"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Dois trechos do dia de hoje.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Denominando...


A gente dá nomes. Precisamos deles, dos nomes. A gente precisa falar que foi alguém. Mesmo que esse alguém seja a gente. E no final, parando bem para olhar para os nomes, tudo não passa de uma sensação de que o esforço em mudar não foi suficiente. Não por enquanto. Pode vir a ser um dia, e eu acredito que será. É por isso que eu mudo e tento mudar a todo tempo. Mas quando a vida se repete, vem aquela sensação de pouca sorte eterna. Quando o reforço positivo não chega, dá aquele gostinho de fracasso. Não que de fato seja, mas contingentemente é assim que é. Depois, mais pra frente, quando a gente volta a fita e reavalia, até consegue angariar alguns bons reforçadores... E daí a sensação de pouca sorte eterna vai se diluindo. O que pode ser talvez só sensação, porém por hoje é toda sensação. Por hoje é tudo que eu consegui sentir. 


"ô pexão!"

Eu poderia ser um peixe. Certamente seria colorido mas, bem... eu poderia ser um peixe. E sabe-se que alguns peixes crescem proporcionalmente ao espaço físico que lhes é proporcionado. Um peixinho num aquário, sempre vai ser um peixinho. E eu, eu devo ser um peixe do mar... porque sinto meu aquário apertado demais. 

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Descompassando trechos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

As vezes mais rápido, ligeiro. Tantas outras mais lenta. Acelero em linha reta, me seguro firmo ao meio-fio. Desvio da sua marca e fico presa na minha. A música não pede um DJ, mas tem alguém que a faz pular aos meus ouvidos. Baterias embalam meu sono e um violão me faz despertar. Logo eu que pouco abro os olhos quando há sons. E tudo que mais faço é escrever, e continuo em atraso. Tudo e nada me inspira. Sabe a rotina? Inspira, expira. Respira... respiro a vida seguindo como tinha que seguir. Sem grandes cabeças, sem pequenas dores. Sem. E tem um cheiro velho de sentimento antigo. Sou presenteada com odor de naftalina. E talvez por isso, me pergunto onde fica a graça. Defensora de um mundo melhor, tenho asco de reciclagem. Não reciclo mais amores, não reciclo mais amigos. Apenas sacos plásticos, papéis e vidros, pois reconheço seus cestos coloridos. Costuro um trecho, "Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’. E estou contente outra vez . Você passou, ele passou, e tantas outras coisas passaram. Passaram e eu respirando cheiro de chuva e de novos ares. Bastante pensativa, e lembro que alguém um dia disse que fazer análise dilui inspiração. Deve ser verdade. Fico fora do compasso ao redor dessas pessoas. Fico um pouco sem lugar. Os assuntos e motivos passam longe dos seus sensores. Distante daqui, próxima de lá. Lá... e agora tenho outra audiência...

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Contos Musicais

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Marco Antônio, um querido amigo que fiz nestes poucos anos de blogsfera, me convidou esta semana para escrever no blog Contos Musicais. Eu fico muito feliz e sinto-me lisongeada, porque o Marco tem um gosto super refinado, tanto para música quanto para contos. Comecei a conhecê-lo pelos contos, e hoje em dia brinco que ele é meu #personalmusicstylist, porque não tem uma conversa que não envolva música. 

Achei a proposta do blog Contos Musicais muito interessante e não negaria um convide tão maneiro. 

"Partimos do princípio de que por trás de uma grande canção, quase sempre há uma grande história. Aqui tentamos isso: criar fatos e personagens inspirados nos versos e melodia das músicas que nos marcaram." 

Essa é a descrição do Contos Musicais. Melhor impossível. 
Quero compartilhar com vocês este novo espaço! Fiquem a vontade para comentarem e divulgarem! 




POR TRÁS DE UMA GRANDE CANÇÃO, UMA GRANDE HISTÓRIA

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Gravidade viciada

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Triste fim para mim. Escrever e apagar, escrever e apagar. Que tipo de texto sobrevive a isso? Quem autoriza uma postagem sem eira nem beira? Quantas palavras eu preciso descartar para achar que algo fica apresentável? Estou evitando falar o que penso. E eu penso muito.


