"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Apenas mais um.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ele era apenas mais um garoto. Um garoto que corria na escola, que brincava na rua, que mesmo xingando obedecia sua mãe. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.


Mas ele passou a frequentar a praça em outro horário. Sentava no balanço e ficava por ali, quanto mais imóvel pudesse, olhando os pássaros voltarem para seus ninhos. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Ele voltava para casa cada dia mais tarde. Não ouvia mais sua mãe e batia a porta com força, quando sua irmã lhe dirigia a palavra. Ouvia suas músicas, lia seus gibis. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ela era apenas mais uma moça. Uma moça que ria com as amigas, que trocava figurinhas, que tinha medo de insetos. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Mas ela passou a sair mais cedo de casa. Sentava no seu banco preferido por entre as flores, abria seu caderno e escrevia. Sorria e chorava, tanto fazia o dia, não importava o tempo. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Ela se maquiava cada dia mais. Comprou um novo par de sapatos, cantarolava pela rua, cumprimentava velhinhas. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça.

Ele, olhava com sede. Ela, olhava de canto. Ele, queria. Ela, assentia. Ele, tremia. Ela, acolhia. Ele, sonhava. Ela, sorria. Ele, tocava. Ela, permitia. Ele, ruborizava. Ela, ganhava. Ele, suspirava. Ela, também. Olhando assim, como quem não quer nada, eles eram apenas mais um garoto e uma moça. Olhando assim, como quem não quer nada, eram apenas o mais novo casal.

3 pessoas quiseram falar também!:

Matheus 20 março, 2010  

Adoooooro textos assim...FATO!

Casais nascem assim, de simples ações sozinhas de casa ser....

Eolo, Senhor dos Ventos... 20 março, 2010  

São nos pequenos detalhes que se reconhece o amor.
Ele já estava lá, só não havia desabrochado pro mundo.

Lindo texto, é por poder ler você novamente.

Beijo

Maldito 22 março, 2010  

Alguem comeu alguem no final?

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