"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Fique a vontade. E volte sempre!

Monstro morto = Santo

sábado, 6 de dezembro de 2008

Em meu último dia de aula eu sai resmungando. Sai dizendo que não entendia o pessoal da minha turma, que tanto diziam sentir falta e que o fim seria de festa e não tiveram coragem para gritar o nome de sua profissão aos corredores.

Eu estava lá, com uma matraca na mão e mais meia dúzia de amigas fazendo farra porque a faculdade tinha terminado. É uma vitória, eu estava alagada de felicidade.

Minha turma nunca foi unida. NUNCA! Desde o primeiro dia, lá no trote, as coisas já não foram tão 'animadoras'. Primeiro que, no dia do nosso trote eu e mais 3 pessoas ficamos até o final, o restante debandou durante o percurso. Tá bem, eu compreendo, não é todo mundo que se sente a vontade em desfilar pela cidade toda suja de tinta pedindo moedas para comprar cerveja.

E no decorrer destes cinco anos INTEGRAIS, minha turma não se sentia a vontade para nada. NADA! Eu, toda adolescente, que cheguei cheia de amor pra dar e louquinha pra viver meus dias mais felizes, fui alvo de muita fofoca, boato e etc-e-tal. Quem se expõe muito está sujeito com mais freqüência de ser alvo mesmo.

Acontece que eu sempre fui muito amiga das pessoas e essa minha inocência foi se diluindo com as pauladas que levei na faculdade. Comecei a me sentir deslocada. Eu queria ir para festas, ficar até mais tarde. Eu queria estudar em grupo, virar a noite fazendo trabalho. Queria dormir fora, comer coisas diferentes. Eu queria sentir aquele gosto de faculdade que sempre tinha lido por aí, que sempre tinha escutado dos meus primos mais velhos, dos amigos.

Fiz mais amigos de outras turmas e de outros cursos do que dentro da minha própria sala. Isso porque meu curso sempre foi integral, ou seja, a convivência era extrema.

Não fui a única a sofrer com este grupo, e tampouco posso me esquecer que faço parte dele. Tenho certeza que tantas vezes fui aquela que machucou e que ofendeu.

Mas o fato é que eu não vou sentir falta dessa guerra civíl diária. Eu não vou sentir falta das pessoas que me machuram, não vou sentir falta das ironias e das fofocas. Eu não vou sentir falta de precisar esconder as minhas vitórias para evitar as conseqüências da inveja.

Assim como as pessoas choram e santificam um morto, que em vida foi um monstro, as pessoas da minha sala choram por algo que nunca tivemos: amizade.

E quando eu resmunguei isto no corredor, uma amiga (amiga mesmo!!) cerrou as sombrancelhas e me disse "Cada um sente o fim de um jeito, Mariana. Não queira que as pessoas estejam felizes como você..."

Então eu fiquei paralisada. Ela estava certa. Cada um sente o fim de um jeito, é isso mesmo. E lá estava eu, fazendo o mesmo que eu sempre me queixei que fizeram comigo (viu, como também faço parte deste grupo).

No fim da tarde, liguei para essa amiga e disse: "desculpe a minha imbecilidade, você tem razão: cada um sente o fim de um jeito..". E ela me respondeu: "...é, e eu fiquei pensando que você tem razão em estar feliz, pois aproveitou todos os segundos dessa jornada. O restante da turma, não."

Fiquei em silêncio... e mudei de assunto.

11 pessoas quiseram falar também!:

Nataliinha 06 dezembro, 2008  

Eh, entendo perfeitamente .
Pra mim faculdade eh fase de zoação, de brincadeiras ...
As pessoas da minha não são nada unidas ... eh meio cada um p. si !
Enfim .

Bj bj =*

Nathália 06 dezembro, 2008  

Bom, tô no início da minha faculdade, mas até que minha turma é bem unida.
Certeza de que sentirei muita falta... Mais das bagunças do que das pessoas em si.

Beijo!

Me, Myself & Uncle Sam 07 dezembro, 2008  

Ma acho que minha situação eh um pouco pior rs, sabe que aqui cada matéria e aula é com uma turma diferente, nao tenho uma turma fixa, estudo com pessoas de outros cursos então não tem nada dessa união de turma, super difícil fazer amizades e conseguir manter de um semestre pro outro. Até então eu sofria muito por isso, acho que cheguei aqui esperando as mesmas amizades que conquistei nos meus anos escolares, vc sabe. Doce ilusão, tudo mais difícil por aqui. Mas agora tb parei de ficar pensando nisso, e não é que as coisas começaram a fluir de uma forma melhor?! rs
Bjs!!

Leonardo Werneck 07 dezembro, 2008  

Ahh, cada um sente de uma forma, mas acho que todos deveriam estar felizes por mais uma etapa na vida concluída...

Cinti,  08 dezembro, 2008  

Nossaaaa...como essa sua amiga é esperta!!! A - DO - REI ela...hahahahaha

Filipe Garcia 08 dezembro, 2008  

É verdade: temos mania de tornar sacro algo morto, ainda que ruim. É nossa forma de guardar lembrança; e isso nos faz menos ordinários, acredito.

E desejo que você tenha sucesso em sua carreira. Parabéns pela vitória!

Beijo!

Marco Antonio 08 dezembro, 2008  

Apesar de minha turma ser unida, já tivemos vários problemas, o trote foi um deles. Claro que existem situações onde o individual prevalece, o problema é quando o egoísmo vence.
Ainda assim, estou vivendo cada momento de felicidade que você citou.

Su 08 dezembro, 2008  

Nunca tinha parado pra pensar nisso, "cada um sente o fim de um jeito." É realmente pra se pensar!!!

Beijos minha PSICÓLOGA preferida!!!!
\o/\o/\o/\o/

Boa semana pra vc

Thays Nascimento 08 dezembro, 2008  

Que terrível!
Me senti assim no último ano do Ensino médio, era péssimo ter que conviver com pessoas iguaizinhas a que vc citou...
Beijinhos
Boa semana
e parabéns pelo fim.

Zé do Cão 08 dezembro, 2008  

Mariana. Aleluia, acabou finalmente.

Beijocas

Flavia Melissa 08 dezembro, 2008  

Maricotinha, este é o segundo post que leio hoje sobre o sentimento se acabar uma faculdade (o que só me mostra como ando velha, porque isso aconteceu comigo há 8 anos, hahahaha).

Mas... papo sério? Nunca tive esse sentimento de alegria todo ao terminar o curso, assim como nunca chorei de saudade dos tempos de faculdade. NUNCA.

Não acho que isso faça de mim uma monstra insensível, a realidade é que nunca dei muita bola pros ciclos que se encerravam, nem pros que se iniciavam, sempre enxerguei uma continuidade no processo...

Acho que a falta de união da sua turma foi exatamente a mesma que faltou na minha, tbm não éramos super mega blaster amigos, daquela época tenho duas grandes amigas com as quais me encontro pelo menos uma vez a cada dois meses, e nenhuma delas seguiu a psicologia, só eu!


Mas uma coisa é fato: você, com essa empolgação e sensibilidade toda, com toda a certeza do mundo terá muito mais lembranças boas do que eu, que as vezes tenho a sensação de que passei pela faculdade da mesma forma como uma brisa soprou no meu rosto...!

Fica a lição: viver cada dia como se fossemos morrer amanha, aprender como se fossemos viver para sempre.

Beijo imenso e PARABÉNS, mais uma vez!

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