Pensamentos viciados! Tudo que penso volta para a mesma raiz. Tudo que escrevo volta para o mesmo ponto inicial. Tudo chega no mesmo cerne. Não consigo fugir das palavras que falam de esperar. Mal consigo disfarçar meu sorriso de canto! Como será possível fugir de uma escrita de suspiros?

Corre os sons, as cores, os números e eu continuo com a mesma tecla pressionada. Atualizo, vez ou outra, o quanto observo os outros. E observá-los só me aproxima do mesmo ponto. Ímã maldito dos pensamentos. Gravidade indiscutível que não permite flutuações em qualquer ambiente...

Pensamentos viciados! Letras em comum. Termos técnicos, frases curtas, referências. O dia-a-dia que não se abre mão. O dia-a-dia... Como trocar o dia-a-dia por um sonho enigmático? 


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Coloque seu pé gelado no meu.

segunda-feira, 29 de março de 2010





Me olhe assim desse jeito que me olhou hoje. Me diga sempre estas frases que hoje você me disse. Eu sempre busquei esse olhar. Busquei em outras pessoas por muitas vezes, mas o que eu sempre quis era o teu.

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Apenas mais um.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ele era apenas mais um garoto. Um garoto que corria na escola, que brincava na rua, que mesmo xingando obedecia sua mãe. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.


Mas ele passou a frequentar a praça em outro horário. Sentava no balanço e ficava por ali, quanto mais imóvel pudesse, olhando os pássaros voltarem para seus ninhos. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Ele voltava para casa cada dia mais tarde. Não ouvia mais sua mãe e batia a porta com força, quando sua irmã lhe dirigia a palavra. Ouvia suas músicas, lia seus gibis. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ela era apenas mais uma moça. Uma moça que ria com as amigas, que trocava figurinhas, que tinha medo de insetos. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Mas ela passou a sair mais cedo de casa. Sentava no seu banco preferido por entre as flores, abria seu caderno e escrevia. Sorria e chorava, tanto fazia o dia, não importava o tempo. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Ela se maquiava cada dia mais. Comprou um novo par de sapatos, cantarolava pela rua, cumprimentava velhinhas. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça.

Ele, olhava com sede. Ela, olhava de canto. Ele, queria. Ela, assentia. Ele, tremia. Ela, acolhia. Ele, sonhava. Ela, sorria. Ele, tocava. Ela, permitia. Ele, ruborizava. Ela, ganhava. Ele, suspirava. Ela, também. Olhando assim, como quem não quer nada, eles eram apenas mais um garoto e uma moça. Olhando assim, como quem não quer nada, eram apenas o mais novo casal.

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Bolas verdes

segunda-feira, 15 de março de 2010

E dentre todas aquelas cores, ela sentia falta das bolas verdes. Não pelas bolas, mas por serem verdes. Já não sabia há quanto tempo não tinha uma bola verde nas mãos.

Azuis, vermelhas e amarelas eram tão comuns. Tão fáceis de se encontrar, tão fáceis de jogar... E de repente ela sentia mesmo falta de bolas verdes em sua vida.

Dia desses ficou hipnotizada numa vitrine. Viu, do lado de cá do vidro, duas bolas potencialmente verdes. Não dá para saber direito a cor, porque a luminosidade de vitrines tem das suas artimanhas. Tudo para expor seu produto...

Mas as vitrines estavam fechadas. As possíveis bolas verdes estavam distantes. Jurou que voltaria lá qualquer dia, para entrar e ver a bola de perto. Chegou, inclusive, a anotar o telefone do estabelecimento para maiores informações.

O tempo passa, os dias correm e ela ainda sente falta das bolas verdes.

Bolas verdes eram tão essenciais para ela que, vez ou outra, estava a se divertir com uma azul e outra amarela...

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A garota do baile

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu me cansei dessa rotina. Os mesmos lugares, as mesmas pessoas, as mesma conversas e brigas e fofocas. Tantas alegrias passam despercebidas com a mesmice!

E sentir falta de algo que eu tinha diariamente! Aquela vivacidade, o ritmo, a leveza....

O prazer de ser inesperado, de ser surpreendida todo tempo. E aquela sensação de que um dia, tudo aquilo que te fez invisível, estava prestes ao desmoronamento enquanto deslumbrante desfilaria sob o olhar alheio.

