"Sou eu que começo ou é você que começa? [...] Sou eu que começo! [...] E eu começo como? Eu vou falando por ordem cronológica ou o que me vier na cabeça?"
(Mercedes, personagem de Lília Cabral - Divã, 2009)

O blog mudou no formato. Os textos mais recentes estão abaixo e podem ser lidos na íntegra clicando em Read more... no final de cada postagem.

O restante das postagens estão disponíveis nos links a esquerda. Utilize a ferramenta de busca ou as tags.

Fique a vontade. E volte sempre!

Que dia...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tem inúmeras coisas que me tiram do sério. Tantas que parei para pensar de qual mesmo eu queria escrever aqui.
Lembrei. É algo da faculdade. Imediamente me contive. Não posso dizer pois fere a ética de minha profissão. Mas enfim...
Outra coisa é que passei frio o dia todo. Fui para a cidade onde faço faculdade logo cedo, como de costume. Vesti uma calça jeans, sapato, blusinha preta e coloquei uma camisa por cima. Só para evitar o ventinho da manhã. Repito: Só para evitar o ventinho da manhã.
Cheguei naquela cidade e estava um frio que meus pelinhos do braço quase ficaram parecidos com o cabelo de Leonardo di Caprio em Titanic. Fiquei um pouco aborrecida por não ter levado blusa, mas pensei que "já já faz sol e esquenta". Mentira! Não fez sol! Não esquentou. Pior ainda, fez mais vento e mais frio. Não!! Pior ainda, chuviscou o dia inteiro.
Ressalto aqui o fato de que, desde que cortei meu cabelo uso chapinha e, chapinha com chuvisco é tudo que há de pior no mundo capilar. O menos pior é que eu ando com um guarda-chuva na bolsa. Um guarda-chuva um pouco desbeiçado, confesso. Ele fecha quando é para abrir e abre quando é para fechar.
Além de tudo isso, teve mais um pouco. Mas esses, eu guardo para minha terapeuta (que não está mais de férias. Sorte!).

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O quinto fim de semana.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Passou um lápis no olho, colocou uma roupa que cheirava loja. Tirou os óculos e soltou os cabelos.
Olhou-se no espelho e admirou a bela mulher que se escondia por trás de tantos estereótipos. Buscou um por salto confortável. Caminhou pelo corredor umas três vezes, indo e vindo. Olhou para a pilha de livros que lhe esperavam ansiosamente serem devorados. Conteve-se. Continuou a caminhar defronte ao espelho.
Falou alguma coisa para si mesmo. Foi interrompida por um chamado: "Thereza, tá falando sozinha?"
Olhou para o espelho mais uma vez e sorriu. Prendeu o cabelo em coque. Colocou seus óculos de armação vermelha. Trocou o salto por uma Havaianas azul marinho, tamanho maior que seu pé. Pé um pouco maltratado pelos sapatos. Tirou e estendeu sua roupa cheirando loja. Vestiu uma camiseta velha, dessas de propaganda política. Deixou o lápis no olho. Isso lhe trasmitia poder.
E pelo quinto fim de semana consecutivo, Thereza sentou-se no colchão fundo da sua cama e leu. Leu impiedosamente uma pilha de livros que pareceram mais interessantes que uma noitada.

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Aqui dentro e lá fora...

segunda-feira, 28 de abril de 2008


Descolo de mim
Como um adesivo
que fica muito tempo ao sol.

Lá fora há um dia por terminar
Outro por nascer.
Há tantas faces
Molhadas em lágrimas
Desenhadas de sorrisos,
talvez haja também alguns corações sangrando,
talvez até haja luz se a lua não adormecer.

Ouço-me por dentro
Nestes sentimentos
que tão discretamente escondo

Aqui dentro, por dentro...
daquilo que teimosamente sou.

Lá fora tudo parece mais facil de sentir
tudo está tão longe...
Mas, cá dentro,
será que meus olhos ainda conseguem ver?

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Discurso

sábado, 26 de abril de 2008

Aí está o discurso que escrevi para ler em minha colação de grau que aconteceu ontem!!
Boa noite a todos.

Chefe de departamento, senhores professores, pais, amigos e formandos presentes.

Quando me ofereci para ser oradora de turma, logo imaginei como articular um texto com belas palavras, repleto de detalhes, objetivo e levemente rápido. Ao tentar frutificar minha inspiração, pensava sobre a responsabilidade de ser oradora da turma. Arrisquei, inclusive, uma busca ao Google! Hábitos acadêmicos...
É imprescindível elaborar um discurso à altura da importância da solenidade, falar em nome de todos, garimpar os detalhes que toque intimamente cada um.

Pensei em falar sobre o Bambu Chinês, acreditando que ele me ajude a cumprir com essa responsabilidade. Sabe que, depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo. Durante os cinco anos, todo crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo cuidadosamente construída. Então, lá pelo final do quinto ano, o bambu chinês cresce, até atingir a altura surpreendente de 25 metros.

Para o final do quinto ano, falta pouco. Esta noite, concluímos uma das etapas desse desabrochar. Vejo em vocês, e transparece em mim também, entusiasmos e expressões de felicidade. Afinal, concluímos o curso de Bacharelado e Licenciatura em Psicologia. Concluir um curso de graduação não é apenas o fim de um período, é a garantia do início da carreira profissional. Pode soar clichê, mas este início não significa apenas um começo, uma largada, traduz um sonho, desejos e expectativas.

