"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Mamão com açúcar

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Se a vida fosse um filminho meia-boca, desses mamão com açúcar, todas aquelas coincidências nos teriam levado ao altar, ou perto dele. E então um de nós fugiria na porta da cerimônia porque as coincidências nunca são suficiente para ambos. Eu não acredito muito nelas, muito menos em filmes meia-boca. Sei que você também não acredita tanto... mas admite que elas existem mais do que eu. 

Mas, se a vida fosse um filminho meia-boca, existiria uma trilha sonora agora e alguém se emocionaria com estas palavras. Também teríamos um narrador e as pessoas continuariam a se emocionar. E se fosse então a vida um filme, eu sorriria despretenciosamente com os amigos após os créditos. Porque nos filmes, a felicidade chega ao final. 

Entretanto, eu tenho confiança que felicidade acontece em apenas um intervalo: entre o nascer e o morrer. E sem achar graça alguma de filminhos meia-boca, completo que prefiro bocas inteiras. 

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Descompassando trechos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

As vezes mais rápido, ligeiro. Tantas outras mais lenta. Acelero em linha reta, me seguro firmo ao meio-fio. Desvio da sua marca e fico presa na minha. A música não pede um DJ, mas tem alguém que a faz pular aos meus ouvidos. Baterias embalam meu sono e um violão me faz despertar. Logo eu que pouco abro os olhos quando há sons. E tudo que mais faço é escrever, e continuo em atraso. Tudo e nada me inspira. Sabe a rotina? Inspira, expira. Respira... respiro a vida seguindo como tinha que seguir. Sem grandes cabeças, sem pequenas dores. Sem. E tem um cheiro velho de sentimento antigo. Sou presenteada com odor de naftalina. E talvez por isso, me pergunto onde fica a graça. Defensora de um mundo melhor, tenho asco de reciclagem. Não reciclo mais amores, não reciclo mais amigos. Apenas sacos plásticos, papéis e vidros, pois reconheço seus cestos coloridos. Costuro um trecho, "Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’. E estou contente outra vez . Você passou, ele passou, e tantas outras coisas passaram. Passaram e eu respirando cheiro de chuva e de novos ares. Bastante pensativa, e lembro que alguém um dia disse que fazer análise dilui inspiração. Deve ser verdade. Fico fora do compasso ao redor dessas pessoas. Fico um pouco sem lugar. Os assuntos e motivos passam longe dos seus sensores. Distante daqui, próxima de lá. Lá... e agora tenho outra audiência...

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Sessão 1.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

É.... hum.... Como foi minha semana? Ah....

- Assim começa a sequência de posts que levará o nome "Minhas sessões comigo mesma. Partes permitidas" -

Alguém precisa falar. Legal! Não consigo falar. Fico aqui nas ladainhas incompreensíveis. Nhém nhém nhém. O blog perdeu minha cara? Que nada... Posso mudá-lo a cada mudança minha. E é isso: preciso falar. Falarei! 


Essa semana a coisa vai ficar feia. Tenho muito para colocar em dia. O mestrado consome meu cérebro mais do que eu esperava. Mas o pior disso tudo é que ele consome meu cérebro e não consigo transformar isso em substância. Fico presa e não sei porque. Eu tenho tudo na cabeça, todos os passos, as boas palavras... Eu já li tanto e é impressionante eu não conseguir desenvolver. Cruel, eu diria. 

Torturante, até! Mas sigo diariamente na árdua tarefa em dissertar. Me sinto a mais atrasada dos últimos tempos. Noto que todos os meus colegas caminham e eu fico passos atrás acenando com um falso sorriso no rosto. "São apenas impressões!!" - tento me reconfortar. 

E para qualquer um que me queixo, escuto mais o eco das minhas próprias palavras. E precedente ao ponto final, a frase "você dará conta...". Grandes merdas!!!!! E me desculpem a expressão, mas dará quando? Cadê esse futuro que nunca chega? 