Então você apenas se prepara e se transforma no dia de sempre. Rotineiramente você volta a se esconder e ser escondida.

Mas que chance existe em sair da rotina? Como se faz? Vontade? A pura vontade te salva dessse 1,2,3 sacana? E quando você cai na real que as chances de ser a garota do baile já passaram?

Que vontade de renovar tudo....

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Esperando ou esquecendo...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Então existia uma rotina. Trabalho, estudos, amigos, baladas, internet, música... Tinha aquele futuro amor que ia aparecer qualquer dia. Existia um universo que funcionava bem. E nele Thereza sorria sempre, estava equilibrada e - seja lá o que você entende por felicidade - ela se sentia feliz.

Então ele apareceu meio de repente, um tanto de surpresa e as idéias dela fizeram um looping. "Tudo bem, eu te perdoo. Minhas idéias já faziam loopings antes." - pensava Thereza.

Acontece que sem ela querer (e certamente, sem ele querer) ele mexeu com a estrutura dela, sabe. Não acredito que ela o ame ou que o quer mais que tudo nessa vida. Não mesmo!! É que (putaquepariu!!), para Thereza tudo estava funcionando bem até aquele lá surgir das cinzas ou sei lá de onde ele estava.

Então, ele reaparece e sua presença a joga em um turbilhão de sentimentos que sequer consigue decifrar!! Eu não admitiria isso! Ele a lançou para um passado e, de forma insana, Thereza reviveu situações que já não experenciava há anos.

Gostaria de pedir para ele ir embora, mas se arrependeria no minuto seguinte. Pensou que poderia ela ir embora, mas sabe que se arrependeria o segundo seguinte.

Sua opção foi ficar somente esperando - ou esquecendo - enquanto o tempo se encarregava de fazê-la passar por isso. Pois, dessa vez (in)felizmente, ela não teria nada o que fazer...

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A virada..

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As pessoas ao seu redor se ocupavam em rir, conversar, embebedar-se. Havia mães e crianças. Havia jovens namorados. Havia casados, avós, famílias inteiras, grupos de amigos. E havia Thereza.


Dias de festa e ela adorava. Estava entusiasmada e brincalhona...Thereza é divertida, é o que dizem. Enquanto tantos se movimentavam, dando continuidade aos encantos da festa, Thereza se retirou por uns minutos. Sentou-se na areia, olhou para os céus.


Pensava resmungando: "Agradeço. Sei que quando a madrugada se aproxima e eu me acomodo à direita da minha cama, levemente encolhida, eu peço. Sei que peço muito, mas acima de qualquer pedido: agradeço.


Agradeço por estar hoje onde estou, por ter conquistado o que já conquistei. Agradeço por ter superado meus maus momentos. Agradeço pelos amigos que estiveram sempre por perto: mesmo não sabendo das minhas dores. Agradeço pela minha família: fundamentais


Agradeço por olhar ao redor e perceber que estou refeita. Fico agradecida por nunca parar de sorrir e por sempre tentar desenvolver meu bom humor. Eu peço por boas novas, mas ainda assim agradeço pela minha saúde.


Agradeço por ter aproximado tais pessoas de mim, por me oferecer uma forma menos dolorida de me recuperar das quedas. Agradeço pela permissão em me reconhecer humana. "


Chorou, sem dúvida. Levantou-se limpando a areia da calça com a palma das mãos, bem a tempo de gritar junto com a multidão.


"dez, nove, oito, [...], quatro, três, dois e um!! Feliz Ano Novo..."


E ver no céu, marcas coloridas do anúncio de um novo ano....

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Aquele bilhete

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Parecia uma festa e ela estava de longo. Vestido azul claro estampado com tons de verde, de um tecido levissímo que esvoaçava. Cabelos soltos e uma sandália baixa na cor areia.



Thereza estava linda, sorridente e encontrava com muitas pessoas sem rosto. Ela nunca tinha vivenciado isso, mas nesta festa era o que mais acontecia: cumprimentava pessoas sem rosto.