Pesquisadores e professores! Agora, mais que antes, temos em mãos a possibilidade de plantarmos e cuidarmos de outras sementes de Bambu. Aliados da ciência. Estamos hoje, assumindo a legítima representação da filosofia que credita à ciência um papel fundamental em nossa civilização.

Vivemos em um grande circuito formado de conhecimento e transmissão de conhecimentos, que é, em essência, o tesouro de nossa época! As fronteiras da informação quase inexistem; qualquer setor de atividade pode ser integralizado, globalizado. Inclui-se aí a Psicologia.

Nós formandos, certeza temos que não nos formamos somente profissionais de nível superior, mas também cidadãos comprometidos. Bambus de quase 25 metros, frutos do trabalho árduo e fabuloso de nossos professores-agricultores. Trabalho integral. Integralíssimo,(vale ressaltar).

Agradecemos a eles. Nossos mestres! Por nos cercarem de discernimento e ética para que não sejamos esmagados pelo rolo compressor dos avanços tecnológicos, por escolherem os melhores fertilizantes e por nos lembrarem diariamente que a olho nu, somente a olho nu, o Bambu parece não desabrochar.

Agradecemos nossos pais. Apoiadores, “financiadores” e sempre ‘pacientes’. Por plantarem a semente, olharem e pedirem por ela. Por esperarem atentamente, expectadores de pay-per-view , o Bambu crescer e atingir a altura de vinte e cinco metros.

Fazemos parte agora de um grupo privilegiado, sabemos disso. Bambus apontando solo afora.

“É preciso muita fibra para chegar às alturas, e também muita humildade para se curvar ao chão”.

Obrigada a todos pelo apoio dispensado nesta caminhada. Parabéns à todos nós.

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Aquele sorriso de canto

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Acordei assim. Com aquele sorriso de canto. Com ar de satisfação, de dever cumprido. Tem motivos. Quatro anos integrais repleto de motivos.
Hoje é minha colação de grau de Bacharelado e Licenciatura em Psicologia. Não vai ter baile de gala, vamos comemorar em um esquema de pizzaria-balada. Não tem problema! Ano que vem, na colação de Formação de Psicólogo, terá! Baile com tudo que se tem direito!
Algumas pessoas disseram que a colação de hoje não é de tanta importância. Talvez porque elas não tenham 'guerriado' a mesma batalha que eu.
Lembro que há um ano atrás eu estava aprendendo a pegar ônibus. Almoçar em outra cidade, estudar a tarde. Lembro que tinha dias que saía da faculdade as 18h e achava tarde. Hoje eu fico feliz quando consigo pegar o ônibus das 21h.
Andei a pé debaixo de sol, de chuva, de provas...
Perdi a inocência. Perdi sandálias, sapatos, calças...
Ganhei muito. Aprendi, ensinei, errei, acertei.
Fui do Diretório Acadêmico, discuti com o DCE, organizei Semana da Psicologia, ri absurdamente em reuniões sem pauta e comemoramos o sucesso de Palestras da Vera, PsicoTrash, Sinapse etc. Chorei e reclamei de dias que hoje eu sinto falta demais.
Dei monitoria de experimental por um ano e meio sob a pressão de um sapo falante - e põe falante nisso.
Fiz 600 horas de estágio em licenciatura quase impossíveis de se completar.
Vi um TCC engavetar e me vi fazer outro em um mês.
Fiquei por um triz em reprovação por faltas. Fiz uso de antidepressiveos por aproximadamente 20 meses, não consecutivos. Faço terapia desde o final do primeiro ano.
E sabe do que mais? A-MEI tudo isso! Guerriaria tudo de novo!
Eu sou e estou feliz demais por ter passado por mais esta fase da vida. E sim, eu sou um sucesso! Eu reconheço que fiz tudo que eu podia de melhor!
Hoje, em minha colação de grau, serei oradora da turma, escrevi um discurso e amanhã postarei para apareciação pública!

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O que nos separa é ter que combinar roupa com sapato.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A distância não separa ninguém. O que separa é o cobertor. Um cobertor que freqüentemente usamos para esconder nossos medos e anseios. O que separa pessoas são os segredos, as omissões, as inseguranças pessoais que cuidamos e cobrimos com muito afinco.

O que separa pessoas é o medo eminente de descobrirem tudo aquilo que tentamos cobrir. O que separa as pessoas é tudo aquilo que é difícil de entender. Não porque são coisas inintendíveis, mas sim por serem coisas de difícil explicação.

Difícil explicação, não porque não se sabe explicar, mas sim porque explicá-las implicaria descobrir tudo aquilo que sempre tentamos cobrir.

Não que as coisas sejam inacessíveis. Não que elas precisem estar cobertas. Não que essas coisas sejam resultado de outras. Não que elas sejam a pedra no caminho do mundo.

É que se todo mundo andasse pelado, não precisariamos combinar roupa com sapato.
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Ganhei dois Selos!!
Um da Carla e fiquei mega lisongeada, visto que ela acompanhava meu blog e nunca comentava, então eu não sabia sequer que a agradava. É uma supresa muito boa.
Outro do Leonardo que presentou todos os linkados, e como sou uma deles, toda orgulhosa o exibirei aqui.
Preciso indicá-los para algumas pessoas! E será fácil: indico para todos os linkados também. Todos merecem esse reconhecimento, pois sei que manter um blog atualizado e bem escrito vai além do exercicio de escrever boas sentenças.

