"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

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Fique a vontade. E volte sempre!

F5 aí. Atualização!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Estou em ritmo acelerado de final de curso. Trabalho de Conclusão de Curso, relatórios, apresentações, artigos científicos e etc-e-tal.

Para nao ficar maluca, de tempos em tempos eu me dedicava na construção deste layout que vocês estão vendo (e podem, inclusive, expressar sua opinião na enquete ao lado!). O divã já não tinha mais a minha cara, - na verdade nunca foi o símbolo da minha identificação teórica, nem da minha terapeuta. Porém nunca tinha encontrado uma imagem que me fizesse mais feliz que aquela - e aquele exagero de roxo estava me enjoando. Não abri mão do roxolilás porque é minha cor preferida, e confesso que este é o layout que eu mais me identifiquei.

Estou passando por momentos complicados, porém o saldo tem sido positivo. E é isso que importa no momento.

São raras as vezes que sento aqui para conversar com vocês, leitores, com ar tão íntimo. Eu sempre crio histórias, rimas e abuso das polêmicas para dividir com alguém (que muitas vezes nem sei quem) situações tão minhas. Desta vez me sinto numa mesa de bar, contando como foi o dia e sobre preocupações corriqueiras. Nada tão profundo, quanto menos dramático.

É que eu sou uma mulher tão comum quanto aquela que passou hoje do seu lado e você nem notou.

F5 aí! Atualizado!

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Salada de frutas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

-Mari [...] e esses sãos os frutos que você colhe depois de tudo que plantou!


- É, mas os frutos não são todos doces!

-Não mesmo! E uma boa salada de frutas só se faz com frutas doces e azedas...

E foi numa dessas conversas de corredor que eu pensei sobre o quanto a gente pensa focalmente em tudo que nos rodeia. Precisa alguém externo para nos lembrar que existe muito mais do que o 'aqui e agora'.

Ficamos acostumados com as situações, andamos em círculos e nos queixamos da tontura, imploramos por mudanças e fazemos sempre as mesmas coisas.

E a gente fica tentando procurar qual é a fruta azeda da salada de frutas, e depois de perder muito tempo e comer muita salada, sacamos que o azedinho vem do caldo.

Não existe salada de frutas gostosa sem caldo...

ps* Lembrando que para cada coisa que ganhamos, existirá alguma para se perder...

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Time of your life

sábado, 18 de outubro de 2008

"[...] por aquilo que vale a pena, valeu a pena o tempo todo..."


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Primeira etapa da nova fase!

sábado, 11 de outubro de 2008

Fiquei ausente e, já aviso de antemão, posso ficar mais ausente ainda. Tudo isso porque nem só de boa sorte se termina uma faculdade, se faz TCC, relatórios, apresentações e se entra em mestrados.
Estou indo para a primeira etapa da minha próxima fase. Ansiosa, esperançosa e cheia de expectativas. Olho para trás e não vejo mais obstáculos, vejo degraus. Olho para os lados e vejo poucas pessoas. E nelas eu tenho apoiado minhas mãos. E ao fechar os olhos tenho a sensação de estar a léguas de distância dos conhecidos.
Fui... volto já!

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A escrava rainha e o rei escravo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Imagem de http://www.ivanerix.zip.net/
Era uma vez...


...uma escravazinha e um príncipezinho. Eles viviam em feudos distintos. O princepezinho, ainda muito menino, admirava muito os escravos, achava de grande nobreza um homem servir a outro. A escravazinha tinha um tom de rainha, não gostava de abaixar a cabeça e sempre fora imponente.
Certo dia o príncipezinho, sozinho, apoiando os braços na janela mais alta de seu castelo e a escravazinha, dividindo o pequeno espaço onde a brisa e a luz entrava com mais 3 crianças, fizeram um pedido às estrelas. Naquela época as fadas eram bastante comuns, e uma delas atendeu aos dois ao mesmo tempo.

Que dois pedido tinham sido feitos e atendidos ninguém sabia, o que as pessoas sabiam e sentiam é que alguma coisa tinha mudado por ali, depois do clarão púrpura que iluminou grande parte da região.

Anos e anos se passaram e eles nunca souberam que o pedido havia sido atendido. Até esqueceram daquele dia tão mágico. E o desconhecimento desta realização existiu apenas até o dia em que um se viu nos olhos do outro. O príncipe viu nela a doçura e nobreza de anos de escravidão e ela viu nele o cheiro da liberdade e do poder.

Não conseguiam piscar, olhavam-se como se sugassem um a alma do outro. Em estado de encantamento ficaram por horas. O extasy dilui e eles se sentiram próximos demais. Não podiam trocar de lugar, e talvez agora nem quisessem mais trocar de lugar. Ela sempre muito orgulhosa, gostava de ser o que era. Tinha prazer em dizer o quanto foi bom ter passado por tudo que passou. E ele estufava o peito e dizia que sempre foi um príncipe admirável.