Ao longe, avistou um rosto. Não foi o único rosto que ela vira nesta noite, mas fatalmente era o único do qual ela se lembraria no dia seguinte. Sorriu em contribuição ao sorriso dele. Aproximou-se e ela o conhecia. Sorriu mais uma vez, expressando o alívio e a felicidade de encontrá-lo por ali. Mais um acaso? Talvez não...



Abraçaram-se. Ele arriscou algo mais íntimo e Thereza recuou. Não porque não tivesse interesse, mas sim porque tinha interesses demais! Conversaram e sentados se acomodaram sobre uma rede que descansava ao verde da grama. Riam. E aquela era a cena mais gostosa que eu já vira, desde que comecei a observar Thereza. Ela estava feliz.



Ele, sentindo-se mais a vontade debruça sua nuca sobre as pernas de Thereza e brincando com as mãos dela, lança o início do cafune. Eles riam, se olhavam. E de longe, eu tentava cada vez mais me aproximar...



Seus olhos refletiam um ao outro. Espelhavam seus sorrisos. Aumentavam a medida que se aproximavam.... Beijaram-se. Thereza se perdeu neste instante. Ele tinha um papelzinho nas mãos, porém ela adormeceu antes do tempo.



Logo cedo, Thereza encontra um bilhete. Nele dizia: "Você não pode viver onde me encontra. São apenas sonhos".



Ela esfregou os olhos e levantou da cama.

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Narrando o acaso

sábado, 24 de outubro de 2009

Parte I - O dia que nos encontramos.



Foi puro acaso. Não poderia ser diferente comigo. As coisas acontecem assim, de repente e pronto. Normalmente eu agarro as oportunidades, mesmo sabendo que vez ou outra é vital descartá-las.



Enfim, no dia em que nos encontramos por puro acaso acho que você não me notou de pronto. Diferentemente de mim, que te notei a distância. Não tinha nada a ver com olhos, corpos ou bocas, embora hoje seu sorriso me inebrie. Acho que tinha mesmo a ver com a sua presença de vida. Seu jeito de não conversar direito com a pessoa sentada ao seu lado, apenas respondendo aos apelos de atenção vindos dela. Rindo meio sozinho, despreocupado com o compromisso da sala ao lado. Eu te notei porque você era diferente daquilo que eu sempre via naquele corredor. Você era a novidade e mesmo que tantos outros também fossem, você ainda assim era digno de ser notável.



E foi neste dia do encontro por acaso, que dei um jeito para que você me notasse. Me aproximei em passos descompromissados, aproveitando da minha espera para observar mais atentamente detalhes de um conjunto interessante. Perguntei meio ao nada sobre as próximas notícias. Aproveitei de um assunto que se acomodou diretamente na minha percepção.



Boas novas! Você estava onde eu estive. Onde tive tanto orgulho de estar. Compartilhei. Então você me notou. Acho que foi neste momento que você me notou.




Parte II - O dia em que pensei em você.


Eu não esperava que fosse acontecer. Eu tinha apenas te notado. Poderia ter se diluído alí. Curiosamente alguma coisa coagulou e chegou o dia em que eu pensei em você.



Lembrei que tinha te encontrado por acaso e que tinha te notado. Fiquei buscando evidências para garantir-me que você também tinha me notado. Eu realmente gostaria que isso tivesse acontecido.




Parte III - O dia em que nos deixamos passar.



Nós chegamos juntos - que eu eu vi. Sou observadora e isso me traz muitos benefícios. Aproveitei do jogo e fiz que não reparei, de modo que segurar a expressão de contentamento ficava cada vez mais intolerável.



O primeiro cruzar de olhos foi simples e sem muita euforia. Desta vez foi você quem se aproximou. Não me vanglorio disto, pois eu fiquei estratégicamente posicionada. Você teria que passar por ali. Você teria que cruzar olhares comigo. E eu, claro, faria de tudo, expressaria com todo o meu corpo a necessidade de um cumprimento seu.


E foi assim. Três cumprimentos. Como se fossem a primeira vez. Cada retomada sua para o meu local estratégico, um novo cumprimento.



Então passamos do "Oi, tudo bem" duas vezes. Foram no total cinco encontros sem acaso. Numa delas você me disse algo sobre meu local estratégico. Noutra eu te disse sobre o seu local. Eu me ocupei de te observar e desenhar palavras com meu corpo por meio dos sons. Você eu não sei do que se ocupou, mas confesse: tentou decifrar minhas palavras uma porção de vezes.