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Cansaço, é isso!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Thereza chegou em casa e se jogou na cama, está esparramada há horas e pensa compulsivamente em todas as coisas.
Não é tristeza, não é raiva, não é amor, não é frustração, não é nada além de cansaço.
Cansaço de tanto procurar algo que ela não sabe onde se esconde, se é que se esconde e que não sabe nem se existe. Poderia ter ficado sentada esperando, como tantas vezes fez, e como está fazendo agora. Podia ficar calmamente esperando, como tantas vezes fizeram com ela, mas não! Ela foi. Levantou e foi. Andando, correndo, nadando, cantando, pouco importa. Ela foi e agora está, definitivamente, muito cansada.
Esperançosa. Uma imensa de uma esperançosa-pessimista. Um grande contraste. Um paradoxo. Como se as coisas estivessem sempre na eminência de um fim com a impossibilidade de que o próprio fim, de fato, chegue.
Ela diz para as amigas que tudo dará certo. Ela diz para si mesma que sempre tudo dá errado. Ela sorri diariamente e motiva pessoas ao seu redor. Ela chora internamente em busca de sua própria motivação.
Thereza é muito bonita, inteligente e carinhosa. E esparramada em sua cama, ela rascunha mentalmente versos que, provavelmente, se manchariam com suas lágrimas de sal. Está cansada de escrever quase as mesmas coisas, de ter quase as mesmas inspirações. Cansada de olhar para os lados, como se alguém fosse aparecer surpreendentemente.

Cansada de olhar no espelho e ver que tudo aquilo está esmorecendo dia-a-dia. Está exausta. De andar pela rua, pelo corredor de seu trabalho, olhando frenéticamente para os lados buscando um olhar que lhe acolhesse.
O desconforto com a vida deixava Thereza sem lugar, sem caminhos. E ela parecia desejar ser alguém que ficassem além (ou aquém) dessa realidade que a cansava tanto.
A realidade já fizera sofrer tanto que, ela gostava de se sentir um pouco maluca, um pouco fora desse mundo. Como se dessa forma ela não sentisse as lâminas, que diariamente lhe mostravam que a luta seria árdua.
Thereza estava só cansada. Somente isso. E quando se cansava, dava nomes diferentes e dramáticos para cada dor muscular que sentia.

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Justificando a ausência

quarta-feira, 16 de abril de 2008


Olá queridos Leitores! Eu escrevo esse post hoje com a finalidade de avisá-los que ficarei um pouco ausente (tá, eu posso não ficar tão ausente assim mas, também eu posso ficar muito distante) por conta das minhas responsabilidades universitárias.

Estou no último ano de um curso integral, integralíssimo. Preciso cumprir um tanto muito grande de horas de estágio, trabalhar no projeto de extensão extra-curricular, escrever um trabalho de conclusão de curso, também conhecido como TCC, e estudar, fazer provas e coisas rotineiras de uma faculdade.

Eu sou uma pessoa de sorte, eu sei. Meu professores são super maravilhosos e eu tenho uma grande admiração por eles. Eu reclamo e me acho sobrecarregada e no fim das contas eu sempre vou expetacularmente bem!

Com tudo isso, eu posso ficar ausente do seu blog também. Pode ser que eu não comente com a mesma freqüencia. Mas farei o possível para isso e para continuar com as leituras diárias que me fazem tão bem!

É isso. Me desejem sorte, paciência, dedicação e muito amor! Porque se me desejarem força é capaz de eu sair quebrando coisas (e caras).

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Psicologia no Ensino Médio!

Recebi um e-mail do CFP (Conselho Federal de Psicologia), onde listava oito motivos para se aprender Psicologia no Ensino Médio! Vou usar do meu espaço virtual, para divulgar uma campanha, uma manisfestação, um movimento (chamem do que bem entender) que eu apóio!

Eu apóio e defendo essa bandeira! E exponho meus 5 motivos:
Não necessariamente nesta ordem...
1º porque estudo psicologia.
2º porque estarei colando grau de Licenciatura em Psicologia na próxima semana
3º isso é um mercado de trabalho para mim, e pode me render $$ (leia-se cifrões)
4º eu realmente acredito que psicologia é tão importante quanto a Filosofia, Sociologia e Artes
5º conhecimento cientifico nunca é demais em lugar nenhum!

Agora utilizo do artificio Crtl+C e Crtl+ V , e exponho os oito motivos que o CFP apresenta :



1. A Psicologia, enquanto ciência, apresenta um conjunto de teorias e estudos contemporâneos voltados para uma formação humanizadora do jovem.

2- Os estudos da Psicologia permitem uma relevante leitura das relações sociais e culturais na constituição dos sujeitos sociais.

3. A Psicologia possibilita que o jovem compreenda os fatores constitutivos da subjetividade humana, do desenvolvimento da personalidade, da vida comunitária e das novas organizações familiares.

4. A Psicologia tem contribuições específicas a dar como disciplina ao discutir temas como direitos humanos, humilhação social, preconceitos, processos de desenvolvimento e de aprendizagem.

5. A Psicologia utiliza-se de metodologias interativas e compreensivas de maneira a permitir que os conteúdos tenham sentido e significado para o aluno que deles se apropria.