Tudo que chega são prazos. Prazos. Prazos. Prazos. 

Talvez eu me queixe demais. Talvez eu seja sim, uma queixosa incorrigível. Talvez seja apenas uma sensação minha, derivado do meu péssimo hábito em ser altamente exigente. E não me estranha em nada, sonhos como o que tive hoje. Pessoas vaiando minhas explanações, comidas recheadas de animais vivos e plantas carnívoras, elevadores sem proteção lateral, subindo e descendo em alta velocidade. 

Em tempo, mesmo com toda essa loucura recebi um convite bastante feliz. Retomo nos próximos dias para compartilhar com vocês as boas novas. Nos encontraremos na próxima sessão.

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Em semana de dia das mães...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu: Acho que devemos todos conversar. Sentar e ouvir o que cada um tem a dizer.

Ele: acho válido o que você quer fazer, mas desculpa o pessimismo: o orgulho é grande demais para admitir alguma coisa.

Eu: Eu sei. Mas acho que consigo segurar as pontas. Quero marcar aqui, no meu território.

Ele: Acho muito difícil algo se resolver

Eu: Não acho que sairá uma solução, mas pode começar a resolver.

Ele: Se fosse algo entre eu e você, acho que podíamos resolver assim.

Eu: Também dou minhas mancadas. Acho que é uma forma de feedback.

Ele: Combinado. Mas desculpa ser pessimista, mas as coisas deveriam partir deles.

Eu: Eu sei que deveriam! Mas você me conhece, pareço uma mãe colocando os filhos de 'castigo'. rsrs

Ele: Talvez esse seja um dos seus maiores erros.

Eu: Talvez seja...

Ele:Você sempre passa a mão na cabeça. De dois em específico.

Eu: Eu passo a mão na cabeça de todos. É que alguns me dão menos trabalho!

Ele: hahahahahahahahahaha.

Quando se tem amigos desde os 3 anos de idade. Quando eles são todos meninos. Quando me tornei apaziguadora oficial. Quando eu sou a primeira que dou puxões de orelha. Quando eu 'sempre' defendo os meus meninos

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Com quem ficou as possibilidades?

domingo, 2 de maio de 2010

Será possível voltar?? Pergunta boba: sei que não! E mesmo que fosse possível, quase acredito que eu jamais voltaria. Não troco minha bagagem por nenhuma necessarie. Mas... alguém me explica porque todas as palavras ficaram assim, tão sem graça?! É possível nunca mais ser poeta? 




É possível que meus dedos fiquem presos apenas em uma escrita tecniscista? Observo tanto. As coisas mudaram tanto quando eu vou escrever... Nem a letra é a mesma. E quando a minha caneta dança no papel, ela fica tão desconjuntada. Talvez lhe falte um par. Talvez [...]

Fica impossível não lembrar de momentos. E pior do que lembrar desses momentos é não conseguir sequer uma expressão afetuosa. Não conseguir expressar uma gota de raiva ou um ligeiro pensamento lacrimoso. Agora, me pergunto, como pude, depois de tanto mal, deixá-lo sair ileso dos meus pensamentos? 

Essa semana pensei três vezes sobre isso. Queria que soubessem que mal nenhum corrompeu meu bom humor e minha tolerância. Talvez fosse uma bela vingança anunciar meu status. Mas, quem se importa??

Apenas minha poesia. E de todos os males que o culpo é por ter levado a minha poesia. Quando virou as costas e foi embora levou consigo minha poesia e minha inocência. Fiquei com a prosa, com a razão e com a maldita da desconfiança.

Obrigada!

[Este texto foi rascunhado no meu caderno na última sexta-feira, enquanto eu aguardava meu ônibus de volta para casa, no terminal Tietê]

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Quase não quero ser lida...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Estou com um grito meio entalado, com uma frase nunca feita. Estou cheia de guardados que não consigo expurgar! Eu não tenho motivos. Não existe um alguém, não existe uma situação, não existe...absolutamente nada que, aparentemente, justifique.