Os sons terminaram. Minhas palavras cessaram e você já não estava mais onde ficou desde o nosso segundo acaso. - Chegamos juntos -



E foi assim que nos deixamos passar.





Parte IV - O dia em que eu evitaria te encontrar.



Seria o próximo depois dos sonos, se o acaso não fosse o nosso parceiro. E, novamente por ele, lá estávamos nós: frente a frente, sem cálculos, sem planos, sem estratégias. Por puro acaso, neste dia você foi meu primeiro encontro. Então me desviei, não porque preferisse te evitar totalmente, foi um plano para conseguir te encontrar de frente.


E de frente ficamos. Piscadelas, nosso sinal preferido. Foi assim aquele outro dia. Aproximei daquilo que tira o folego e pude sentir a aspereza deliciosa do seu rosto. Notei meu atraso e sai. Olhei para traz te buscando com soslaio e você continuava lá, e já não sei se por acaso, mas também me procurava por cima dos ombros.



Parte V - O dia em que confessei.


Confessei para mim mesma que estava adorando o acaso participar da minha vida. Isso aconteceu naquele dia em que o calor não permitia que cérebros funcionassem corretamente e eu estava dentro do carro esperando sem pressa que o semáforo trocasse o vermelho 'intenso-calor-pare' para o verde 'alívio-pode-passar'.


E enquanto tocava uma música internacional qualquer, com uma melodia gostosa e com uma letra indescifrável, eu sorri. Sorri sozinha. O que não deveria me espantar, visto que eu sempre me deparo sorrindo sozinha, como agora. Mas naquele calor que nos priva de pensar, com uma música que sequer sei do que fala, sorrir sozinha quando ameaço reviver a aspereza do seu rosto....


Aí, eu confessei: acho, meu bem... que não quero apenas as providências do acaso.

Parte VI - Continua...

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Não é de todo mal

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mulheres e suas roupas. Quem nunca presenciou ou viveu a pura 'certeza' que mesmo com o armário lotado, não tinha roupas para usar? Mulheres são assim. E como uma mulher que se preze, Thereza também é.

Abre seu amário e roupas pulam porta afora. Por dois motivos em especial: pela bagunça e pela quantidade.

Thereza tinha uma roupa em especial. Uma peça linda. Ela tinha usado muito há numa época atrás. Aquele modelo lhe caía bem demais. Caía: passado. Fazia um tempo que aquela peça já não fazia parte do seu vestuário rotineiro. Nunca mais usou.

Vez em quando, na falta de outras que também ficavam boa, Thereza tirava a peça do armário e lamuriava suas mudanças corporais. Era culpa toda dela, aquela roupa não fazer mais parte da sua vida. Logo aquela roupa, a que ela jurava de pés juntos, ser a mais especial.

Como se sabe, Thereza não é de ficar muito tempo no mesmo parágrafo e logo tratava de guardar a peça novamente na bagunça do seu armário.
Virava e mexia, pegava a peça. "Minha roupa mais especial. Nunca outra me caiu tão bem... Burra fui eu de ter perdido." - choramingava Thereza.


Guardava com esperanças de um dia tê-la de volta em seu corpo. Cobrindo-lhe a pele, arrancado elogios por onde passar.

Dia desses, sentiu-se completamente nua. Como mágica, todas as suas roupas haviam sumido diante de seus olhos. Menos aquela. Thereza tinha certeza que aquela era a única peça que sobreviveria a todos os tempos.

Tomou coragem para experimentar. Serviu e curiosamente, Thereza não se sentia bem. Acabou de perceber que tal peça não tinha mais o seu estilo. Ela havia mudado e a peça tinha continuado exatamente a mesma. Fechou os olhos e deixou dançar pelo rosto gotas preciosas.

Despiu-se. Doou a peça. Vai encontrar outras que lhe cairão bem. E em todo caso, estar nua não era de todo mal.

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O meu espaço.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E por falta de espaço, ocuparia todos os espaços. Deixava tudo fora do lugar. Em cada canto um pedacinho seu. Perdia coisas no caminho. Enchia-se de ar. Estufava.