6. A Psicologia possibilita o uso de estratégias de aprendizagem e de auto-monitoramento do estudo cujo objetivo é o desenvolvimento da autonomia e da aprendizagem auto-regulada.

7. O número de professores licenciados no Brasil, habilitados para ministrar a Psicologia, é suficiente para atender à demanda das escolas de Ensino Médio do País.

8. A psicologia contribui de forma direta para a concretização dos objetivos do ensino médio estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB favorecendo a construção de sujeitos autônomos e democráticos.

Apóie você também esta luta!

Manifeste seu apoio convocando os parlamentares do seu estado a lutarem pela aprovação da inclusão da Psicologia como disciplina obrigatória do ensino médio.

Envie uma mensagem aos deputados e senadores por intermédio do site do CFP

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Dialogo

terça-feira, 15 de abril de 2008

[...] ela é uma máquina mortifera com as palavras.

- É, ela é muito cruel às vezes.
- ...pior que sei que ela é cruel!
- É a mulher que mais me fez chorar em toda a vida. Se juntar todas não dá tudo que ela me fez chorar.
- Se for aquela que mais te fez sorrir, vale a pena!
- Então vale a pena. Ela é dona dos meus melhores sorrisos!

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Convite

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ao fim deste post você pode ouvir a música que me embalou para escrevê-lo. Você não precisa, necessariamente, ler o post antes de ouvir. Inclusive eu recomendo que faça isso enquanto lê.

Quer viajar comigo?
Sair por aí...
Pega tuas coisas
põe na mala chamada memória
dá pra levar tudo nela...

Quer viajar comigo?
Sair por aí...
Olhar para mim
todo dia
Acordar e ver
que tudo continua bem

Quer viajar comigo?
Sair por aí...
só isso. Sair por aí...


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Neste momento...enloucrescendo.

sábado, 12 de abril de 2008

Sabe quando você olha para todas as fotos antigas e tem certeza que você era feliz e bonita e não sabia disso? Sabe quando você acha que tá tudo errado, de ponta cabeça, bagunçado? Sabe quando você deseja acordar e ver que tá tudo diferente, do jeito que era antes ou absurdamente melhor do que está agora?

Eu estou assim. Desejando ser dona do tempo, do relógio da vida. Queria mexer nos ponteiros com meu dedo indicador e sair do agora. Tanto faz voltar ou avançar o tempo. Eu só desejo não estar no agora.

Já me senti assim antes e sei que passa. Sei também que daqui uns anos eu vou olhar as fotos de hoje e pensar: "eu era mais bonita, mais nova, eu era mais feliz". É, eu não sou a rainha da boa auto-estima, mas também não jogo contra mim. Eu tenho meus valores, meus atributos e milhões de qualidades.

Eu me senti assim pela primeira vez quando eu tinha 12-13 anos. Deixando de ser criança, entrando na adolescência. Me senti assim com 17-18 anos também. Deixando de ser moleca, entrando na faculdade. Agora com 21-22. Deixando de ser estudante para ser profissional. Adulta(?).

O mundo exige outras posturas e eu sei que estou pronta para mostrá-las. Eu sei que estou preparada, e eu não quero me manter presa eternamente na fase das poucas responsabilidades. Não sei se eu largo na frente ou saio atrasada nesta corrida do desenvolvimento mas, eu sei que pareço destoar do resto do mundo.

Eu sempre soube que era única e autêntica, "a diferente", porém não faz mal nenhum ter pares para dividir algumas experiências e crises. É, acho que estou em crise. Sim! Coloquei um ponto final em histórias e vivências que precisavam ficar para trás. Aham, estou no último ano e sem idéia de onde trabalhar.

Eu desejo coisas que não posso ter. Não agora, eu sei. São coisas que de fato eu terei, mas sei que não agora. Tenho dificuldade em deixar momentos bons para trás. E isso é super humano. Quem gosta?

Senti falta de brincar de boneca. Senti falta dos amigos do colégio, da turma imensa. Sentindo falta dos primeiros anos da facu. Dos dias que matava aula e ia pro bar. Das festas e das brincadeiras. Sentindo falta do meu cabelo que não mudava há mais de 7 anos. É, eu ainda choro por ele.

Estou confusa, pensando demais, querendo passar por isso o mais rápido possível e, desejando que a crise dos 30 demore muito pra chegar.

Coisa de mulher? Pode ser...

Me dê alguns dias, por favor! Peço para a vida e ela não aceita. O tempo continua rolando, e eu durmo e acordo com a impressão que tudo tende a piorar.


[Tenho uma monografia para escrever para segunda-feira e não fiz uma página. Tenho provas para estudar e vou contar com minha habilidade de ter prestado atenção nas aulas.

Minha colação de grau de bacharelado-licenciatura será dia 25 de abril. Me ofereci para ser oradora da turma. Ninguém foi contra, mas também ninguém me escolheu. Então serei eu.]