Não existem palavras que eu consiga usar. E eu fico me preocupando com elas. Odeio me preocupar muito com o que eu preciso dizer e eu tenho feito isso o tempo todo. E quase não quero ser lida...

(Não tem Read more. Acabou! É isso aí. O texto tem 2 parágrafos. Ele termina nessas linhas mesmo. Decepcionei? Rotina.) 

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Todos os dias

domingo, 11 de abril de 2010

Você nem gostava de mim. Eu sei que você me xingava vez ou outra e tal. E também, eu era uma chata. Mandona e briguenta e cheia de achar que tudo tinha que ser do meu jeito. E você não gostava de mim.



Até no dia que eu quase morri indo de bicicleta pra sua casa... Nesse dia você ainda não gostava de mim. E se eu gostava de você? Ah... não era minha preferência, vamos combinar... Mas acho que eu já gostava sim. E sabe, ainda bem que o tempo passou, e a gente foi percebendo que nossas brigas eram sempre por sermos parecidos demais. 

Você também era mandão e cheio de achar que tudo tinha que ser do seu jeito. As vezes você ainda quer que seja do seu jeito. As vezes eu também quero que seja tudo do meu jeito. Normalmente é assim que termina: tudo do meu jeito! Ah, eu não posso fazer nada quando eu sou a única mocinha super influente entre meus meninos. 

E a gente força a risada, a gente inventa música, paródias e a gente briga sempre! E tem dias que eu não suporto você. E todo mês tem dias que você não me suporta. Ou é o único que suporta... (ainda estou pensando sobre isso)

Então conforme o tempo foi passando, a gente foi aprendendo a tolerar os defeitos um do outro. E então vieram todos aqueles segredos e todas aquelas muitas lágrimas. E então a nossa amizade só cresceu e se fortaleceu. E as pessoas confundiam as coisas, rsrs. Então veio o bônus. Então veio a música. Então a amizade perdura há mais de 20 anos. Então ficamos juntos todos os dias. Eu, você e eles.  Todos os dias. 

Então você passava para me buscar no trabalho. Então eu te levava na academia. Então você coça minhas costas quando eu volto da balada com sono. Então eu fiquei uns meses sem grana e tu me aliviava. Então você ficou sem, e a gente começou a tirar uns trocos fazendo a nossa brincadeira predileta: cantar. E teve um dia que você não foi pra balada porque a grana tava curta. E teve um dia que eu não fui e você voltou contando mil e uma coisas legais. "Faltou você com a gente...". E teve um dia que eu disse que um dia a maré ia mudar. Eu sabia que ela ia mudar. Eu sempre soube...

Então você leu "O Segredo", mesmo eu dizendo que era uma tremenda bobagem. Então você gostava de ver minha cara de 'eca' quando você dizia que o tal d'O Segredo' ia funcionar um dia. Então você vem cheio de frases feitas e clichês, só porque eu não gosto, e só porque elas me fazem rir no fim das contas. Então você enxerga meus melhores defeitos e minhas piores qualidades. Então, quando tudo era só mais uma rotina a maré muda. 

E eu vou, com toda certeza, sentir muita saudades de todos os dias. 

Para você, meu amigo...(meu grande amigo)
                                    com muito carinho! Mary

Ps* Boa sorte e muito sucesso na nova maré! Estou muito orgulhosa de você! E você volta, eu sei... É que eu sou assim mesmo, cheia de palavrinhas... É que eu não podia deixar passar em branco...

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É uma cilada?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O quanto você tem evitado se envolver? Não me venha com desculpinhas sobre sofrer e chorar, amor e dor. Blá, blá, blá fajuto! Pensemos: existe alguém como você no mundo? Não, né! Então, porque pensar que todos os outros são iguais? 


Porque sempre tudo acaba igual? Você chorando pelos cantos, frustrado, abandonado e carente? Bate aquela sensação de que você fez tudo e mais um pouco pelo outro e o outro nem se importou quando foi embora... 

