"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Essência de Thereza

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Thereza passava por uma praça todos os dias. Era caminho de suas atividades. Quando ia de uma para outra, passava pela praça. Era uma praça calma, embora ficasse no centro da cidade. Quase nunca se via alguém em seus bancos. Eventualmente um casal de namorados e um maluquinho que jurava trabalhar olhando os carros ali do quarteirão.

Ela nunca tinha parado ali naquela praça, e ela sempre gostou de praças. Algo relacionado com sua infância, talvez.

Mas esta manhã foi diferente. Ela passava mais calma, com menos coisas nas mãos e, maravilhosamente, com um sapato mais confortável. Então ela fitou aqueles banquinhos de praça, olhou no relógio e tinha mais meia hora para seu primeiro compromisso. Sentou sobre suas pernas, feito um espiritualista que procura a aproximação com Deus via meditação.

Seu olhar ficou perdido por uns minutos que significaram horas. Thereza sentia que estava precisando daquilo. De ficar só entre tantas coisas. Ela desejou pode gritar tão alto quanto suas cordas vocais aquentassem. Desejou poder chorar todas as lágrimas que sua glândulas pudessem produzir. Desejou estar fora do país. Desejou tantas coisas que até sorriu abobalhada de seus pensamentos serem tão pretensiosos.

O telefone tocou e ela despertou do seu mundo repleto de prazeres. Era engano. E diferente da maioria das pessoas, Thereza gostava de enganos. Não sabia exatamente o porque gostava, mas sabia que gostava. Tantas vezes já atendeu o telefone público mas, isso é outra história.

Mais atenta, Thereza passou os dedos entre os cabelos recém lavados, massageou de leve a nuca e levantou-se. Ela ainda tinha uns minutos, mas preferiu levantar e seguir teu dia.

Thereza é uma mulher comum e que muitas vezes passa sem ser notada, sem ser admirada. Aqui ela se faz especial porque é permitido saber o que ela pensa e como se sente. As mulheres são assim, belas em sua essência. O que resta é permitir sentir a essência e depois de permitida, sentir - apenas isso.
Leia outros textos de Thereza em Dias de Thereza

18 pessoas quiseram falar também!:

Flor 13 agosto, 2008  

oiii Mariana...
senti um ar de paz nesse post.
Gostei...
e pensei nas varias maneiras de "olhar" as coisas.
beijo

Euzer Lopes 13 agosto, 2008  

Ou eu estou louco ou vi uma metáfora da praça com a mulher Thereza...
A praça não era notada; Thereza também não.
A praça não era curtida pelas pessoas, apenas usavam-na para seu caminho; Thereza tinha vida, e nem sempre a valorizavam...
Gostei do texto, como gosto de Thereza. E, por isso mesmo, gostei da praça!

Vinícius Aguiar 14 agosto, 2008  

Eu acho que conheço Thereza... certeza, eu a conheço!
beijos!

.a negra. 14 agosto, 2008  

Hiiiiii..acho que tive minha vida thereza.


Bjus

Su 14 agosto, 2008  

Hum... a Thereza voltou, que bom!! rs...

Ficar sentanda na pracinha esperando as horas passarem é tão gostoso. Ver a correria das pessoas, ver as crianças brincando ou mesmo qndo não tem ngm, ver apenas a beleza da grama e dos bancos vazios.
Creio que a essência de Thereza está na sensibilidade dos seus dias!

Beijoos Linda!!

*Raíssa 14 agosto, 2008  

Praças também me são um tanto nostálgicas...

"As mulheres são assim, belas em sua essência. O que resta é permitir sentir a essência e depois de permitida, sentir - apenas isso."
Adorei esse final! É exatamente isso!

Beijos

carla m. 15 agosto, 2008  

Thereza como sempre nos conduzindo pela intimidade de quem nos escondemos...

bom vê-la de volta!

beijocas querida!

Flavia Melissa 15 agosto, 2008  

coisa mais bonita, isso.
acho que ando sentindo falta de meus dias de thereza...
como foi a apresentação do seu TCC?
beijossss

Luifel 15 agosto, 2008  

Mari,

Áproveitar as coisas simples da vida é realmente muito bom e a Thereza foi sábia de parar na praça...quando a gente silencia, os nossos fantasmas interiores realmente falam, e aí realmente muitos tem essas reações da Thereza mesmo, penso que a gente deveria dar um espaço pra esses fantasmas às vezes, se bem que só silenciar já faz muito bem.

Bjs.

vini,  15 agosto, 2008  

Mariana, você escreve muito bem!!!
parabéns!

gostei muito também do post
meu e(in)terno caos

ate porque talvez tenha um pouco de mim nele tb. em alguns aspectos.

beijo.. parabens pelo blog , ta show!

ΨDeiviS_DomΨ 15 agosto, 2008  

Ow Mariana parabéns.. lindo post!

Ótmo blog!!!!!

Beijo (y).

Camilla 16 agosto, 2008  

Estou precisando fazer igual a Thereza. Sentar num desses bancos, esquecer de tudo e de todos. GRITAR, CHORAR,colocar pra fora tantas coisas que estão me sufocando.

=(

Bjos
^^

Filipe Garcia 16 agosto, 2008  

Oi Mariana,

seu texto me lembrou a inesquecível Tereza do Manuel Bandeira. Talvez você a conheça:

"A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna (...)"

Muito bom seu texto narrativo, os elementos ligados coerentemente, a imagem perfeitamente desenhada pelas suas palavras. É o tipo de texto que flui, que o leitor lê rápido e gostando. Fiquei fã da frase: "As mulheres são assim, belas em sua essência" concordo em gênero, número e grau, rs.

Beijo pra você.

meu mundo invisivel 16 agosto, 2008  

Eu me identifico muito com tereza.

meu mundo invisivel 16 agosto, 2008  

Eu me identifico muito com tereza.

meu mundo invisivel 16 agosto, 2008  

Eu me identifico muito com tereza.

meu mundo invisivel 16 agosto, 2008  

Eu me identifico muito com tereza.

25 janeiro, 2009  

Thereza não era notada porque ela não se via como uma pessoa única e especial...

Thereza é invisível para os olhos comuns, mas é mais invisível ainda para si mesma...
Ai se Thereza soubesse...ea só precisa perceber!

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