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Rei Razão assume o trono do país Mim.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Hoje a Razão pega a faixa e o cetro. O país mim estava em apostas entre o lado emocional e o lado racional. A turma dos racionais ganharam. O lado emocional pegou suas coisas e foi embora. Não foi pra sempre, eu os conheço. Devem ter ido viajar, tirar umas férias, descansar. Eles têm precisado, mesmo, desse descanso. As batalhas foram árduas e mesmo perdendo tantas vezes eles ainda insistiam em lutar.
O lado racional tá garboso afinal, ganhou a aposta que já estava durando meses. Agora ele é rei, ele que manda. É um rei ditador, uma pena para o resto de Mim, mas cada povo tem o governo que merece e precisa.
O rei Razão estivera nesse cargo por muito tempo. Tinha perdido a posse por uma jogada política da oposição. Emoção foi manipulado pelo exterior, convencendo-se e convencendo o resto de mim que seria um bom governo. No ínicio Mim inteiro gostava, mas foi um governo muito desequilibrado. Eram momentos de festa e tragédias quase simultanêamente.
Já ouvi de outros países que quando Emoção está assumindo o trono, o país fica fora da realidade. Emoção é um mago poderosissimo. Ele provavelmente usa de alguma magia (negra, só pode) para transportar todo Mim para um outro plano, um plano insano.
Há boatos de que Razão peça a ajuda de Emoção para alguns ministérios, porém parece que Emoção anda muito orgulhosa e quer ficar distante do governo por um tempo. Como disse, ela sempre volta.
O bom é que Rei Razão faz e acontece. Ele limpa toda a sujeira que Emoção deixou, organiza a CDHU dos pensamentos (aquele pessoal anda muito empuleirado), conserta os asfaltos e mata as borboletas pragas lá do bairro do Estômago e melhora a qualidade de vida.
País Mim terá outra cara em breve, mais bonito, mais inteiro, mais saudável, mais colorido e mais viçoso. Um pouco melhor do que ele já era há um ano e cinco meses atrás, quando Emoção havia acabado de lhe tirar o trono.
[Ps* Amanhã é dia 12 de abril, o dia que tudo acontece comigo...]

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Lingua de boi e idéias em geral

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Já viu lingua de boi? É hiper grossa. A minha está assim hoje. Falei o dia inteirinho. Nossa! Eu não sei como consegui. E na verdade eu nem tinha percebido. Só percebi agora que senti minha lingua meio (assim) grossa e minha imaginação meio falhada.
Essa coisa de imaginação falhada está sendo comprovada pelas dicas sem sentido e improdutivas que estou dispensando pra Nathália.
Eu gosto demais de fazer brainstorm, mas hoje tá péssimamente horrivel.
Odeio posts estilo querido diário, mas esse ficou. Pena.

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A mando do sapo

terça-feira, 8 de abril de 2008

A mando estou e isso irradia, exala pelos poros. Eu sempre dizia: "Ninguém manda em mim...". Estou a mando do sapo. Uma tremenda de uma pau mandada. Faço coisas que eu jurava que jamais ia fazer.
Todo e qualquer um pode dar opiniões e elaborar justificativas para a controvérsia entre discurso e atitude. Freqüentemente sou supreendida com essas análises, avaliações, dicas, fofocas, seja lá como queiram chamar. Eu poderia me incomodar. Eu fatalmente me incomodaria se estar a mando não fosse tão bom quanto é. O sapo tem um jeito frio de estar no mundo. Ele se esconde. E o que pouca gente sabe é de sua temperatura interna.

Assumo! Abro o peito e entrego as vísceras. Esse sapo...ah, esse sapo. Não existe tempo, não existe tamanho, não existe nada. Existe muito mais que tudo. Estou a mando a ponto de sair em disparada, celar meu cavalo, desbravar uma mata fechada, matar um dragão e te acorda-lo com um beijo.

Eu? Princesa? Não faz meu tipo...
Faz meu tipo, talvez, na feminilidade e na doçura. Estou mais para sapa, talvez por isso a mando (d)o sapo. Princesa meu tipo não faz quando, ela é do tipo que espera adormecida.
Se já não bastasse o sapo.

A mando. Amando. A mando. Amando.

