Noite oca
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Acordou assustada com a eminência da queda. Era um sonho. Thereza riu de si mesma e pôs-se de lado na cama, tentando buscar o restante do sono que ainda lhe cabia na noite. Olhando para a parede branca, desenhava com os olhos seus próximos compromissos. Uma lista infinita.
Cantou para dentro. Ela tinha essa mania de cantarolar "hum-hum-hum's". Seus pensamentos vooam distantes quando ela se entrega ao canto para dentro. E, embora exausta da rotina que a cada dia ela escolhe, Thereza não conseguia aprofundar-se em sono.
Respirava fundo, como quem pede o ar e soltava lentamente, como um suspiro satisfeito. Pensamentos já altos, ela tentava entender os motivos pelos quais ela se esforçava tanto para algumas coisas e nada para outras. Não achava justo chorar por se sentir incompleta, seria injusto. Ela estava num momento de ouro. "Ouro oco!"- pensou Thereza.
Abraçou o travesseiro, encolheu as pernas e como um feto ajeitou-se debaixo das cobertas. Apertou os olhos forçando o sono a chegar e chorou. Suas lágrimas sairam como o suco de uma fruta ao ser espremida. E Thereza sabe que, quando o suco de lágrimas sai, o oco de si é sentido como uma ferida.
"Falta algo. Falta algo e eu não sei onde encontrar. Não sei onde..." - ...e Thereza dormiu. 
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