Falava alto, gritava, gargalhava: fazia o som ocupar todo o espaço. Aumentava seus contos, supervalorizava seus planos. Se fez grande e enquanto ocupava, esvaziava-se.


Até o momento que percebeu que seu espaço não seria medido por coisas no caminho, nem sequer pelo tamanho de seus braços.


Então ela deixou a lupa de lado. Decidiu se desfazer daquilo que transformava tudo em espaçoso.


E tudo isso foi no mesmo dia em que soube que nada ocupa todos os espaços. Havia ficado sem lugar novamente, até que percebeu um raio de luz escapando pela frestinha da janela.


Passou a brilhar.

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Lá onde?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Ela se perde em pensamentos, se afoga em letras e desbrava seu próprio mundo em busca de algo para sentir. Não adianta, Thereza é assim.



Thereza diz que sonhar é só sonhar, mas acorda cheia de vontades. Sempre há lacunas, ninguém dúvida disso. Acontece que ela não admite tantas lacunas e sai em disparada atrás de nomes.



Péssimo hábito de preferir as respostas às perguntas - embora saiba que são as perguntas que movimentam o mundo. Sabe porque são as perguntas que movimentam? Porque respostas nunca são o suficiente.



Ela não disse tudo. Logo ela, que tanto odeia lacunas, deixa várias pelo seu caminho. Ela não disse tudo. Aquilo que falta dizer fica no meio-fio. Quase despencando de sua língua, mergulhando em uma bacia de nada. Thereza sabe que aquilo que antes nao fora dito, jamais será. O tempo acabou.



Mudaram o game. E ela até gosta. Thereza está assim, contente, tranquila e um pouco lá. Lá no futuro, onde não se alcança. Lá no passado, onde não se chega mais.

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Perfeito infinito, apenas.

domingo, 2 de agosto de 2009

O seu erro são os mesmos lugares. Talvez ela fique olhando para um lugar só. Ou não. Difícil saber, difícil se entregar. A denúncia de si é uma lâmina afiada que pode rasgar valores ou cortar-lhe a face.

O seu erro, muitas vezes foi o melhor dos acertos. Não dá para saber ao certo o que ela procura. Simplesmente porque nada dela, dá para saber ao certo.

Pura inconstância - ela mesmo diz. De tempos em tempos se entrega ao profundo vazio que sente não se sabe onde. Apenas sente.

Abre os horizontes e se fecha em seu perfeito infinito.

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Mais um ponto.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Tinha duvidas sobre seu paradeiro. Dominava meus sonhos naquela madrugada. Eu dormia com o celular ao lado e seu despertador nunca me fez chegar atrasado. O celular tocou e pensei que era hora de levantar, procurava ansiosamente pelo botão de terminava aquele som. Foi quando meus olhos ainda com sono, leram- ou adivinharam- o nome dela. Atendi com uma mistura de raiva e curiosidade por ser acordado tal hora. Que horas eram?

Ouvi sua voz sussurrando do outro lado da linha. Eu já tive aquele mesmo sonho outras vezes. Um tormento! Mês seguido de mês. Sabia que tinha que por um ponto final nesta história. Eu nao iria aguentar mais.

Vir comigo? Eu preciso de você.... Pegar as nove. Clara. Sempre a Clara. Aquela que nunca se importa com a minha opinião. E ela sabia que eu estaria lá. E eu sabia que tinha estar lá.

MAs já faz quanto tempo? Meses? Anos? Ela confiava em mim e sabia que em breve decidiria vê-la. Não suportaria mais tanta angustia. Tormento mental!

Coitada de Clara, naquela manhã, eu que era sempre pontual, me atrasei.
Talvez perdido em pensamentos. Olhos fundos.Noite mal dormida. Buzina. Peguei minhas chaves, dei uma última e rápida olhada no espelho. O celular também. O sol estava forte e seu cabelo vermelho brilhava.

Doía meus olhos o seu olhar perdido. O brilho do sol sumia diante daqueles olhos claros de uma beleza triste. Surpresa. Sorriso forçado. Sumi. Forçado.

Dialogos com o silêncio. É logo ali. Tranquilidade que me lembra morte. Clara na frente. Eu observando a paisagem. Ansiedade. Ela parou e esbarramos. Não havia notado sua pausa. Ela segura a minha mão com firmeza como quem pede por socorro. E ela seguiu em frente. Um túmulo branco. Flores amarelas. Lágrimas! Muitas lágrimas!