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O ônibus nosso de cada dia...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Todo santo dia eu pego ônibus. No mínimo dois, um para ir outro para voltar. A maioria das pessoas que conheço detestam pegar ônibus. Eu não detesto mas, também não amo. Eu procuro levar essa rotina de um jeito mais saudável e divertido, muito divertido.
Primeiro que só me acontece coisas engraçadas no ônibus. Isso vai desde as amizades com desconhecidos até sons eróticos vindos de um casal sentado bem atrás do meu banco.
A parte ruim de andar de ônibus é o tempo que se perde com ele. Pior ainda é o tempo que se perde quando você o perde. Quando o ônibus tá lotado eu acho normal e minha irmã acha engraçado. Ela acha engraçado porque ela vai comigo e eu, honestamente, me equilibro muito mal. E isso se agrava quando estou carregando alguns livros e pastas no braço e uma bolsa dessas bag no ombro (sempre é assim, tá). Eu nunca efetivei um tombo no ônibus. Fico no quase praticamente todos os dias.
Quando eu entrei na faculdade eu achava que lá pelo terceiro ano eu estaria indo de carro. Estou saindo da faculdade e nunca fui de carro. Só de carona. E sempre de ônibus.
Uma vez eu quase arrumei um emprego no ônibus. Não um emprego para trabalhar no ônibus. Quase arrumei alguém que me empregasse. Não deu certo. Tá, tudo bem. Eu gosto mesmo é de conversar com velhinhos. Acho todos eles uns fofos. Gosto mais daqueles que ninguém entende o que fala (porque já não tem dentes) e só ri. Eu não gosto dos ciganos. Eles são mal educados, não respeitam ninguém, muitas vezes não pagam a passagem e fedem. Fedem muito.
Já fiz uma amiga que sempre emprestava uma revista de novela preu ler no percurso. Agora eu não encontro mais com ela. Meus horários estão diferentes. Andando de ônibus eu percebi que eu precisava me arrumar mais. Assim, não que as pessoas fossem muito arrumadas no ônibus. Elas não vão. Quem anda de ônibus sabe. E também não queria ser diferente ou parecer melhor, né nada disso. É que eu sou quase uma psicóloga, e foi sacanagem me perguntarem em que casa eu fazia faxina! Só porque eu pegava ônibus em frente à um condomínio chiquééérrimo que eu trabalhava de terapeuta. Eu rio muito com essa história. Quando eu disse para a moça o que na verdade eu fazia lá, a minha amiga faxineira ficou com tanta vergonha que justificou dizendo "É que você é muito 'gente fina'. Esse 'povo aí' (apontando pro condomínio) 'é tudo' metido".
Eu já tenho certeza que era meu cabelo. Tinha nada ver com fineza. Mas enfim, vida de ônibus é dura mas, é engraçada. O ônibus que eu uso faz o trajeto por uma estrada que grande parte é de terra. Ele freqüentemente quebra. Daí desce todo mundo e sobre todo mundo no próximo. Certo dia ele parou do nada. Não tinha nem ponto ali. Ninguém havia dado sinal para ele parar e ele parou. Fiquei desconfiada mas quando olhei para fora vi que estava atravessando a estrada uma linda família de porquinhos. A mãe e seus filhotinhos. Isso que é um ônibus cavalheiro.
O ônibus que eu pego tem um apelido: Poeirinha.

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As músicas

domingo, 6 de abril de 2008

Músicas, para mim, são formas belas de se dizer o que sente. Letras que significam, melodias que tocam emparelham-se com todas as sensações corpóreas representativas do momento.

Comentei em um blog esses dias sobre trilha sonora.
[...]Pra que musicas e trilhas sonoras brilhantes feitas por alguém para ilustrar o momento de alguem que nem existe ( o personagem)?

Pega essas buzinas que diariamente atormentam o seu dia, some com o barulho do mar (outra inveja que tenho de ti), some com suas musicas preferidas, some o som dos beijos estalados dados na bochecha pela sua mãe carinhosissima, com o som dos tapinhas no ombro daquele amigo que te entende, some tudo mais que é significativamente sonoro e divida por cada momentozinho da sua vida...

Tem filme mais perfeito que esse?
Excluindo este olhar mais romantizado sobre os sons, ressaltanto que as músicas realmente tocam, envolvem e provocam as diversas sensãções e, considerando que fui indicada para um Meme musical pelo Sounds of Silence, indicarei e comentarei sobre seis músicas que tocaram minha vida.
Vou escolhe-las a partir do critério chamado momento. Simplesmente pelo fato de que as músicas são muitas e minha vida sempre foi um recheado de trilhas sonoras. No atual momento são estas :
1) Eu apenas queria que você soubesse - Gonzaguinha.
O post anterior foi sobre ela.
2) Diga sim pra mim - Isabela Taviani
"Então case-se comigo numa noite de luar /Ou na manhã de um domingo a beira mar/Diga sim pra mim/Case-se comigo na igreja e no papel/Vestido branco com bouquet e lua de mel/Diga sim pra mim/Sim pra mim"
3) Não posso ter medo de amar - Bruno e Marrone
"Já não sei se entrego ou não./Já nem sei se é ilusão./Dessa vez vou tentar ser feliz,/Mais uma vez!/Não posso ter medo de amar!/Meu corpo sobre o seu,/Seu corpo sob o meu,/No sabor mais gostoso de um beijo/,Explode o desejo!/...eu quero te prender, /Até o amanhecer,/Nunca mais te deixar ir embora,/Não é só da boca prá fora!"
4)Se - Djavan e Te devoro - Djavan
"Você disse/Que não sabe "se não"/Mas também/Não tem certeza que "sim".../Quer saber?/Quando é assim/Deixa vir do coração/Você sabe que eu só penso em você/Você dizQue vive pensando em mim..."
"É um milagre/Tudo que Deus criou pensando em você/Fez a Via-Láctea/Fez os dinossauros/Sem pensar em nada/Fez a minha vida/E te deu/Sem contar os dias/Que me faz morrer/Sem saber de ti jogado à solidão/Mas se quer saber/Se eu quero outra vida/Não! Não!"
5)Eu sei que vou te amar - Vinícius de Moraes.
"Eu sei que vou te amar/Por toda a minha vida eu vou te amar/A cada despedida eu vou te amar/Desesperadamente/Eu sei que eu vou te amar/E cada verso meu será pra te dizer/Que eu sei que vou te amar/Por toda a minha vida/Eu sei que vou chorar/A cada ausência tua eu vou chorar/Mas cada volta tua há de apagar/O que essa ausência tua me causou/Eu sei que vou sofrer/A eterna desventura de viver/A espera de viver ao lado teu/Por toda a minha vida"
6) More than words - The Extreme
"Saying 'I Love you' is not the words/I want to hear from you/It's not that I want you/Not to say/ But if you only knew/How easy it would be to show me how you feel/More than words/Is all you have to do to make it real/Then you wouldn't have to say/That you love me cause I'd already know/What would you do if my heart was torn in two/More than words to show you feel/That your love for me is real/What would you say if I took those words away/Then you couldn't make things new/Just by saying I love you"
Aqui eu preciso recomendar o desafio mas, como eu já recomendei várias coisas em tão pouco tempo, deixo em aberto para quem tiver interesse de fazer. Se você quiser, deixe um comentário que linko o blog aqui para ajudar na divulgação do Meme.
Escute meu PlayList e ouça mais trilhas sonoras.

