"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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A escrava rainha e o rei escravo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Imagem de http://www.ivanerix.zip.net/
Era uma vez...


...uma escravazinha e um príncipezinho. Eles viviam em feudos distintos. O princepezinho, ainda muito menino, admirava muito os escravos, achava de grande nobreza um homem servir a outro. A escravazinha tinha um tom de rainha, não gostava de abaixar a cabeça e sempre fora imponente.
Certo dia o príncipezinho, sozinho, apoiando os braços na janela mais alta de seu castelo e a escravazinha, dividindo o pequeno espaço onde a brisa e a luz entrava com mais 3 crianças, fizeram um pedido às estrelas. Naquela época as fadas eram bastante comuns, e uma delas atendeu aos dois ao mesmo tempo.

Que dois pedido tinham sido feitos e atendidos ninguém sabia, o que as pessoas sabiam e sentiam é que alguma coisa tinha mudado por ali, depois do clarão púrpura que iluminou grande parte da região.

Anos e anos se passaram e eles nunca souberam que o pedido havia sido atendido. Até esqueceram daquele dia tão mágico. E o desconhecimento desta realização existiu apenas até o dia em que um se viu nos olhos do outro. O príncipe viu nela a doçura e nobreza de anos de escravidão e ela viu nele o cheiro da liberdade e do poder.

Não conseguiam piscar, olhavam-se como se sugassem um a alma do outro. Em estado de encantamento ficaram por horas. O extasy dilui e eles se sentiram próximos demais. Não podiam trocar de lugar, e talvez agora nem quisessem mais trocar de lugar. Ela sempre muito orgulhosa, gostava de ser o que era. Tinha prazer em dizer o quanto foi bom ter passado por tudo que passou. E ele estufava o peito e dizia que sempre foi um príncipe admirável.

Ela gostou daquela imponência. Ele gostou daquela garra. Ficaram próximos.

Se encontravam escondido em um casebre que ficava bem no meio do caminho entre a casa dela e o castelo dele. Escondido porque "o que diria a sociedade se ele fosse visto com ela? E o que diriam seus amigos da plebe se a vissem com ele?"

Ficaram mais próximos. Em uma noite fresca e com uma lua grande e gorda no céu, os dois correram ao mesmo tempo para a única janela do casebre. Trombaram e se entreolharam rindo. Um ao lado do outro, relembraram aquele dia mágico e infantil. O céu ficou púrpura de novo. Enrubeceram-se e suspiraram com ar de quem sabia o que estava acontecendo. Em silêncio deram as mãos. Nenhum deles disse alguma coisa. Nem sobre o pedido da infância, muito menos o pedido feito ali, naquele momento. O clarão se apagou e tudo continuou a mesma coisa.


Quer dizer, aparentemente a mesma coisa, porque a fada nunca contou que os transformou num casal onde ela deixou de ser a escrava da razão e passou a ser rainha dos sentimentos e ele deixou de ser o rei dos sentimentos e passou a ser escravo da razão.


'...e viveram felizes para sempre. Eles estavam livres da perfeição, que só fazia estrago.' (Nando Reis - Minha Gratidão é uma Pessoa)

22 pessoas quiseram falar também!:

Su 06 outubro, 2008  

Êita Mari, vc sempre se superando... sempre com as palavras mais bonitas e mais tocantes. E assim é o amor, transformam os nossos corações e mudamos muito a nossa maneira de pensar e sentir. Essa fadinha do amor, sempre aparecendo e tocando os nossos corações e fazendo verdadeiros milagreeees!!!
Lindo demais, Mari!!!
Beeeeijoos

Euzer Lopes 06 outubro, 2008  

Nossa!!!
Engraçado que eu vi uma metáfora da vida aí:
Pessoas que nasceram pra lutar, e outras que, mesmo "com a vida ganha", sonham em conhecer um mundo diferente de suas realidades.
Acho que a felicidade talvez resida aí: Não do pobre querer conhecer o universo do rico e vice versa, mas de se querer conhecer "outros mundos" diferentes daquele em se acostuma dentro dos muros de nossas vidas.
Parabéns pelo texto.
E... BOM O BLOG, PASSA NO MEU!

carla m. 06 outubro, 2008  

Mari, inaugurando os contos de fadas para adultos!!!

que metáfora hein?! linda, forte e suave como é a vida!

beijocas!

Pedro Favaro 06 outubro, 2008  

Nossa...
texto inspiradíssimo e cheio de metáforas!
Gostei muito!

Leonardo Werneck 07 outubro, 2008  

Gostei muito, muito mesmo

Ultra Violet 07 outubro, 2008  

adorei a estória, principalmente o céu púrpura!

Não sei, acho que é melhor ser a escrava da razão do que a Rainha dos Sentimentos.

Bjs.

.a nega do neguinho. 07 outubro, 2008  

Hiii..se eu já gosto de contos infantis..
imagina os feitos pra "MIM"
rsrsrs



Bjs

GUILHERME PIÃO 07 outubro, 2008  

PÕ, você só esqueceu de contar o que ela pediu....ehehehe
Abraços

Flávia 07 outubro, 2008  

preciso construir uma história assim, mezzo a mezzo.

Beijos!!

Confraria do Grito 08 outubro, 2008  

Texto encantador com um final surpresa muito legal. Se meu professor visse, diria que é uma fábula digna de se estudar em sala de aula. rsrsrsrsrs

Audrofonso Araújo III

Confraria do Grito 08 outubro, 2008  

Texto encantador com um final surpresa muito legal. Se meu professor visse, diria que é uma fábula digna de se estudar em sala de aula. rsrsrsrsrs

Audrofonso Araújo III

Luifel 08 outubro, 2008  

Mari,

Eu gosto muito das fábulas, seja elas adultas ou infantis. Elas são realmente capazes de encantar e, ao mesmo tempo mostrar algo tão real...

Gostei mto!

Bj!

Three Love´s 08 outubro, 2008  

Oi Mari,

delicia de texto, gostei muito da metáfora, desses encontros que mudam a vida da gente...

b.e.i.j.o.s.

Drêycka 08 outubro, 2008  

aaaiii
lindo lindo
o final foi perfeito!!!!!


bju pra vc

Zé do Cão 08 outubro, 2008  

Nem sempre o final é feliz cmo no conto.
Parabens, perfeito

B i α 08 outubro, 2008  

Muito bom o texto.
Transportou meus pensamentos para bem longe. Isso não é raro, mas dessa vez não foi por futilidades assim como poucas outras.
Gostei do blog.

Camila M. Schuch 08 outubro, 2008  

Nossa, hihi, viajei!

Ai, adorei. Doce. Me fez pensar...

Beeijos

Maldito 09 outubro, 2008  

Muito Excelente!

*Raíssa 10 outubro, 2008  

Adorei o conto, Mari! Muito legal!

Beijos

João da Silva 11 outubro, 2008  

Delícia! Metáfora perfeita para a realidade. Por alguns instantes, lembrei-me de "The Tempest", de Shakespeare.
Beijinhos!

Mary West 14 outubro, 2008  

Ahh fábulas sempre aquecem o coração.

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