"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Segredos

terça-feira, 30 de junho de 2009

Um dia eu disse tudo. Noutro não disse nada. Não por birra, mas simplesmente porque tudo já havia sido dito. Então agora parece que me calo, quando apenas espero que tudo se forme de novo.

É uma escolha diária. Você quer seguir qual caminho? A melhor opção foi retirar as vendas. Não tem nada melhor do que saber para onde segue. E você nem imagina como é gostoso poder olhar para as cores. Todas as cores da paleta da vida, não apenas aquele fúcsia que a gente tinha mania.

Entendo que tudo isso possa ser abstinência da minha fala. Não da voz, não do som. Daquilo que vinha junto: os segredos.

Não que o tecido que vendava agora amordaça. Uso como um lenço que balança ao soprar dos ventos, presos na ponta dos dedos. Despeço-me.

Não se assusta, tá. É que escolhi que seria assim agora.

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Saiba

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sabe, eu já notei que você não sabe expressar direito aquilo que você sente. Então você briga e grita. E eu também sou um pouco assim. É o jeito que aprendemos para ter certeza que as pessoas vão nos notar. Mas isso não é legal, porque chega um momento que as pessoas vão se afastando, porque estão cansadas de notar apenas esse lado. Você tem tanta doçura...Eu sei que você tem! Só que você demonstra a doçura lá fora, com os outros. E isso dá uma pê de uma inveja.


Porque as pessoas de fora podem ter a sua doçura e aqui dentro a gente precisa conviver com gritos todo-o-tempo? Dá inveja mesmo!


Um dia você brigou dizendo que ninguém se importa com você. Não é verdade, você bem sabe. Acho que fazemos de tudo para te agradar - fazemos de tudo... É que a gente cansa de tanta negatividade. Sabe aquilo de que bom-humor contagia? Então, o contrário também é verdadeiro. Então quando a gente menos quer, estamos todos de 'cara amarrada'.


E disso, falta bem pouco para mais uma instalação de caos. Pelos cantos ficamos resmungando uns sobre os outros. As portas começam a bater e doloridamente, parece que fazemos de um tudo, para ficarmos cada vez mais distante.


Tudo isso, porque nenhum de nós aguenta mais tanto exagero. Parece que nada é suficientemente bom para lhe arrancar um sorriso. Talvez por isso nós investimos tanto em fazer palhaçada.


Você não diz o que você quer, e fica contrariada quando a gente não adivinha. Então todos se sentem perdidos, sabe. E eu bem que queria conversar, mas dá um medo de ouvir pela sei-lá-qual-vez que estou usando minha psicologia barata, enquanto na verdade eu só estou dando voz e ouvidos para o meu coração.

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O saco

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Era uma vez um saco. Um saco de papéis. Papéis dobrados em 2 partes. Escritos por dentro.

Cada papel tinha uma palavra. E essas palavras tinham grandes significados. Nem sempre literal, nem sempre metafórico. A única maneira de saber que palavras eram estas, era tirando uma a uma do saco e abrindo. É possível que todas juntas formassem alguma coisa. Frases, poesias, leis, regras, declarações...

O saco já fora aberto algumas vezes e podíamos ver papéis voando ao horizonte. Como uma chuva de palavras, alguns se deixavam tocar por elas, outros se protegiam. Alguns olhavam de longe, outros levavam para si.

Depois que as palavras saem do saco, elas não tem mais dono algum. E por isso, certa vez, um sábio arrumou uma corda mágica para fechar o saco. O sábio dizia que era apenas uma maneira de cuidar para que o saco não se esvaziasse e voasse com o soprar dos ventos. Dessa maneira, se perdendo sem dono feito seus papéis.

A corda mágica não podia ser percebida a olho nu. E ficava difícil entender porque não voavam mais palavras de lá. Talvez seja possível notar que alguns papéis ainda estejam no ar. E tentar fazer deles um conjunto seria uma obra de arte.

Mas talvez não seja a hora certa de saber que palavras são estas. O saco continua fechado.

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