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Eu apenas queria que você soubesse...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

...que eu fui recomendada para um selo e estou feliz demais! Agradeço à Nathália que me indicou entre os cinco blogs bons que "veio de primeira na cabeça" dela.

Eu preciso indicar mais cinco que eu acho bons, então vai lá:

Anônimo Famoso
Contanto e Recontando
Lexico Defenestrado
Metendo o Bedelho/
Xô Perereca


O título do post é o nome de uma música de Gonzaguinha. Eu apenas queria que você soubesse. Coloco a letra aqui com alguns comentários (óbvio) pois, além da letra dizer por mim neste momento, a melodia é uma delícia. E você pode ouví-la no vídeo linkado à direita. ->

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo (e acho que sempre estará)
E que a minha ternura não ficou na estrada (porque eu tomo muito cuidado de não deixar ela para trás)
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher ( visto o corpo e o pensamento)
E que esta mulher é uma menina (pela inocência e pureza)
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também (coisas de terapia, faculdade, maturidade...)

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora ( sem sombras de dúvidas!)
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé ( difícil mas, necessário!)

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas (teme um pouco mas diz que não porque é fica mais elegante)
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida (aprendeu caindo e levantando)

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Escrevo. (e ponto!)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Escrever é uma coisa que gosto de fazer. (ponto!)
Se faço isso bem ou não, me importa e muito! Eu podia dizer aqui que não ligo se as pessoas vão gostar ou não mas, na verdade, eu ligo, sim! Eu procuro escrever sem muitos erros de português, embora saiba que eles eventualmente acontecem.
Mas, mais do que isso, eu procuro escrever com paixão. Eu procuro escolher as palavras que combinam, que dançam e que rimam! Eu procuro escrever um texto claro, limpo e na maioria das vezes, objetivo. Objetivo não no sentindo de excluir a subjetividade, mas sim no sentido de me fazer compreender.
Eu não escrevo aqui, para elite pensante e quanto menos para os "ignoranti". Eu escrevo para aquele que quer sentir algo. Para elite pensante eu escrevo técnicamente para os ignorantes, escrevo chulamente. Não é feio dizer que escrevo chulo, desde que me faça entender e que os faça sentir ( e pensar).
A palavra tem o poder de tocar, de mexer, de envolver, de sentir, provocar e, maravilhosamente, de fazer pensar. Eu escrevo porque gosto de escrever e porque gosto de (me) ler. Se pensas que sempre recebi elogios e belos incentivos pela minha escrita, enganado está!
As melhores professoras de português/redação que tive exigiam de mim um alto nível de escrita. Talvez percebessem a minha potencialidade ou, talvez, fossem assim com todos os alunos.
Escrevo sobre qualquer assunto. Sobre o que conheço falo com propriedade, sobre o que não conheço, imprimo nas palavras aquilo que foi impresso em mim. O tema, neste blog, pouco importa. O tema no meu TCC (trabalho de conclusão de curso) muito importa. Aquele que aqui me lê, muito me importa. Aquele que lê meu TCC, importa ainda mais. Os comentários aqui registrados são sempre de bom grado. Os comentários direcionados para o meu trabalho serão sempre avaliados.
Eu escrevo porque é assim que muitas vezes me comunico. Escrevo e-mails, escrevo cartas e bilhetes. Escrevo scraps e comments. Escrevo no ar. Escrevo nas tuas costas com dedo para você adivinhar. Eu escrevo porque um dia eu aprendi a falar e assim aprendi a pensar.
Escrevo por que eu gosto. (e ponto!)

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A primeira vez

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A ansiedade tomou conta do meu corpo, do meu pensamento. Já fazia um tempo que eu estava esperando por esse dia. Troquei tantas informações, li tantas reportagens, artigos, até livros eu li! Como seria era a grande incógnita. Será que seria bom? Será que eu seria boa? E se ele percebesse que seria minha primeira vez? Tantas dúvidas, tantos medos. É importante se previnir. Sim, eu sei que é! Ai, que roupa usar? Será melhor parecer indiferente? O que vou dizer? Decote muito profundo não pode. Uso ou não maquiagem? Batom, lápis e perfume forte também não é muito indicado. O que ele vai pensar de mim? Tantas expectativas...
Será que vai ter segunda vez? E se ele se apaixonar? Se ele não gostar de mim, me achar nova demais... Quanto medo! Quanta insegurança. Você está preparada. Eu sei que estou preparada. Já fazem três anos que espero e me preparo para esse dia. O dia chegou. Estava tudo combinado, hora marcada. Arrumo a sala ou deixo como está? Feche a janela para não sair o som! Privacidade é tudo, eu sei. Quando ele chegar, começo logo de cara ou jogo uma conversa fora? Mariana, ele chegou. Certo. Agora conto até três. Ou melhor contar até dez? Não conte, vá chamá-lo! Ok. Caminhei por aquele corredor, ajeitando os últimos retoques que podia. Abri a porta e ele me fitou. Logo disse: "Vamos lá?"