É eu sei. Eu juro que sei... E sabe do que mais? Também tenho minhas evitações. Todos temos, acredito eu. Então eu fico reticente, com todos os pés atrás que posso ter. Daí, de repente - ou não tão de repente assim - confrontando todas as minhas generalizações, meus amigos compartilham inúmeros casos de evitação comigo...

Acesso meu reservatório de 'conselhinhos-entre-amigos' e, entre um coçar de costas e um abraço afagado no final, eu questiono os motivos de cada um por se manterem distantes ou receosos com novas relações. "E se der tudo errado...", "E se acontecer tudo igual de novo..." 

E se... e se... E se a gente começasse a pensar que, de repente, somos nós mesmos quem repetimos os nossos comportamentos... 

Será que todos os homens são iguais? Será que todas as mulheres agem de forma semelhante? Ou será que é cada um de nós que nos mantemos os mesmos, agindo de maneira equivalente e, infelizmente, depositando no outro expectativas muito pessoais? 

Sabe, as vezes vale a pena se questionar: "Se tudo que eu sempre quis, nunca ninguém conseguiu me dar...talvez isso precise vir de mim mesmo!"

As vezes ficamos presos demais em conceitos sobre os outros. Separamos as pessoas por rótulos.... E facilmente se escuta a expressão: "é tudo farinha do mesmo saco". Então apontamos para o outro algo que, definitivamente, creio muito que seja apenas nosso.

E se eu continuo evitando? Talvez sim....muito provavelmente que sim! Afinal, é tudo fruto de uma experiência de vida, história de reforçamento e coisa-e-tal. Só que, de agora em diante, escolho fazer diferente. E tentarei ficar com um pé a frente e outro atrás. De qualquer forma, é nessa posição que tomamos mais impulso para correr de uma cilada! 



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Gravidade viciada

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Triste fim para mim. Escrever e apagar, escrever e apagar. Que tipo de texto sobrevive a isso? Quem autoriza uma postagem sem eira nem beira? Quantas palavras eu preciso descartar para achar que algo fica apresentável? Estou evitando falar o que penso. E eu penso muito.


Pensamentos viciados! Tudo que penso volta para a mesma raiz. Tudo que escrevo volta para o mesmo ponto inicial. Tudo chega no mesmo cerne. Não consigo fugir das palavras que falam de esperar. Mal consigo disfarçar meu sorriso de canto! Como será possível fugir de uma escrita de suspiros?

Corre os sons, as cores, os números e eu continuo com a mesma tecla pressionada. Atualizo, vez ou outra, o quanto observo os outros. E observá-los só me aproxima do mesmo ponto. Ímã maldito dos pensamentos. Gravidade indiscutível que não permite flutuações em qualquer ambiente...

Pensamentos viciados! Letras em comum. Termos técnicos, frases curtas, referências. O dia-a-dia que não se abre mão. O dia-a-dia... Como trocar o dia-a-dia por um sonho enigmático? 


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Qual é a parte da sua estrada, no meu caminho?*

segunda-feira, 29 de março de 2010

Quanto tempo tu ficará por aqui? As vezes parece que você vai embora em minutos... E isso me dá um certo desconforto. Mesmo que eu compreenda racionalmente que talvez sua ida seja inevitável. E eu aposto comigo mesma sobre quanto tempo durará sua estadia em meus pensamentos.
Um mês? Dois? Ficaria para sempre? Sempre é tempo demais, não é mesmo? Mas e se quisessemos....E se tivessemos programações para todos os dias até para sempre? Impossível......

Qual é a parte da sua estrada, no meu caminho?* O que será que você veio acrescentar para mim neste momento? De qual tempestade veio me salvar?


Será que vai doer o dia que você partir? É tão perigoso pensar sobre isso, quando já se aprendeu que tudo, no começo, é nada! E sendo nada, que dor traria?

Será ainda o começo?


