"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Narrando o acaso

sábado, 24 de outubro de 2009

Parte I - O dia que nos encontramos.



Foi puro acaso. Não poderia ser diferente comigo. As coisas acontecem assim, de repente e pronto. Normalmente eu agarro as oportunidades, mesmo sabendo que vez ou outra é vital descartá-las.



Enfim, no dia em que nos encontramos por puro acaso acho que você não me notou de pronto. Diferentemente de mim, que te notei a distância. Não tinha nada a ver com olhos, corpos ou bocas, embora hoje seu sorriso me inebrie. Acho que tinha mesmo a ver com a sua presença de vida. Seu jeito de não conversar direito com a pessoa sentada ao seu lado, apenas respondendo aos apelos de atenção vindos dela. Rindo meio sozinho, despreocupado com o compromisso da sala ao lado. Eu te notei porque você era diferente daquilo que eu sempre via naquele corredor. Você era a novidade e mesmo que tantos outros também fossem, você ainda assim era digno de ser notável.



E foi neste dia do encontro por acaso, que dei um jeito para que você me notasse. Me aproximei em passos descompromissados, aproveitando da minha espera para observar mais atentamente detalhes de um conjunto interessante. Perguntei meio ao nada sobre as próximas notícias. Aproveitei de um assunto que se acomodou diretamente na minha percepção.



Boas novas! Você estava onde eu estive. Onde tive tanto orgulho de estar. Compartilhei. Então você me notou. Acho que foi neste momento que você me notou.




Parte II - O dia em que pensei em você.


Eu não esperava que fosse acontecer. Eu tinha apenas te notado. Poderia ter se diluído alí. Curiosamente alguma coisa coagulou e chegou o dia em que eu pensei em você.



Lembrei que tinha te encontrado por acaso e que tinha te notado. Fiquei buscando evidências para garantir-me que você também tinha me notado. Eu realmente gostaria que isso tivesse acontecido.




Parte III - O dia em que nos deixamos passar.



Nós chegamos juntos - que eu eu vi. Sou observadora e isso me traz muitos benefícios. Aproveitei do jogo e fiz que não reparei, de modo que segurar a expressão de contentamento ficava cada vez mais intolerável.



O primeiro cruzar de olhos foi simples e sem muita euforia. Desta vez foi você quem se aproximou. Não me vanglorio disto, pois eu fiquei estratégicamente posicionada. Você teria que passar por ali. Você teria que cruzar olhares comigo. E eu, claro, faria de tudo, expressaria com todo o meu corpo a necessidade de um cumprimento seu.


E foi assim. Três cumprimentos. Como se fossem a primeira vez. Cada retomada sua para o meu local estratégico, um novo cumprimento.



Então passamos do "Oi, tudo bem" duas vezes. Foram no total cinco encontros sem acaso. Numa delas você me disse algo sobre meu local estratégico. Noutra eu te disse sobre o seu local. Eu me ocupei de te observar e desenhar palavras com meu corpo por meio dos sons. Você eu não sei do que se ocupou, mas confesse: tentou decifrar minhas palavras uma porção de vezes.



Os sons terminaram. Minhas palavras cessaram e você já não estava mais onde ficou desde o nosso segundo acaso. - Chegamos juntos -



E foi assim que nos deixamos passar.





Parte IV - O dia em que eu evitaria te encontrar.



Seria o próximo depois dos sonos, se o acaso não fosse o nosso parceiro. E, novamente por ele, lá estávamos nós: frente a frente, sem cálculos, sem planos, sem estratégias. Por puro acaso, neste dia você foi meu primeiro encontro. Então me desviei, não porque preferisse te evitar totalmente, foi um plano para conseguir te encontrar de frente.


E de frente ficamos. Piscadelas, nosso sinal preferido. Foi assim aquele outro dia. Aproximei daquilo que tira o folego e pude sentir a aspereza deliciosa do seu rosto. Notei meu atraso e sai. Olhei para traz te buscando com soslaio e você continuava lá, e já não sei se por acaso, mas também me procurava por cima dos ombros.



Parte V - O dia em que confessei.


Confessei para mim mesma que estava adorando o acaso participar da minha vida. Isso aconteceu naquele dia em que o calor não permitia que cérebros funcionassem corretamente e eu estava dentro do carro esperando sem pressa que o semáforo trocasse o vermelho 'intenso-calor-pare' para o verde 'alívio-pode-passar'.


E enquanto tocava uma música internacional qualquer, com uma melodia gostosa e com uma letra indescifrável, eu sorri. Sorri sozinha. O que não deveria me espantar, visto que eu sempre me deparo sorrindo sozinha, como agora. Mas naquele calor que nos priva de pensar, com uma música que sequer sei do que fala, sorrir sozinha quando ameaço reviver a aspereza do seu rosto....


Aí, eu confessei: acho, meu bem... que não quero apenas as providências do acaso.

Parte VI - Continua...

10 pessoas quiseram falar também!:

Adriel 29 outubro, 2009  

Lindo! sauvidade as palavras, e todo acaso do sentimento...

Grande abraço! moça!

Geminiana Doce 29 outubro, 2009  

"Aí, eu confessei: acho, meu bem... que não quero apenas as providências do acaso."
QUE LINDO MARI, ROMÂNTICO...
ME SEGUE NO TWITTER @Marquesinhaaa, tô te seguindo lá...Bjos

Anônimo,  01 novembro, 2009  
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Willian Lins 05 novembro, 2009  

Mari, vejo que está escrevendo muito, hein?
Isso é muito bom. Saudade de vir aqui te ler.
(e saudade dos nossos papos 'descontraídos')

um beijo.

Anônimo,  06 novembro, 2009  
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Camila 06 novembro, 2009  

*---* simplesmentee chocante, com muita emoçãao, ameeei

Anônimo,  08 novembro, 2009  
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Anônimo,  13 novembro, 2009  

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Cαmilα ♥ 13 novembro, 2009  

Nossa que lindo! Pude ir visualizando as cenas, todas tão bonitas.
Algumas mais.

Amo o acaso...


Espero a continuação.
Ansiosa.



BeijO

Myrellinha 13 novembro, 2009  

Belo texto, belas palavras. Pude visualizar todas as cenas, mesmo sem saber do que se trata. Afinal, cada um vê a sua maneira.
Parabéns!

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