nos pensamentos estarão eternamente juntos. Fisicamente e socialmente, não. Ela continua fazendo dos acontecimentos, tempestades e ele falando coisas sem pensar.




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Sob o negativo - novo início

terça-feira, 1 de abril de 2008

[Leia o capítulo I aqui e o II aqui]

Já tinham se passado quase quinze dias que Rodrigo enviara a carta. Ele ficou pensativo e muito expectativo nos primeiros dias decorrentes mas, a falta de notícias dela extinguiu seu comportamento de esperar. Quer dizer, extinguiu em termos pois, apenas publicamente Rodrigo não esperava mais.

Quinze dias passados e ela apareceu. Estava quieta e com os olhos mareados. Rodrigo ao vê-la ficou sem voz e tratou de marear teus olhos também. " eu a amo tanto...", pensava Rodrigo arrependendo-se de algumas palavras que havia escrito na carta.

Ela disse que precisava responder pela carta. Rodrigo disse que sim, ela precisava. Ela perguntou se podia ser daquele jeito mesmo, sem precisar escrever e endereçar. Ele disse que sim, claro que poderia.

Então ela começou. Chorava muito e Rodrigo também. A impressão é que estavam ambos na eminência de um fim definitivo. Era muito difícil ouvir a voz de Rodrigo, ele estava com um nó muito grande que nenhuma palavra iria conseguir a vocalização.

Ela disse que o amava mas, já que o fazia sofrer tanto, como ele descrevia na carta ela iria embora para nunca mais voltar. Neste momento Rodrigo empalidou-se. Pensava repetidamente "...para nunca mais voltar ?", "...para nunca mais voltar ?", "...para nunca mais voltar ?". Não era isso que ele queria! Isso sempre foi a última coisa que rodrigo queria. Ficar distante dela era o que o machucava, e não a sua presença.

A presença dela sempre foi maravilhosa. Cenário para os mais belos sonhos. Ele sempre se pergunta como ela ainda consegue mexer tanto com ele mesmo depois de tanto tempo.

"...para nunca mais voltar ?"
"É isso mesmo que você quer?" - Rodrigo perguntou esperando que ela dissesse um belo não e caísse logo em seus braços.
"É..." - ela respondeu um pouco reticênte.

Rodrigo sentiu-se como se alguém o tivesse empurrado morro abaixo. "Então quero que saiba que te amo muito e que desejo à você toda a felicidade existente no mundo. Me promete que será feliz?" - Rodrigo falava com muita calma, embora enxugasse frenéticamente suas lágrimas mais doloridas.

Ela respondeu ríspida: "Eu não vou ser feliz. Acredite!" e, imediadamente Rodrigo tentava acomodar esta péssima notícia com " ... vai sim! A vida vai te dar muitas oportunidades maravilhosas!".

Ela dizia que não haveria nada que lhe traria felicidade pois, aquele quem ela amava não conseguira entender seus motivos. Aquele quem ela amava não o conhecia.

Rodrigo sabia que a conhecia. Que conhecia cada detalhezinho do seu menor defeito. Rodrigo sabia exatamente como ela se comportava e sentia bem próximo dele o quanto ela o amava. É recíproco.

Então ela disse em tom de derrota que "...para ficar sem você não preciso mais viver...". Não era chantagem, não era desespero. A voz dela estava certa de que aquela seria a melhor solução para por fim nesse sofrimento que tinha atingido um tamanho imensurável.

E lá foi Rodrigo de novo lançado morro abaixo sem a menor piedade. Se alguma coisa acontecesse com ela Rodrigo jamais se perdoaria. Estava arrependido por não ter escolhido as palavras certas. Ele a amava e a idéia de que ela podia não estar mais ao seu alcance o deixou extremamente transtornado.

Ela virou as costas e saiu correndo em desalento. Rodrigo ficou parado por alguns instantes, que pareceram eternidade, tentando assimilar e acomodar tudo aquilo que ela disse. Quando percebeu ela estava longe demais. Ele ainda assim saiu correndo em disparada chamando por ela. Ela não ouvia mais pelos chamados de Rodrigo e ele ficou desconsolado.