*trecho da música "Quase nada amor - Zeca Baleiro"



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Coisa chata, gente!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Fazia um tempão que não visitava meus blogs queridos. Motivos? Inúmeros...


Mas esses dias andei visitando. Li uma porção de posts, inclusive alguns antigos, afinal tem blogs que eu gosto muito e passo horas lendo e até relendo. Comentei em poucos, é verdade. Não se importem com isso, ok? Eu não ando tendo muito o que acrescentar...

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Apenas mais um.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ele era apenas mais um garoto. Um garoto que corria na escola, que brincava na rua, que mesmo xingando obedecia sua mãe. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.


Mas ele passou a frequentar a praça em outro horário. Sentava no balanço e ficava por ali, quanto mais imóvel pudesse, olhando os pássaros voltarem para seus ninhos. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Ele voltava para casa cada dia mais tarde. Não ouvia mais sua mãe e batia a porta com força, quando sua irmã lhe dirigia a palavra. Ouvia suas músicas, lia seus gibis. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ele era apenas mais um garoto entre tantos.

Olhando assim, como quem não quer nada, meio de esgueio, um pouco distante, ela era apenas mais uma moça. Uma moça que ria com as amigas, que trocava figurinhas, que tinha medo de insetos. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Mas ela passou a sair mais cedo de casa. Sentava no seu banco preferido por entre as flores, abria seu caderno e escrevia. Sorria e chorava, tanto fazia o dia, não importava o tempo. Mas mesmo assim, olhando como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça entre tantas.

Ela se maquiava cada dia mais. Comprou um novo par de sapatos, cantarolava pela rua, cumprimentava velhinhas. Nada demais. Olhando assim, como quem não quer nada, ela era apenas mais uma moça.

Ele, olhava com sede. Ela, olhava de canto. Ele, queria. Ela, assentia. Ele, tremia. Ela, acolhia. Ele, sonhava. Ela, sorria. Ele, tocava. Ela, permitia. Ele, ruborizava. Ela, ganhava. Ele, suspirava. Ela, também. Olhando assim, como quem não quer nada, eles eram apenas mais um garoto e uma moça. Olhando assim, como quem não quer nada, eram apenas o mais novo casal.

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Bolas verdes

segunda-feira, 15 de março de 2010

E dentre todas aquelas cores, ela sentia falta das bolas verdes. Não pelas bolas, mas por serem verdes. Já não sabia há quanto tempo não tinha uma bola verde nas mãos.

Azuis, vermelhas e amarelas eram tão comuns. Tão fáceis de se encontrar, tão fáceis de jogar... E de repente ela sentia mesmo falta de bolas verdes em sua vida.

Dia desses ficou hipnotizada numa vitrine. Viu, do lado de cá do vidro, duas bolas potencialmente verdes. Não dá para saber direito a cor, porque a luminosidade de vitrines tem das suas artimanhas. Tudo para expor seu produto...

Mas as vitrines estavam fechadas. As possíveis bolas verdes estavam distantes. Jurou que voltaria lá qualquer dia, para entrar e ver a bola de perto. Chegou, inclusive, a anotar o telefone do estabelecimento para maiores informações.

O tempo passa, os dias correm e ela ainda sente falta das bolas verdes.

Bolas verdes eram tão essenciais para ela que, vez ou outra, estava a se divertir com uma azul e outra amarela...

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Pra onde vai?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pedras. Brilhos. Marcas.


Onde se guarda a dor? Onde ficam as marcas? Para onde vai a dor que passa?


Mas e esse sorriso no rosto? - alguém questionaria.
Fico mais bonita assim... - responderia com delicadeza.


Pra onde vai a dor que passa? E - pior de tudo - onde fica a dor que dói? Como dizer que ainda sonha? Como acordar depois desse sonho?

Onde se sente o orgulho? Que lugar você guarda a vaidade? Que jeito para não acionar a arrogância e prepotência?


