"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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O meu espaço.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E por falta de espaço, ocuparia todos os espaços. Deixava tudo fora do lugar. Em cada canto um pedacinho seu. Perdia coisas no caminho. Enchia-se de ar. Estufava.


Falava alto, gritava, gargalhava: fazia o som ocupar todo o espaço. Aumentava seus contos, supervalorizava seus planos. Se fez grande e enquanto ocupava, esvaziava-se.


Até o momento que percebeu que seu espaço não seria medido por coisas no caminho, nem sequer pelo tamanho de seus braços.


Então ela deixou a lupa de lado. Decidiu se desfazer daquilo que transformava tudo em espaçoso.


E tudo isso foi no mesmo dia em que soube que nada ocupa todos os espaços. Havia ficado sem lugar novamente, até que percebeu um raio de luz escapando pela frestinha da janela.


Passou a brilhar.

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Lá onde?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Ela se perde em pensamentos, se afoga em letras e desbrava seu próprio mundo em busca de algo para sentir. Não adianta, Thereza é assim.



Thereza diz que sonhar é só sonhar, mas acorda cheia de vontades. Sempre há lacunas, ninguém dúvida disso. Acontece que ela não admite tantas lacunas e sai em disparada atrás de nomes.



Péssimo hábito de preferir as respostas às perguntas - embora saiba que são as perguntas que movimentam o mundo. Sabe porque são as perguntas que movimentam? Porque respostas nunca são o suficiente.



Ela não disse tudo. Logo ela, que tanto odeia lacunas, deixa várias pelo seu caminho. Ela não disse tudo. Aquilo que falta dizer fica no meio-fio. Quase despencando de sua língua, mergulhando em uma bacia de nada. Thereza sabe que aquilo que antes nao fora dito, jamais será. O tempo acabou.



Mudaram o game. E ela até gosta. Thereza está assim, contente, tranquila e um pouco lá. Lá no futuro, onde não se alcança. Lá no passado, onde não se chega mais.

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Perfeito infinito, apenas.

domingo, 2 de agosto de 2009

O seu erro são os mesmos lugares. Talvez ela fique olhando para um lugar só. Ou não. Difícil saber, difícil se entregar. A denúncia de si é uma lâmina afiada que pode rasgar valores ou cortar-lhe a face.

O seu erro, muitas vezes foi o melhor dos acertos. Não dá para saber ao certo o que ela procura. Simplesmente porque nada dela, dá para saber ao certo.

Pura inconstância - ela mesmo diz. De tempos em tempos se entrega ao profundo vazio que sente não se sabe onde. Apenas sente.

Abre os horizontes e se fecha em seu perfeito infinito.

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