Voltou para sua casa. O quarto, a cama, o travesseiro, estava tudo diferente. Tudo cinza. Pegou o telefone e ligou tantas e tantas vezes que já não lembrava mais outro número que não fosse o número dela.

Não adormeceu. Pode-se dizer que ele atormentou-se a noite toda, sentindo-se responsável por todo aquele mal-estar.

Era o fim como ele prevera. Embora esperasse, detestava reconhecer que era o fim.

No dia seguinte Rodrigo recebe um telegrama e com a voz um pouco rouca soltou reproduzindo as palavras mais simples e mais belas " Eu te amo muito. Não vou te deixar. Precisamos terminar aquela conversa. Não vou fazer nada demais. Fique com Deus. "


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Sob o Negativo - o fim

segunda-feira, 24 de março de 2008

[Leia o primeiro capítulo aqui ]

Rodrigo acordou e virou o travesseiro de lado. Estava úmido e aquilo o lembrava a péssima noite que teve. Chorou calado. Olhava para os lados e no quarto escuro somente se via livros empilhados e roupas jogadas. As roupas só dele, de mais ninguém.

... naquela noite ...

Pensava que poderiam haver mais roupas ali. As dela. Mas não haviam, e as lágrimas rolavam para o travesseiro. Ele lembrava de tudo o que já disseram sobre ela. Lembrava de tudo que ela já havia dito para ele. Ela estava sumida mais uma vez, e ele amargurando uma justificativa qualquer que não havia sido dada.
... Abriu os olhos e levantou ...
O Sol estava baixo mas já era hora de aprontar-se para mais um dia. Não permitiu que uma só lágrima saísse diante do sol. Ficou com todas para si.

Seguiu sua rotina e, foi até o oráculo. Não existiu uma só palavra que o oráculo dissesse que ele mesmo não havia dito para si. Estava tudo mais claro, embora doloroso.

... Cinqüenta minutos e ...
A escolha era dele. Só ele poderia mudar o rumo de seu nó. Deixou que as lágrimas saíssem, uma a uma, dançando sobre seu rosto. Não passou a mão, não enxugou, deixou que elas todas se esvaíssem e carregassem toda aquela dor.

Toda a dor não foi possível, mas o desassossego acalmou-se assim como a bagagem acomoda-se ao primeiro tranco do carro. Rodrigo surpreendeu-se com suas reações. Ele sempre soube o que precisava ser feito, mas nunca fizera. Mas, desta vez, saiu do oráculo decidido.

... Papel e caneta à disposição ...

Rodrigo fez aquilo que sempre soube fazer: escrever para ela.
Talvez a carta mais longa que já escrevera em toda vida. Relembrou mínimos detalhes. Tentou colher os detalhes que mais tocariam. Ela já havia dito que era dos detalhes que ela gostava.
Relembrou de quando era um moleque errante. De bar em bar, boca em boca e ela apareceu lhe mostrando tudo que havia de mais belo em seu coração.
Ela tirou o dragão que protegia aquela fortaleza. Abriu uma porta e muitas janelas, para que a luz do amor entrasse e iluminasse Rodrigo que sempre pareceu muito bem resolvido.
"Eu resisti tanto.." - Rodrigo balbuciava enquanto delineava as letras e derrubava mais e mais lágrimas.
Relembrou os momentos fatídicos. Mais lágrimas. Afinal, não eram os bons momentos que o motivava escrever esta carta. Ela havia sumido novamente e sem motivos, justificativas. O impasse não era o sumiço, e sim o novamente.
... A carta já tomava dimensão de quatro folhas, todas borradas ...
Ele escrevia sereno e tentava deixar isso transparecer nas palavras que escolhia. Embora estivesse muito chateado, Rodrigo pensava muito em tratá-la bem.
Ele poderia ter sumido também e pronto. Mas preferiu ser com ela, como ele desejava que ela fosse com ele. Comportamento admirável vindo de alguém que no ínicio fora muito sacana.
Rodrigo estava mudado. Dizem que um homem amadurece quando sofre por amor. Se essa for a verdade, Rodrigo amadureceu.
... Depois de três horas seguidas, a carta estava sendo dobrada e envelopada ...
Antes de lacrar o envelope e endereçar, Rodrigo leu mais uma vez. E mais uma vez.
Desdobrou-as e decidiu acrescentar:
Um beijo imenso do homem que, era um moleque que, gostava muito e, hoje te ama.
... Sentiu escorrer a lágrima mais amarga de todas ...
Ele sabia que aquele seria o fim. O verdadeiro fim de muitos. Exitou um pouco antes de colocar na caixa de correio. " E se tiver um outro jeito? Se tiver acontecido algo? " - lá estava Rodrigo falando baixo consigo.
"Não! Coloque a carta logo e vá embora!" - falou mais alto como quem precisava convencer a si mesmo de que estava fazendo a coisa certa.
Foi o que fez. Colocou a carta, respirou fundo e, dessa vez, enxugou as lágrimas com uma das mãos. Foi embora. Olhou para trás mais umas duas vezes, mas continuou em frente.
... fim ...