[Meu primero atendimento. Neste dia tive o encontro mágico com um dos meus ofícios. Como um bom caso de amor, à princípio eu pouco estava atenta às belas formas do atendimento clínico. Eu até acreditava que essa não seria a minha praia. Então, há três anos atrás quando dei ínicio ao meu estágio de psicologia Clínica, o cupido nos flechou e procuro consquistá-lo cada vez mais!]

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Sob o negativo - novo início

terça-feira, 1 de abril de 2008

[Leia o capítulo I aqui e o II aqui]

Já tinham se passado quase quinze dias que Rodrigo enviara a carta. Ele ficou pensativo e muito expectativo nos primeiros dias decorrentes mas, a falta de notícias dela extinguiu seu comportamento de esperar. Quer dizer, extinguiu em termos pois, apenas publicamente Rodrigo não esperava mais.

Quinze dias passados e ela apareceu. Estava quieta e com os olhos mareados. Rodrigo ao vê-la ficou sem voz e tratou de marear teus olhos também. " eu a amo tanto...", pensava Rodrigo arrependendo-se de algumas palavras que havia escrito na carta.

Ela disse que precisava responder pela carta. Rodrigo disse que sim, ela precisava. Ela perguntou se podia ser daquele jeito mesmo, sem precisar escrever e endereçar. Ele disse que sim, claro que poderia.

Então ela começou. Chorava muito e Rodrigo também. A impressão é que estavam ambos na eminência de um fim definitivo. Era muito difícil ouvir a voz de Rodrigo, ele estava com um nó muito grande que nenhuma palavra iria conseguir a vocalização.

Ela disse que o amava mas, já que o fazia sofrer tanto, como ele descrevia na carta ela iria embora para nunca mais voltar. Neste momento Rodrigo empalidou-se. Pensava repetidamente "...para nunca mais voltar ?", "...para nunca mais voltar ?", "...para nunca mais voltar ?". Não era isso que ele queria! Isso sempre foi a última coisa que rodrigo queria. Ficar distante dela era o que o machucava, e não a sua presença.

A presença dela sempre foi maravilhosa. Cenário para os mais belos sonhos. Ele sempre se pergunta como ela ainda consegue mexer tanto com ele mesmo depois de tanto tempo.

"...para nunca mais voltar ?"
"É isso mesmo que você quer?" - Rodrigo perguntou esperando que ela dissesse um belo não e caísse logo em seus braços.
"É..." - ela respondeu um pouco reticênte.

Rodrigo sentiu-se como se alguém o tivesse empurrado morro abaixo. "Então quero que saiba que te amo muito e que desejo à você toda a felicidade existente no mundo. Me promete que será feliz?" - Rodrigo falava com muita calma, embora enxugasse frenéticamente suas lágrimas mais doloridas.

Ela respondeu ríspida: "Eu não vou ser feliz. Acredite!" e, imediadamente Rodrigo tentava acomodar esta péssima notícia com " ... vai sim! A vida vai te dar muitas oportunidades maravilhosas!".

Ela dizia que não haveria nada que lhe traria felicidade pois, aquele quem ela amava não conseguira entender seus motivos. Aquele quem ela amava não o conhecia.

Rodrigo sabia que a conhecia. Que conhecia cada detalhezinho do seu menor defeito. Rodrigo sabia exatamente como ela se comportava e sentia bem próximo dele o quanto ela o amava. É recíproco.

Então ela disse em tom de derrota que "...para ficar sem você não preciso mais viver...". Não era chantagem, não era desespero. A voz dela estava certa de que aquela seria a melhor solução para por fim nesse sofrimento que tinha atingido um tamanho imensurável.

E lá foi Rodrigo de novo lançado morro abaixo sem a menor piedade. Se alguma coisa acontecesse com ela Rodrigo jamais se perdoaria. Estava arrependido por não ter escolhido as palavras certas. Ele a amava e a idéia de que ela podia não estar mais ao seu alcance o deixou extremamente transtornado.

Ela virou as costas e saiu correndo em desalento. Rodrigo ficou parado por alguns instantes, que pareceram eternidade, tentando assimilar e acomodar tudo aquilo que ela disse. Quando percebeu ela estava longe demais. Ele ainda assim saiu correndo em disparada chamando por ela. Ela não ouvia mais pelos chamados de Rodrigo e ele ficou desconsolado.

Voltou para sua casa. O quarto, a cama, o travesseiro, estava tudo diferente. Tudo cinza. Pegou o telefone e ligou tantas e tantas vezes que já não lembrava mais outro número que não fosse o número dela.

Não adormeceu. Pode-se dizer que ele atormentou-se a noite toda, sentindo-se responsável por todo aquele mal-estar.

Era o fim como ele prevera. Embora esperasse, detestava reconhecer que era o fim.

No dia seguinte Rodrigo recebe um telegrama e com a voz um pouco rouca soltou reproduzindo as palavras mais simples e mais belas " Eu te amo muito. Não vou te deixar. Precisamos terminar aquela conversa. Não vou fazer nada demais. Fique com Deus. "


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