Mas e tudo aquilo que você sabe? - alguém perguntaria.
O que sei, nem é 'tudo' assim... - responderia com humildade.


Como a gente explica o 'brilho'? Porque as lágrimas não decoram?

Sentimentos são acessórios ou peças de fábrica? - alguém insinuaria.
... [silêncio] - responderia alimentando a insinuação.

Pra onde vai a dor que passa? Pra onde vai?

**Escute: O que se perde quando os olhos piscam. Teatro Mágico AQUI



"O dia que você souber o que você sente, você saberá o que fazer" - foi assim que minha última sessão de terapia terminou.

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Impossibilidades

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fica impossível não sentir. Eu tenho essa coisa de prestar atenção nos detalhes e falar sobre eles parece mentira...


E me pergunto se as pessoas, de modo geral, não notam os detalhes ou deixam de falar deles, por parecerem mentiras... Everybody lies.


Talvez detalhes sejam pura percepção. Talvez a percepção seja pura mentira, todinha modelada para servir ao nosso próprio prazer.


Fica impossível fazer-de-conta. Eu tenho essa coisa de ser sempre muito transparente, expressiva e ser assim parece mentira...


Eu questiono se as pessoas, de modo geral, fazem-de-conta por vontade ou por hábito. Everybody lies.


Talvez fazer-de-conta seja o maior comportamento adaptativo da espécie humana. Aquela tal chamada sobrevivência. Fazer-de-conta te garante a presa, te camufla do predador, te ajuda com parasitas.... Te mantém vivo. (A)li(v)es

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Eis a questão?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ser e estar só é a mesma coisa no inglês. Mas isso não importa agora...

Sei que apesar de todos os meus discursos eu sou uma pessoa muito crente. Eu creio nas pessoas, na bondade delas e por mais que não pareça: eu creio no amor.

E apesar de ser 'independente', amadurecida e mais uma porção de predicados invejáveis, eu ainda espero por alguém especial. Eu ainda fico pensando que alguém vai aparecer e me fazer brilhar os olhos. Sou uma romântica camuflada (ou assumida?).

Eu tenho uns medinhos bobos, mas gosto de parecer bem resolvida. E sabe, revelar-se parece tão complicado quando é a mais simples das soluções. Fico pensando se revelar-se é uma forma de se tornar mais coerente... Talvez seja. Revelar para si é diferente de se expor.

Expor é explosivo. Destruidor. Quanto menos eu era, mais eu me expunha. Vaidade mal-cuidada, penso eu.

Apesar de levar a vida de forma leve, eu frequentemente me preocupo com o que os outros pensam de mim. E mesmo que eu me diga e desdiga mil e uma vezes que o que os outros pensam de mim, para eles será o que eu sou, independentemente do que eu faça.

Divagar sobre o ser e o estar talvez nem leve a nada ou pior, me leve para onde poucos chegam. E isso assusta! Porque como viverá alguém, que gosta de estar no meio de tantos, se sempre fica num onde, onde poucos chegam...

E parece que chego a conclusões...E parece que os meus limites ultrapassam os seus. E parece que eu prolongo os meus limites. E parece que você, fica distante demais de mim.... quando, de certa forma eu sou e você apenas está.

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Nada viva, não tão morta.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Eu achei que nunca ia passar. Juro! Pensei que aquele aperto, dor e instabilidade jamais iria cessar. Então eu morreria poéticamente de amores. Não morri. Foi minha poesia quem parece ter morrido.


Quando as luzes do salão se acenderam, o Carnaval terminou. Minha fantasia estava gasta e meus olhos profundos e negros denunciavam que eu havia perdido muitas energias. Eu achei que naquele dia eu morreria. Morreria por terem acendido a luz, por ter perdido a minha fantasia. Eu tinha aquela certeza chata que minha lágrimas até poderiam não mais escorrer, porém cristalizariam e afiadas me fariam sangrar até os últimos dias da minha vida. Neste dia atestei meu óbito. E minha poesia adoeceu na quarta de cinzas.