Perdida em sua dor, me encontrei nos seus ombros. A mão no seu ombro. Na sepultura uma data: nascimento. Um amor nasceu e foi enterrado vivo.

A brincadeira nasceu com a Fernanda, Passou pela Aline, pelo Antonio, pela Dani , por mim e agora é a vez do Nasca continuar.

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Cap. I

sábado, 11 de julho de 2009

- É o momento da sua decisão, Lia.

Ela o olhava fixamente e entendia o que ele dizia. Ela já não fazia mais aquela cara de quem não sabia do que se tratava. Ela pensava. Olhava fixamente para ele, entendia, sem caras e pensava. Sabia que precisava tomar uma decisão.



Bom, comecemos do princípio. Quando conheci Lia ela era apenas uma criança. Tinha uns 8 anos. Não, ela tinha 7. Sete e pouco. Lembro do seu aniversário de oito anos. O primeiro aniversário de tantos que parabenizei Lia. Uma semana antes de fazer oito anos, Lia e eu já éramos um pouco próximas. Não por Lia, desde aquela época ela já tinha essa coisa de não se aproximar. Eu é quem já me sentia próxima, sem saber que a proximidade verdadeira se daria depois de um bom tempo. Entenda: depois de um bom e longo tempo.


Retomando... quando conheci Lia ela tinha sete anos e poucos meses. Eu tinha cinco. Cinco anos recém comemorados. Quando fiz cinco anos não ganhei tantos presentes. Não se davam tantos presentes como hoje. Quando fiz cinco anos ganhei um caderno. Um caderno de capa vermelha cor de sangue. Ele tinha as primeiras páginas usadas. Números. Passei um longo período acreditando que aqueles números não tinham significado, passei um longo período acreditando que era apenas alguma marcação errada que fizera o belo caderno vermelho ser descartado e transformado em presente para mim. Mais tarde, dez anos mais tarde, eu saberia o que significavam.


Tudo tem algum significado. Aprendi isso com o tempo. Existem muitas coisas importantes na vida, e duas delas são os significados e o tempo.


Então eu conheci Lia. Papai, mamãe, eu e o bebê paramos em frente a uma porta bem grande de madeira. Não sei nomes de madeira, mas sei que ela cheirava a madeira nova. Papai chamou por Shelmon. Achei aquele nome engraçado: Shelmon. Papai continuava a chamar. Então um barulho. Chinelos talvez, eu nunca soube. Tio Shelmon era tão alto e tão sorridente que não me lembrei de olhar para seus pés. Isso, tio Shelmon é o pai de Lia. E do Pedro também. Tio Shelmon abriu a porta sorrindo, abraçou papai e mamãe, mexeu com minhas bochechas, fez barulhos engraçados para o bebê e nos convidou para entrar. A casa do tio Shelmon e tia Judith tinha cheiro de biscoitos. Judith era esposa do tio Shelmon e era mãe da Lia e do Pedro. Ela não gostava que ninguém a chamasse de tia, mas não era rude. Dizia isso com graça, principalmente para as crianças. "Titia não, anjo doce. Isso me dá mais idade do que tenho" e nos lançava a mão algum doce. Isso é outra coisa que só entendi mais tarde: como Judith sempre tinha doces a mão?


A sala da casa do tio Shelmon era grande mas não se impressione, tudo é relativamente grande para uma criança de cinco anos. E Lia estava lá. Sentada bem no centro, sob um tapete indiano, brincando com a sua boneca. E ela tinha uma fita no cabelo. Lembro-me disso porque eu tinha uma fita igual. Acho que mamãe e Judith já tinham feito compras juntas antes que eu conhecesse Lia. Papai sentou-se a mesa com mamãe, tio Shelmon e Judith, que tinha pegado o bebê no colo assim que me deu um pirulito, por não tê-la chamado de tia. A princípio eu não a tinha chamado. Nem de tia, nem de nada, mas mesmo assim ela me alertou. Acho que não entendi muito bem naquele dia. Isso não é coisa que se entende assim, rápido, quando se tem cinco anos. Ganhei o pirulito: lucro!


