"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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O doce gostar

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Quando Thereza era mais nova, tinha um doce que ela gostava muito. Só de pensar salivava, de olhar suspirava e ao comer se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

Podia procurar onde fosse, Thereza só gostava do doce daquela vendinha. O doce tinha um gostinho único. Sabia aproveitar cada pedacinho dele e contava para quem quisesse saber o quanto ela amava aquele doce.

De tanto doce, engordou. Olhava-se no espelho e já não se gostava tanto. Ainda amava o doce, mas o odiava profundamente por tê-la engordado tanto. Queixava-se do peso, porém não deixava o doce de lado. Entrou em dieta algumas vezes. Jurava de pé junto que jamais poria novamente uma gota daquele doce na boca.

E ela sempre era pega pelas próprias palavras. Logo podiamos vê-la se deliciando de doce. Comeu muitas vezes escondido. Mentia dizendo que 'doce nunca mais!'. Mas não conseguia deixar de pensar no doce.

Seus sentimentos eram totalmente ambivalentes. Amava o doce, o prazer que lhe proporcionava. Odiava o doce, os quilos que engordara. Amava o gostinho que o doce tinha. Odiava quando não tinha doce todo dia. Amava sorrir quando comia. Odiava sentir-se escrava quando não podia comer.

Tantos sentimentos, tanta luta e um dia, Thereza assumidamente envolvida com o doce, tascou-lhe uma mordida. Amargo!!!!!!!!!!

O doce estava amargo! Não sabia porque, tinha conservado onde era preciso conservar. Desacreditada mordeu mais uma vez. Amargoo!!!!!!!

Esperou o dia seguinte. Talvez fosse alguma coisa que comera durante o dia que fizera mudar o gosto. Dormiu triste pois nunca o doce tinha sido tão amargo. Logo cedo, outra mordida: Amarguíssimo!

Deixou de lado. Vomitou. Jogou fora os papéis que lhe restavam na bolsa e só faziam lhe dar mais vontade de doce. Tirou do armário outras barras que tinha estocada.

"Amargo.... Meu Deus! Nunca pensei que este doce que tanto amo, um dia amargaria tanto a minha boca." - pensava Thereza.

A validade tinha vencido. Já fazia meses que a validade tinha vencido, mas Thereza amava tanto o doce que insistia em fantasiar o seu sabor. A doçura acabou, o doce não existe mais. O amor ficou guardado junto com a doçura antiga.

Agora Thereza vai emagrecer. Até encontrar um outro doce de qual gostar!

9 pessoas quiseram falar também!:

Flavia Melissa 06 novembro, 2008  

Ah, essas Terezas que existem dentro da gente, que não percebem que antes de ficar amargo o doce fica apenas... sem gosto!

Da proxima vez, Tereza vai se deixar guiar pelas mudanças sutis que acontecem antes do doce amargar - a cor do doce muda, o cheiro idem, a textura, então...

E assim não será mais pega de surpresa!

Beijos, amiga...
Força!!!

Nathália 06 novembro, 2008  

Um doce light... Que tal?

Flávia Lago 06 novembro, 2008  

Tenho passado por isso untimamente.
Meu doce veio com prazo de validade...assim como os da Thereza.
Uma pena!
Mas, em contraponto, é bom, porque assim não me vejo mais presa a nenhum vício! Não suporto me ver presa a nada! Amo ser livre!

Muito bom post, se analizado nas entrelinhas...todos têm um doce amargo no armário!

Tiago Júlio 06 novembro, 2008  

Fácil e profundo. Muito boa a metáfora. Gosto da simplicidade dos teus escritos e ao mesmo tempo como eles fazem a gente refletir e repensar coisas assim. Faz mais sentido pra mim agora.

Pode deixar que mantenho contato sim. ;)

meus instantes e momentos 07 novembro, 2008  

Muito bom o texto, muito bom.Vim para conhecer teu blog e gostei daqui.
Tenha um belo final de semana.
maurizio

Su 07 novembro, 2008  

Saudades e sauudades de Thereza!!!

Talvez esse doce não era tão gostoso qnto imaginavas... mas a procura do doce e do amor continuam!!!

Beijos, Marii!!!

Pavón 08 novembro, 2008  

Uauuu...
Existem doces que cultivamos por tanto tempo que o sabor se transfigura de tal forma que nem percebemos, o pior que continuamos comendo mesmo que os fatos e o sabor se monstrem diferentes, queremos aquela ilusão até que um dia temos aquela dor de estomago e vomitamos tudo, nao é?
Que vc encontro um novo doce para saborear, mas nao precisa ser taaaaaoo doce assim né? rss

Beijos

PS. Seu nome é Mariana Nunes? Será que somos primos? hehehe. Se todo nunes fosse primo, poderiamos dorminar o mundo nao é?rss

25 janeiro, 2009  

Eu adoro os doces, mas detesto o gosto amargo do fim...
Mas sem este gostinho de fim, jamais saberíamos deliciar novos doces!

Bjs

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