Doente e sem bons prognósticos. Minha poesia, meu combustível - a falta dele -me levaria a falência. Não morri como pensei, já disse. Perdi a confiança no amor. Desacredito enquanto espero. Assim como minha poesia respira com ajuda de aparelhos. Nada viva, não tão morta.

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Narrando o acaso

sábado, 24 de outubro de 2009

Parte I - O dia que nos encontramos.



Foi puro acaso. Não poderia ser diferente comigo. As coisas acontecem assim, de repente e pronto. Normalmente eu agarro as oportunidades, mesmo sabendo que vez ou outra é vital descartá-las.



Enfim, no dia em que nos encontramos por puro acaso acho que você não me notou de pronto. Diferentemente de mim, que te notei a distância. Não tinha nada a ver com olhos, corpos ou bocas, embora hoje seu sorriso me inebrie. Acho que tinha mesmo a ver com a sua presença de vida. Seu jeito de não conversar direito com a pessoa sentada ao seu lado, apenas respondendo aos apelos de atenção vindos dela. Rindo meio sozinho, despreocupado com o compromisso da sala ao lado. Eu te notei porque você era diferente daquilo que eu sempre via naquele corredor. Você era a novidade e mesmo que tantos outros também fossem, você ainda assim era digno de ser notável.



E foi neste dia do encontro por acaso, que dei um jeito para que você me notasse. Me aproximei em passos descompromissados, aproveitando da minha espera para observar mais atentamente detalhes de um conjunto interessante. Perguntei meio ao nada sobre as próximas notícias. Aproveitei de um assunto que se acomodou diretamente na minha percepção.



Boas novas! Você estava onde eu estive. Onde tive tanto orgulho de estar. Compartilhei. Então você me notou. Acho que foi neste momento que você me notou.




Parte II - O dia em que pensei em você.


Eu não esperava que fosse acontecer. Eu tinha apenas te notado. Poderia ter se diluído alí. Curiosamente alguma coisa coagulou e chegou o dia em que eu pensei em você.



Lembrei que tinha te encontrado por acaso e que tinha te notado. Fiquei buscando evidências para garantir-me que você também tinha me notado. Eu realmente gostaria que isso tivesse acontecido.




Parte III - O dia em que nos deixamos passar.



Nós chegamos juntos - que eu eu vi. Sou observadora e isso me traz muitos benefícios. Aproveitei do jogo e fiz que não reparei, de modo que segurar a expressão de contentamento ficava cada vez mais intolerável.



O primeiro cruzar de olhos foi simples e sem muita euforia. Desta vez foi você quem se aproximou. Não me vanglorio disto, pois eu fiquei estratégicamente posicionada. Você teria que passar por ali. Você teria que cruzar olhares comigo. E eu, claro, faria de tudo, expressaria com todo o meu corpo a necessidade de um cumprimento seu.


E foi assim. Três cumprimentos. Como se fossem a primeira vez. Cada retomada sua para o meu local estratégico, um novo cumprimento.



Então passamos do "Oi, tudo bem" duas vezes. Foram no total cinco encontros sem acaso. Numa delas você me disse algo sobre meu local estratégico. Noutra eu te disse sobre o seu local. Eu me ocupei de te observar e desenhar palavras com meu corpo por meio dos sons. Você eu não sei do que se ocupou, mas confesse: tentou decifrar minhas palavras uma porção de vezes.



Os sons terminaram. Minhas palavras cessaram e você já não estava mais onde ficou desde o nosso segundo acaso. - Chegamos juntos -



E foi assim que nos deixamos passar.





Parte IV - O dia em que eu evitaria te encontrar.



Seria o próximo depois dos sonos, se o acaso não fosse o nosso parceiro. E, novamente por ele, lá estávamos nós: frente a frente, sem cálculos, sem planos, sem estratégias. Por puro acaso, neste dia você foi meu primeiro encontro. Então me desviei, não porque preferisse te evitar totalmente, foi um plano para conseguir te encontrar de frente.


