"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Retrospectiva 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Quando 2009 começou eu tinha um punhado de planos, esperanças e sonhos. Não digo que tenha sido como todo começo de ano, quando 2009 estreou eu tinha muito mais expectativas do que em qualquer outro início de ano. Acontece que logo em janeiro metade delas se dissiparam, derreteram-se e seu vapor se perdeu no tempo.

Bom, minha retrospectiva começa com a recordação de um desabor que, muito provavelmente pelo sue jeito de encarar a vida, frutificou em um amadurecimento imensurável. Janeiro foi o mês do disfarce, da expressão forçada de bem-estar e dos goles e mais goles que levariam o nó, garganta abaixo. Janeiro foi o mês da minha nudez interna. Eu estava exposta a tudo, embora tivesse começado, sem perceber, a construção de um muro.

A folha do calendário foi arrancada e Fevereiro chega com o sabor de conquistas. Minha colação de grau, meu baile: minha formatura. Minha faculdade tão intensamente vivenciada acabava de anunciar seu fim. Lembro que naquele dia eu não chorei. Chorei depois. Além disso, Fevereiro vem cheio de alegria do Carnaval. Amigos, músicas, sol e era Carnaval. Carnaval me faz bem.

Os confetes e serpentinas continuaram pelos ares até meados de Março, quando comecei o tão sonhado Mestrado. Cidade nova, pessoas novas, ônibus diferente, caminhos distantes. Então durante todo este ano foram 16h de viagem semanais. Casa-mestrado, mestrado-casa. Março foi o mês de novas amizades, novas conquistas, de amadurecimento profissional. Chegou meu CRP!!

Abril e eu era completamente psicologia. Envolvida em vários projetos e minha rotina começava a ficar daquele jeito que eu sempre me queixo, mas tanto amo: louca. Em abril foi o mês em que me senti só. Foi aqui que eu chorei pela formatura, foi aqui que me desmontei pelo meu desabor. Foi em abril que eu busquei novas formas de ser Mariana. Foi em abril que suspirei por alguns dias. Foi em abril que eu escolhi que mudaria.

O mês que segue, não podia ser diferente de outros anos. Parece que é proposital, mas coincidentemente foi novamente em maio que comecei um novo trabalho. Psicóloga Clínica. Psicóloga Escolar. Com mais duas ocupações e o mestrado, precisei fazer escolhas. Abrir mão das aulas no ensino técnico. Não foi fácil escolher. Sou professora por paixão e não por falta de opção.

Junho e Julho passaram que eu quase não notei. Meu projeto do mestrado estava a todo vapor, meu projetos profissionais da Clínica e na escola também. Os dias passaram e quando eu dei por mim Agosto gritava, anunciando o segundo semestre.

Agosto novos projetos iniciaram. Os suspiros cessaram. Não havia horário para outro pensamento a não ser psicologia. Mergulhei de corpo e alma na minha carreira. Subi como um foguete. Comecei a fazer estágio docência na minha antiga Universidade. E como se sabe, na balança da vida se algo está muito lá em cima, é porque tem algo muito lá embaixo. Talvez pela primeira vez eu confesse: quero demais ter um amor. Em agosto eu abri as portas, fui honesta comigo.

Setembro e Outubro eu dobrei minha carga horária. Eu aprendi demais. Eu sofri demais. Eu falei e me calei. Me calei aos poucos.

E o ano já se encerrando em Novembro. Novas conquistas.... Eu já havia mudado tanto por dentro... então mudei também por fora. Uma nova cor no cabelo, um novo olhar para a vida. Novembro alerta para as finalizações que o ano de 2009 exige. Cansaço. Esgotamento. Fadiga. Estafa. Meu corpo dá sinais de falta de energia.

A primeira semana de Dezembro foi a prova de fogo. Passei. Férias. Agora, terei as próximas três semanas para recarga. Para fazer o balanço.

Em 2009 eu retomei muitas amizades. Recuperei intimidades. Neste ano que se encerra, eu conheci muitas pessoas, dormi muito pouco e dancei mais que esperava. Em 2009 eu superei preconceitos, eu abri mão de muitos valores, eu aprendi muito. Escrevi muito menos, é verdade! Comentei menos ainda... Foi o ano em que sofri calada. Chorei sem lágrimas. Foi o ano em que deixei doer sem contar, foi o ano em que senti que pessoa alguma poderia me compreender. Este ano eu fui para muitos lugares, conheci novas cidades. Este ano eu fui das artes: teatro, poesia e canto. Em 2009 eu revelei sentimentos, eu cai na real, eu me libertei dos castelos.

Posso parecer a mesma da retrospectiva passada, posso parecer a mesma e sempre repetitiva de todos os outros anos já vividos. Mas a maneira como me sinto talvez ainda não seja 'descritivel'.

Eu acordei. Em 2009 eu acordei, despertei para a vida. Para a minha vida.

Desejo a todos um Feliz Natal, um Novo Ano cheio de alegrias e conquistas. Que os planos para 2010 saiam dos pedidos da meia-noite.

Obrigada pela companhia por mais este ano! Foi bom estar com vocês!

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Aquele bilhete

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Parecia uma festa e ela estava de longo. Vestido azul claro estampado com tons de verde, de um tecido levissímo que esvoaçava. Cabelos soltos e uma sandália baixa na cor areia.



Thereza estava linda, sorridente e encontrava com muitas pessoas sem rosto. Ela nunca tinha vivenciado isso, mas nesta festa era o que mais acontecia: cumprimentava pessoas sem rosto.



Ao longe, avistou um rosto. Não foi o único rosto que ela vira nesta noite, mas fatalmente era o único do qual ela se lembraria no dia seguinte. Sorriu em contribuição ao sorriso dele. Aproximou-se e ela o conhecia. Sorriu mais uma vez, expressando o alívio e a felicidade de encontrá-lo por ali. Mais um acaso? Talvez não...



Abraçaram-se. Ele arriscou algo mais íntimo e Thereza recuou. Não porque não tivesse interesse, mas sim porque tinha interesses demais! Conversaram e sentados se acomodaram sobre uma rede que descansava ao verde da grama. Riam. E aquela era a cena mais gostosa que eu já vira, desde que comecei a observar Thereza. Ela estava feliz.



Ele, sentindo-se mais a vontade debruça sua nuca sobre as pernas de Thereza e brincando com as mãos dela, lança o início do cafune. Eles riam, se olhavam. E de longe, eu tentava cada vez mais me aproximar...



Seus olhos refletiam um ao outro. Espelhavam seus sorrisos. Aumentavam a medida que se aproximavam.... Beijaram-se. Thereza se perdeu neste instante. Ele tinha um papelzinho nas mãos, porém ela adormeceu antes do tempo.



Logo cedo, Thereza encontra um bilhete. Nele dizia: "Você não pode viver onde me encontra. São apenas sonhos".



Ela esfregou os olhos e levantou da cama.

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