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Sob o negativo

segunda-feira, 17 de março de 2008

-Mas que ninguém me ouça! - pensou Rodrigo ao perceber que balbuciava julgamentos.

As pessoas ao redor lançavam alguns olhares de estranhamento, e Rodrigo continuava falando alguma coisa em baixo tom para si mesmo.

Estava calmo aparentemente. Ardia em angústia e ansiedades. Se pudesse havia feito tudo diferente. É que ele já passou por isso algumas vezes e sabia como ela se comportava, mas o amor que ele sentia, o fazia esquecer de todos os erros e percalços e tentar mais uma vez.

Ela parecia tão mudada, tão disposta, corajosa. Ele estava mais sensato e com isso a relação estava, de certa forma, diferente. Ele queria e sempre quis tentar, insistia ferozmente em sua habilidade de vencer os obstáculos. Ela também, porém o mínimo obstáculo a paralisava. Ele pensava "não é culpa dela", e ela pensava "é culpa minha".

Ambos sentiam que algo perfurante e maravilhoso os tocavam profundamente. Não haveria outra explicação para insistir em tamanhos desencontros. Ou melhor, haveriam outras milhares de explicações se não estas. Mas era esta aí, que principalmente Rodrigo, queria.

Ele queria amar profundamente, declarar-se, entregar-se, fugir se fosse necessário. Ela queria fazê-lo feliz, acima de tudo. Ela tinha muitas coisas para resolver e ele muitas soluções para colocar em prática.

O temor caminhava de mãos dadas ao sentimento belo que sentiam. Tudo é muito perigoso mesmo! Mas o maior perigo era se entregar e isso eles já tinham feito. Que mais podia acontecer? Tudo já tinha acontecido! Encontros e desencontros quase hollywoodianos. Eram muitas cicatrizes. Físicas e emocionais. Era muito tempo, cronológico e sensorial. Porque ainda não era um mar de rosas? Isso era a grande dúvida de Rodrigo.

Ele sempre soubera que nunca seria um mar de rosas. Relacionamentos não são um mar de rosas mas, certeza ele tinha que, não seria um mar de espinhos. Ela era linda, isso ela era. Doce, amável, sensível, muito sensível e medrosa. Se tinha algo que lhe faltava era a coragem. De fato ela perderia algumas coisas ao sair atrás de Rodrigo, porém ganharia outras que nunca conseguiu mensurar.

Ela sumiu de novo. Deixou Rodrigo com um gosto inacabado pela (ultrapassada) décima vez. E ele resmungava: " Eu amo tanto essa mulher!"

[Rodrigo é um nome que será dado ao meu futuro filho (que um dia será concebido) - por enquanto é só fictício]

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