E de frente ficamos. Piscadelas, nosso sinal preferido. Foi assim aquele outro dia. Aproximei daquilo que tira o folego e pude sentir a aspereza deliciosa do seu rosto. Notei meu atraso e sai. Olhei para traz te buscando com soslaio e você continuava lá, e já não sei se por acaso, mas também me procurava por cima dos ombros.



Parte V - O dia em que confessei.


Confessei para mim mesma que estava adorando o acaso participar da minha vida. Isso aconteceu naquele dia em que o calor não permitia que cérebros funcionassem corretamente e eu estava dentro do carro esperando sem pressa que o semáforo trocasse o vermelho 'intenso-calor-pare' para o verde 'alívio-pode-passar'.


E enquanto tocava uma música internacional qualquer, com uma melodia gostosa e com uma letra indescifrável, eu sorri. Sorri sozinha. O que não deveria me espantar, visto que eu sempre me deparo sorrindo sozinha, como agora. Mas naquele calor que nos priva de pensar, com uma música que sequer sei do que fala, sorrir sozinha quando ameaço reviver a aspereza do seu rosto....


Aí, eu confessei: acho, meu bem... que não quero apenas as providências do acaso.

Parte VI - Continua...

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Considerações

domingo, 18 de outubro de 2009

Então a gente passa por um turbilhão de coisas. A gente chega ao ápice e cai. Levanta-se, mas ainda tem marcas da queda. E não é tão fácil sair do turbilhão sem ficar zonza.

De certa forma a gente se agarra em qualquer pedaço de coisa que pareça fixa e tenta se equilibrar da tonteira inexplicável. Daí a tontura passa, a gente olha para o que passou e se sente forte por sobreviver.

Parece loucura quando voltamos o álbum e aquelas fotos tão coloridas e vívidas já perderam o brilho e sequer é possível discernir o contorno do nosso rosto. Impressão digital da mais barata.

O curioso é que depois de ter se agarrado em coisas fixas, a gente nota que nada é tão fixo assim e que a única maneira que te fez equilibrar foi seus próprios pés no chão.

Em pensar que houve um dia em que desejei ser alguém sem passado. Admito que não seja orgulhoso apresentá-lo sempre, mas reconheço sua função. De certa forma, ser alguém com passado é o que preconizaria ser alguém com um grande futuro.

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No meio

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um dia me perguntaram se eu escrevo no blog só quando eu estou triste. Respondi que não, que eu escrevia em outras oportunidades também. Como essa por exemplo, onde eu não estou triste mas também não estou feliz.


O meio termo. O morno. Aquilo que tantas e tantas vezes enchi a boca para dizer odiar. Odeio o meio termo!! Mentira! Eu gosto. Talvez eu odiasse por pura inveja de nunca ter estado em equilíbrio. O meio termo é bom. É a dose certa entre razão e mania. A medida, sabe?


Do meu meio termo, consigo olhar para os dois lados e posso mudar algum deles. Reconheço aquilo que me falta e agradeço aquilo que tenho. O meio termo é bom. É a receita com o pulo do gato.


Ontem eu estava em mania. Exageramente acima das minhas possibilidades. Com o jardim todo em minhas mãos. Estava ótimo. Até o momento em que três flores secaram ao mesmo tempo. Três seguidas não são nada quando já se viu mais de dez flores morrerem num dia só. Então recuei, voltei para o meio termo. Senti a perda, não gostei. Em todo caso, tento e peço novas flores para o jardim.


Elas podem demorar a vir, eu sei. Talvez porque eu ainda não saiba exatamente como plantá-las ou como mantê-las vivas. Talvez minhas flores não sobrevivam por excesso de água. Ou pode ter sido aquele dia em que não reguei por pura preguiça. Por enquanto elas tem morrido cedo, mas daqui do meio termo, fica bem mais fácil de afofar a terra.

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