Nada viva, não tão morta.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Eu achei que nunca ia passar. Juro! Pensei que aquele aperto, dor e instabilidade jamais iria cessar. Então eu morreria poéticamente de amores. Não morri. Foi minha poesia quem parece ter morrido.
Quando as luzes do salão se acenderam, o Carnaval terminou. Minha fantasia estava gasta e meus olhos profundos e negros denunciavam que eu havia perdido muitas energias. Eu achei que naquele dia eu morreria. Morreria por terem acendido a luz, por ter perdido a minha fantasia. Eu tinha aquela certeza chata que minha lágrimas até poderiam não mais escorrer, porém cristalizariam e afiadas me fariam sangrar até os últimos dias da minha vida. Neste dia atestei meu óbito. E minha poesia adoeceu na quarta de cinzas.
Doente e sem bons prognósticos. Minha poesia, meu combustível - a falta dele -me levaria a falência. Não morri como pensei, já disse. Perdi a confiança no amor. Desacredito enquanto espero. Assim como minha poesia respira com ajuda de aparelhos. Nada viva, não tão morta.
