"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Não é de todo mal

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mulheres e suas roupas. Quem nunca presenciou ou viveu a pura 'certeza' que mesmo com o armário lotado, não tinha roupas para usar? Mulheres são assim. E como uma mulher que se preze, Thereza também é.

Abre seu amário e roupas pulam porta afora. Por dois motivos em especial: pela bagunça e pela quantidade.

Thereza tinha uma roupa em especial. Uma peça linda. Ela tinha usado muito há numa época atrás. Aquele modelo lhe caía bem demais. Caía: passado. Fazia um tempo que aquela peça já não fazia parte do seu vestuário rotineiro. Nunca mais usou.

Vez em quando, na falta de outras que também ficavam boa, Thereza tirava a peça do armário e lamuriava suas mudanças corporais. Era culpa toda dela, aquela roupa não fazer mais parte da sua vida. Logo aquela roupa, a que ela jurava de pés juntos, ser a mais especial.

Como se sabe, Thereza não é de ficar muito tempo no mesmo parágrafo e logo tratava de guardar a peça novamente na bagunça do seu armário.
Virava e mexia, pegava a peça. "Minha roupa mais especial. Nunca outra me caiu tão bem... Burra fui eu de ter perdido." - choramingava Thereza.


Guardava com esperanças de um dia tê-la de volta em seu corpo. Cobrindo-lhe a pele, arrancado elogios por onde passar.

Dia desses, sentiu-se completamente nua. Como mágica, todas as suas roupas haviam sumido diante de seus olhos. Menos aquela. Thereza tinha certeza que aquela era a única peça que sobreviveria a todos os tempos.

Tomou coragem para experimentar. Serviu e curiosamente, Thereza não se sentia bem. Acabou de perceber que tal peça não tinha mais o seu estilo. Ela havia mudado e a peça tinha continuado exatamente a mesma. Fechou os olhos e deixou dançar pelo rosto gotas preciosas.

Despiu-se. Doou a peça. Vai encontrar outras que lhe cairão bem. E em todo caso, estar nua não era de todo mal.

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3min22 seg

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Então basta uma música apresentar os primeiros acordes e ela chega até o ápice de sua imaginação. Sua pura imaginação sem arreios, apenas anseios.

Apenas anseios é pouco demais para quem gosta de tanto. Demais. Sempre. Muito. Amo. Exalto. Superlativa-se. E sobre o seu subir, sofre delirando.

De certa forma esse transpor é bem confortável, a não ser pelo fato da música terminar.

** o título do post é o tempo da música Just my Imagination - The Cranberries **

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Para não dizer que tudo mudou...

domingo, 13 de setembro de 2009

Continuamos com os mesmos nomes, apelidos e algumas de nossas manias. Para não dizer que está tudo diferente, ainda temos as mesmas piadas, ainda dançamos as mesmas músicas. Eu ainda sou a primeira a ser molhada com o balde. O João ainda sabe todos os passinhos e a Paula ainda coloca "M" em todas as suas coisas.


E só para não dizer que tudo mudou. Então tudo mudou. A gente não se preocupa mais com as notas - pelo menos, não com as mesmas notas. Não temos mais o mesmo corpo, embora todos os corpos estejam mais velhos. Não pensamos mais do mesmo jeito.


E só para não dizer que tudo mudou: as meninas serão sempre as meninas, os meninos são os meninos somados comigo e a Paula. O Breno ainda toma a última cerveja e os meninos se juntam para zoar alguém. Então tudo mudou e cada um fica feliz de um jeito, cada um escolheu uma forma de sorrir.


Não temos mais a mesma rotina, não sabemos mais todos os segredos. Não somos mais panelinhas do mesmo armário. E mesmo depois de um churrasco tão igual, não temos mais o reencontro no dia seguinte.

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