Ela gostou daquela imponência. Ele gostou daquela garra. Ficaram próximos.

Se encontravam escondido em um casebre que ficava bem no meio do caminho entre a casa dela e o castelo dele. Escondido porque "o que diria a sociedade se ele fosse visto com ela? E o que diriam seus amigos da plebe se a vissem com ele?"

Ficaram mais próximos. Em uma noite fresca e com uma lua grande e gorda no céu, os dois correram ao mesmo tempo para a única janela do casebre. Trombaram e se entreolharam rindo. Um ao lado do outro, relembraram aquele dia mágico e infantil. O céu ficou púrpura de novo. Enrubeceram-se e suspiraram com ar de quem sabia o que estava acontecendo. Em silêncio deram as mãos. Nenhum deles disse alguma coisa. Nem sobre o pedido da infância, muito menos o pedido feito ali, naquele momento. O clarão se apagou e tudo continuou a mesma coisa.


Quer dizer, aparentemente a mesma coisa, porque a fada nunca contou que os transformou num casal onde ela deixou de ser a escrava da razão e passou a ser rainha dos sentimentos e ele deixou de ser o rei dos sentimentos e passou a ser escravo da razão.


'...e viveram felizes para sempre. Eles estavam livres da perfeição, que só fazia estrago.' (Nando Reis - Minha Gratidão é uma Pessoa)

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Meu lado doente engraçado

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Inspirada no texto do blog Como diria sua mãe, resolvi falar de uma característica pessoal um tanto quanto "inusitada".

Sou muito auto-referente. Assim, por exemplo, tudo que acontece a minha volta deve ter alguma coisa a ver comigo. Eu sei, é muita pretensão achar que o mundo gira em torno dessa pessoa que eu chamo de Eu, mas eu nunca disse que ser auto-referente é uma coisa boa.

Eu falo de mim e eu tenho uma tendência alta em pensar que você e qualquer outro também fala de mim. Se alguma coisa quebrou, a chance de que eu seja culpada é alto, e além disso, minha auto-referência me faz pensar que se eu não sou a culpada, alguém quebrou para me culpar ou quem deveria ter quebrado era eu mesmo.

Se alguém me olha eu já estou jurando que esse alguém me olhou diferente. Essa auto-referencia é meio maluca, confesso. Não é persecutório porque nem sempre é negativo.


Quando vou bem em uma prova é porque eu sou o máximo, saca? E se eu for mal, arrisco leves denúncias aos professores acerca da hipótese de que eles quiseram me sacanear. É complicado isso e no fim das contas tem um nível de sofrimento relativamente alto.

Meu lado doente engraçado já me colocou em várias roubadas. Por outro lado, me ajuda a ter conversas difíceis mais saudáveis, porque dificilmente eu coloco a culpa no outro. Atenção!! Dicionário da língua portuguesa adverte: dificilmente não significa nunca.

É isso, eu falo de mim o tempo todo. Eu penso demais em mim e como disse Pedro Favaro, "Somos tão autocentrados, tão egoístas... dá eco o quanto nos importamos com nosso próprio umbigo...".

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Aqui tudo fica bonito

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Ela chorava contidamente....


Sabia que precisava deixar aquelas lágrimas rolarem. Não importa o quanto ela já estivesse acostumada em perder, perder não é uma coisa fácil.


Então a mais valente se desmonta, a mais humorada perde o tom. Thereza se lança para dentro de si mesma, reavaliando seus últimos relacionamentos interpessoais. Sempre foi de muitos amigos, mas de tempos para cá ela cultivou mais inimizades do que amizades.


Não sabia o que tinha feito para isso acontecer. Se o que fez era certo ou errado. "Antes só do que mal acompanhada.." - ela repetia para si mesma em seus pensamentos.


O tempo está passando e o cerco vai se fechando. Não se precisa mais dos pares, ou melhor, dizem que não se precisa mais dos pares. Thereza sabe que ainda precisa, seu lado infantil tem sede de contato.


E todo esse movimento de ser diferente se corta quando o orgulho chega à tona. Thereza se recolhe em seu refugio mental, se nega a discutir relações e se afoga cada vez mais em livros, trabalhos, poemas e sentimentos.


Thereza não é menos e nem mais que ninguém nesse mundo. Em palavras, Thereza pode ser exatamente o que ela é, e isso fica bonito. Fica bonito a rima e fica bonito a marca da lágrima no papel. Fica bonito dizer que dói, que arde, que machuca e que ao fim supera. Nas palavras tudo fica mais bonito.


...Ela chorava contidamente. Tinha perdido mais uma vez

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