Lia nem olhou para mim. Quero dizer, ela olhou com o cantinho do olho e eu retribui com um sorriso. Ela não respondeu, continuou brincando com sua boneca. Não liguei, fui lá sentar ao lado dela. Já disse, Lia não era de se aproximar, enquanto eu...Bom, sobre mim, vocês saberão bastante.


Sentei ao lado dela, sorri. Ela fez cara que não entendeu onde eu queria chegar. Lia era assim, fazia caras, falava pouco. Judith gritou da mesa para Lia. "Brinca com ela Lia, mostra sua boneca". O bebê acordou. Chorava. Urrava.

Incomodava, mas eu já estava acostumada. Lia não. Ela é a mais nova. Em casa, quem chorava e urrava era o Julinho, o bebê - Júlio, na verdade - Na casa do tio Shelmon quem chorava era Lia.


E enquanto ela olhava para o Julinho agarrei a boneca do colo de Lia. Então chorava Julinho e ela. Segurei forte a boneca, não soltava. Ela puxava pelas pernas e eu mantinha a firmeza de meus bracinhos de cinco anos na cabeça. Ela chorava. Julinho chorava. Judith pedia para Lia parar. Mamãe já estava com Julinho no colo. Eu segurava firme a cabeça. Certo: corpo para um lado, cabeça nas minhas mãos. Foi assim que conheci Lia. Ela me destestou.


Mais uma divisão: eu em um canto do sofá, Lia noutro.

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O saco

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Era uma vez um saco. Um saco de papéis. Papéis dobrados em 2 partes. Escritos por dentro.

Cada papel tinha uma palavra. E essas palavras tinham grandes significados. Nem sempre literal, nem sempre metafórico. A única maneira de saber que palavras eram estas, era tirando uma a uma do saco e abrindo. É possível que todas juntas formassem alguma coisa. Frases, poesias, leis, regras, declarações...

O saco já fora aberto algumas vezes e podíamos ver papéis voando ao horizonte. Como uma chuva de palavras, alguns se deixavam tocar por elas, outros se protegiam. Alguns olhavam de longe, outros levavam para si.

Depois que as palavras saem do saco, elas não tem mais dono algum. E por isso, certa vez, um sábio arrumou uma corda mágica para fechar o saco. O sábio dizia que era apenas uma maneira de cuidar para que o saco não se esvaziasse e voasse com o soprar dos ventos. Dessa maneira, se perdendo sem dono feito seus papéis.

A corda mágica não podia ser percebida a olho nu. E ficava difícil entender porque não voavam mais palavras de lá. Talvez seja possível notar que alguns papéis ainda estejam no ar. E tentar fazer deles um conjunto seria uma obra de arte.

Mas talvez não seja a hora certa de saber que palavras são estas. O saco continua fechado.

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Noite oca

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Acordou assustada com a eminência da queda. Era um sonho. Thereza riu de si mesma e pôs-se de lado na cama, tentando buscar o restante do sono que ainda lhe cabia na noite. Olhando para a parede branca, desenhava com os olhos seus próximos compromissos. Uma lista infinita.


Cantou para dentro. Ela tinha essa mania de cantarolar "hum-hum-hum's". Seus pensamentos vooam distantes quando ela se entrega ao canto para dentro. E, embora exausta da rotina que a cada dia ela escolhe, Thereza não conseguia aprofundar-se em sono.


Respirava fundo, como quem pede o ar e soltava lentamente, como um suspiro satisfeito. Pensamentos já altos, ela tentava entender os motivos pelos quais ela se esforçava tanto para algumas coisas e nada para outras. Não achava justo chorar por se sentir incompleta, seria injusto. Ela estava num momento de ouro. "Ouro oco!"- pensou Thereza.


Abraçou o travesseiro, encolheu as pernas e como um feto ajeitou-se debaixo das cobertas. Apertou os olhos forçando o sono a chegar e chorou. Suas lágrimas sairam como o suco de uma fruta ao ser espremida. E Thereza sabe que, quando o suco de lágrimas sai, o oco de si é sentido como uma ferida.

"Falta algo. Falta algo e eu não sei onde encontrar. Não sei onde..." - ...e Thereza dormiu.

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